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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Carnaval...


Carnaval

Alberto João Jardim, ao abandonar a reunião do Conselho de Estado, desejou aos jornalistas um bom Carnaval.

Realmente, ele foi premonitório.

Eles tiveram uma época carnavalesca cheia de movimento e de motivos para exercerem a sua actividade.

Numa época de folia, de palhaçadas, de máscaras e mascaradas, eis que a divulgação das escutas do processo “Face Oculta”, extraíram a “máscara” ao nosso primeiro-ministro, José Sócrates.

Enquanto, por um lado, Sócrates assume a pose de Estado, as responsabilidades de governante, por outro, o José, o cidadão, o da vida privada, assume-se comparsa de um grupo que vai resolvendo os casos problemáticos (TVI, Manuela Moura Guedes, Moniz, Público, José Manuel Fernandes, Mário Crespo, …).

É uma situação insustentável, para ele e para o País.

Em nenhuma democracia se aceita um primeiro-ministro que se vê envolvido numa sequência de tantos escândalos.

Depois ficamos admirados dos péssimos resultados verificados naquilo que é essencial: desemprego, défice, divergência com a Europa, ataques especulativos na bolsa, aumento das taxas de juro, desprestígio para a Justiça.

Ao entrar na Quaresma, é altura para se expiar os males. É altura para se encontrar rapidamente uma saída para este estado de coisas. É altura para que Portugal reassuma o trilho do desenvolvimento, o respeito pelos valores democráticos, alicerçado num Governo e num primeiro-ministro que seja respeitado e se faça respeitar.

Barragens

Começo por assumir que não disponho de conhecimentos suficientes para fazer uma opção consciente neste diferendo a favor ou contra as barragens. E sou claramente a favor das energias renováveis e limpas.

Um pouco por todo o mundo existem barragens e resolvem os problemas ecológicos que se levantam. Como existem centrais nucleares produtoras de energia que funcionam sem problemas.

Contudo, também reconheço que a construção das barragens e o seu funcionamento têm implicações demasiado amplas e nefastas para o ambiente.

Penso que antes de discutir as questões pontuais da barragem x ou y, deveria ocorrer um verdadeiro debate sobre a questão energética.

Fazer uma verdadeira opção para a resolver.

Todas estas construções, pelos vistos, só satisfazem cerca de 4% das nossas necessidades.

Aqui, talvez resida a questão principal.

Nós que somos tão críticos, quanto às questões energéticas, não nos preocupamos seriamente com os nossos consumos e desperdícios de energia.

A única forma de sermos verdadeiramente ecológicos passa, em primeira linha, por uma atitude responsável e de poupança de energia.

A melhor central eléctrica é, seguramente, a nossa poupança.

Contrapartidas

A propósito das construções de barragens no rio Tâmega, os autarcas dos concelhos da região de Basto reuniram-se para estudar o pedido de contrapartidas a exigir.

Não temos visto esta atitude para resolver outros problemas das nossas terras, mas como se trata de obter mais uns euros, eis que já estão disponíveis para estabelecer um acordo.

No entanto, todos nós conhecemos os acordos anteriores e os seus resultados.

Pergunto apenas, o que é feito do acordo para o encerramento da linha ferroviária do Tâmega e das suas contrapartidas?


Texto editado no jornal "O Basto", de Fevereiro 2010

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Silêncios

Manuela Ferreira Leite instituiu aquilo que hoje se designa de “política do silêncio”. Contudo há diferentes silêncios.

Silêncio 1 – A moda pegou no PSD e de Lisboa disseminou-se à maioria das distritais e secções concelhias do partido. Não se ouvem as vozes regionais e locais. A líder “fala” sozinha e normalmente os que falam é para dizer mal dela. Por cá, depois de ser derrubada uma direcção local conhecida (nas estruturas distritais) por “falar demais”, depois de um ano de ausência de protagonistas, eis que uma nova gestão chegou, mas há dois meses que se mantém em silêncio. Nada há a criticar, nada há a sugerir, nada!…

Silêncio 2 – A oposição, em Cabeceiras, era tida como irreverente, até porque também pontificava a CDU e a voz incómoda do seu líder local. Agora, no mais ensurdecedor silêncio. Será que o PSD tinha razão quando, em tempos, criticou um certo aproximar de posições com o poder? Silêncio que precisa de ser quebrado.

Silêncio 3 – O mesmo acontece com a Rádio Voz de Basto. Hoje um órgão de comunicação social que não tem qualquer papel activo na discussão dos problemas do concelho, da região e do país. Não numa perspectiva político-partidária, mas numa função cívica que o seu estatuto de órgão de comunicação social exige.

Silêncio 4 – O silêncio percorre também o partido do poder. Não que estejam calados. Bem pelo contrário! Aliás, até têm uma política de oposição à oposição (mesmo que digam que ela não é digna de registo). Porém, falam de tudo quanto não é essencial: casamentos gays, eutanásia, aborto. São questões “fracturantes de esquerda”, para encobrir o silêncio (e a falta de medidas concretas) que fazem sobre os verdadeiros problemas do país: o desemprego, a miséria social (para onde está a ser arrastada uma parte considerável da dita classe média), a violência, a insegurança, a falta de cuidados de saúde, a falta de políticas sociais, … Pela nossa terra, sentimos também estes e outros problemas. Sentimos também o silêncio e a falta de respostas.

Silêncio quebrado – A Assembleia de Freguesia do Arco de Baúlhe quebrou o silêncio do unanimismo e tomou posição dissonante sobre a construção da barragem de Fridão, no Tâmega. Não me pronuncio sobre a essência da questão, mas é bom ver que ainda há quem não se cale e se acomode, pelos nossos lados. 

Publicado na edição de Fevereiro de 2009