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terça-feira, 15 de junho de 2010

Aeródromo ou hipódromo?



Há longos anos que a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto deu início às obras daquilo que veio a designar por aeródromo, em Abadim.

O projecto nasceu, segundo dizem, da necessidade de haver um local de apoio ao combate de fogos florestais pelos meios aéreos.

Foi com base nesse pressuposto que foi ignorada a falta de estudo de impacto ambiental, de violação da Reserva Ecológica Nacional (REN) e que o Exército Português ali investiu muito trabalho.

Durante os muitos anos de obras, se questionou sobre o projecto da obra, o seu orçamento, as suas efectivas finalidades.

A tudo isso, sempre a autarquia reagiu com o silêncio.

Até que, depois de uma modificação profunda do local, lá aparece uma pista de 700 m de comprimento, por 25 m de largura, conforme consta de informação disponibilizada em site de aeronavegação - http://www.pelicano.com.pt/zp_cabeceirasdebasto.html.

O impacto ecológico e visual é muitíssimo mais vasto, conforme se pode verificar na foto que ilustra este trabalho.

Mas qual não é o nosso espanto quando depois de inaugurado o referido aeródromo, este se transforma, por artes mágicas, em hipódromo municipal.

Lá se vê (na fotografia também) a delimitação da pista para as corridas de cavalos.

Afinal em que é que ficamos: temos um aeródromo ou um hipódromo?

Será compatível este duplo estatuto?

Será que a ideia do aeródromo só serviu de “lebre” para justificar a obra e depois de feita mudou de finalidade?

Não será de questionar, agora mais do que nunca, onde estão os estudos indispensáveis a estas obras, o estudo de impacto ambiental e o parecer da REN, bem assim dos respectivos projectos e orçamentos?

Não questiono o papel importante que esta(s) infra-estrutura(s) podem ter para um concelho como o nosso, mas têm de ser devidamente estuda(s), planeada(s) e executada(s), sob pena de não conseguirem atingir os objectivos.

Objectivos que estão em causa em várias vertentes.

Que meios de apoio existem no local?

Como será possível aí os instalar, quando a área está na REN?

Como serão rentáveis estes investimentos para quem os quisesse fazer?

Como já referi, numa outra ocasião, a actividade ali desenvolvida só serve os interesses de pessoas de fora do concelho, os vendedores ambulantes.

Publicado na edição online de "O Basto"


domingo, 19 de julho de 2009

Louvar ou punir?


Hoje Cabeceiras de Basto viveu um dia de grande movimentação.
Milhares de pessoas, diria, também, milhares de viaturas, dirigiram-se para Abadim, para a Serra do Oural, para a inauguração do Hipódromo Municipal e assistir às corridas de cavalos.
Numa primeira abordagem diria que é de louvar a criação de espaços úteis e que levem à dinamização da nossa terra.
Não sendo especialista da área não posso afirmar a qualidade do mesmo, mas aparentemente parece uma obra adequada.
Daí o louvor.
Por outro lado, vem o reverso da medalha.
O referido hipódromo está localizado no espaço adjacente da pista para aeronaves e ambas estão numa área que é (ou era) de Reserva Ecológica Nacional - REN.
Assim sendo, torna-se necessário saber que estudos de impacto ambiental viabilizam essas obras.
Analisada a informação da Câmara Municipal, a referida pista justifica-se pelo combate aos fogos florestais, mas que se saiba, os referidos fogos combatem-se com aviões pesados e não com ultraleves ou aeronaves e é só para este efeito que a pista está licenciada.
Estaremos assim, a falar de um outro objectivo, como aliás é reconhecido, de favorecer o turismo.
Ora nada de mal, desde que o investimento o justificasse.
Esta obra "representa um investimento de grande dimensão", citando a informação autárquica, que obviamente o município tem vindo a suportar com o nosso dinheiro.
Onde estão os estudos financeiros de viabilidade económica?
Por isso, por trás de "boas" ideias podem esconder-se graves problemas - ambientais e financeiros.
Dado o conhecimento público destes factos, as entidades de supervisão não podem ignorar.
Uma parte significativa da Serra do Oural foi dizimada, alterando significativamente a paisagem.
Nestas obras gastaram-se rios de dinheiro público.
Nós, Cabeceirenses, cidadãos e contribuintes devemos conhecer com pormenor estas questões. Somos nós que estamos a pagar tudo isto.
Nesta perspectiva, teremos de punir.