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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

As faces da mesma moeda


Temos por hábito rotular as coisas, os comportamentos, as situações.
            Recorrentemente distinguimos entre o bem e o mal, o bonito e o feio, o correto e o incorreto, e até entre a virtude e o pecado.
            Claro que nem tudo é feito destes contrastes, mas não deixa de ser verdade que para cada coisa há sempre pelo menos duas formas de a encarar.
            Usa dizer-se que há duas faces da mesma moeda.
            Vem tudo isto a propósito da agitação política que se vive no PS local.
            O presidente da câmara e influente dirigente partidário impôs a sua força, fazendo vingar a nomeação do presidente da assembleia municipal como candidato à câmara nas próximas eleições.
            Obviamente, para quase todos, militantes ou não do PS, a solução mais natural seria a candidatura do atual vice-presidente.
            Este, aliás, assumiu essa vontade apresentando uma candidatura alternativa, mas perdeu, o que também não era difícil de adivinhar.
            Aqui chegados, agitaram-se as águas, perspetivam-se alternativas, novos cenários.
            Conforme se pode comprovar na blogosfera, este facto está a criar um profundo mal-estar no interior do PS. Claros indícios de divisão interna não ficaram apenas registados na votação realizada no órgão partidário.
            Esperemos para ver no que isto dá.
            Mas, como dizia no início, isto é, apenas e só, as duas faces da mesma moeda. Uns e outros lutam pelo poder dentro do PS e para que os mesmos continuem a governar a autarquia.
            Em qualquer dos casos, pensando apenas na continuidade no poder, agarrando-se às suas cadeiras como uma lapa.
Do meu ponto de vista, Cabeceiras precisa de mudar, precisa de uma alternativa que não seja a escolha de uma das faces da mesma moeda.
Precisa de uma nova “moeda”.
           
Comércio local
           
            Ao longo dos anos, a Câmara de Cabeceiras resistiu à implantação de lojas de média dimensão, com o argumento de que os hipermercados prejudicam o comércio local.
            Sobre este assunto já escrevi aqui, em novembro do ano passado, afirmando: “Das duas uma, ou nós por cá somos os mais inteligentes por ter resistido à moda, ou, pelo contrário, somos os mais idiotas por não ter sabido tirar partido de um fenómeno que alterou significativamente a forma de comercializar os produtos e ser fonte de atração social e desenvolvimento económico.
            Quase um ano volvido, continuamos a não ter um hipermercado, mas temos já várias lojas “chinesas”, uma delas de grande envergadura, quase um verdadeiro hipermercado.
            É este o modelo económico que a Câmara privilegia?
            Estamos conversados…
           
Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.
Publicado na edição de agosto de 2011 de "O Basto"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Esperteza saloia

Esperteza saloia

O concelho de Cabeceiras de Basto é o único do distrito de Braga que não tem qualquer grande superfície comercial, designada por hipermercado.

Todos os restantes concelhos têm até mais do que um desses locais de culto do consumismo.

Das duas uma, ou nós por cá somos os mais inteligentes por ter resistido à moda, ou, pelo contrário, somos os mais idiotas por não ter sabido tirar partido de um fenómeno que alterou significativamente a forma de comercializar os produtos e ser fonte de atracção social.

Tenho para mim que seguimos o segundo caminho.

Não é que eu simpatize com os hipermercados, mas sei que já não podemos viver sem eles.

Se os não temos na nossa terra, vamos, a eles, à terra dos outros. E o facto é que aí encontramos muitos nossos conterrâneos.

Desse modo, estamos a contribuir, não para o desenvolvimento da nossa terra, não para o emprego na nossa terra, não para a riqueza da nossa terra, mas sim para a terra dos outros.

É lamentável que os poderes públicos tenham enveredado pela esperteza saloia de pretensamente defender o “comércio local”, quando o caminho seguido só levou à sua depauperização e ao fluxo do comércio para outras localidades (Fafe, Guimarães, Braga).

É igualmente lamentável que os nossos comerciantes tenham seguido idêntica orientação, não se sabendo acautelar para os perigos do isolamento em que se colocaram.

Hoje é já tarde de mais, pelas razões locais e nacionais, os tempos não estão de feição para grandes investimentos. Mas não podemos continuar por este caminho.

Uns e outros, poderes públicos, empresários e comerciantes deveriam dar as mãos para, em conjunto, deixarem a política de capelinha, o olhar para o seu próprio umbigo, e lançarem um projecto adequado à defesa dos múltiplos interesses em questão.

Sei que há potencialidades, sei que há projectos, sei que há alguns interessados em avançar, mas os interesses da nossa terra, das nossas gentes, não são apenas questões para alguns. Exigem a colaboração e o empenhamento de muitos dos directamente interessados.

É altura de deixar a “esperteza saloia” do “orgulhosamente só” para um projecto partilhado, dinâmico e virado para as conjunturas do futuro.

A crise adiada

A propósito da aprovação do Orçamento de Estado para 2011 esteve iminente uma crise política.

O Governo socialista, não contente com o estado a que levou a situação financeira do país, procurou ainda saltar da carruagem, inviabilizando o apoio do PSD, para se eximir às responsabilidades presentes e futuras.

Entendia que o PSD deveria ter viabilizado à partida o orçamento, mas, depois de tudo o que aconteceu, até concordo com Passos Coelho. Esta foi a única maneira de se conhecer publicamente a dimensão da tragédia, o “buracão” das contas públicas, as resistências do “aparelho socialista” à contenção das despesas.