sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O mundo não é maternal...


É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto.

Quando se é adolescente pensa que viveria melhor sem ela, mas é erro de cálculo.

Mãe é bom em qualquer idade.

Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos.

O mundo quer defender o seu, não o nosso.

O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro.

Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividado por 20 anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro,

que a gente tenha boa aparência,

e estoure o cartão de crédito.

Mãe também quer que a gente

tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes

e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.

O mundo nos olha superficialmente.

Não consegue enxergar através.

Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento.

O mundo quer que sejamos lindos,

Sarados e vitoriosos, para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta.

O mundo não tira nossa febre,

não penteia nosso cabelo,

não oferece um pedaço de bolo feito em casa.

O mundo quer nosso voto

mas não quer atender nossas necessidades.

O mundo, quando não concorda com a gente,

nos pune, nos rotula, nos exclui.

O mundo não tem doçura, não tem paciência,

não pára para nos ouvir.

O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada

dos nossos medos de infância,

das nossas notas no colégio,

de como foi duro arranjar o primeiro emprego.

Para o mundo, quem menos corre, voa.

Quem não se comunica se trumbica.

Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

O mundo não quer saber de indivíduos,

e sim de slogans e estatísticas...

Mãe é de outro mundo.

É emocionalmente incorreta:

exclusivista,

parcial,

metida,

brigona,

insistente,

dramática,

chega a ser até corruptível

se oferecermos em troca alguma atenção.

Mãe sofre no lugar da gente,

se preocupa com detalhes

e tenta adivinhar todas as nossas vontades,

Enquanto que o mundo propriamente dito

exige eficiência máxima,

seleciona os mais bem dotados

e cobra caro pelo seu tempo.

Mãe é de graça!!!

Texto de Martha Medeiros adequado ao dia de hoje…

em homenagem à minha MÃE!

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