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sexta-feira, 4 de junho de 2010

O consabido ladrão


O consabido ladrão

Às vezes as manchetes mentem sem querer. No Público de anteontem era "Ninguém sabe dos gravadores que o deputado do PS tirou a jornalistas". Não é possível que ninguém saiba. Alguém sabe onde estão os gravadores que Ricardo Rodrigues roubou ao meu amigo Fernando Esteves da Sábado. Mais do que uma só pessoa, se calhar. Ninguém é que não é, de certeza.
A única coisa que sabemos é que os gravadores foram roubados pelo cidadão Ricardo Rodrigues. Não eram gravadores que lhe pertencessem. Roubou-os. Falar em "acção directa" é um ultraje. Qualquer roubo, qualquer assassinato, qualquer violação, qualquer cuspir de tremoços é uma acção directa. É tudo uma questão de propriedade. Não do que é próprio e do que é decente - o sentido piroso da propriedade - mas do facto de os objectos pertencerem a quem os pagou. Ricardo Rodrigues foi um ladrão. Roubou objectos que não lhe pertenciam. O resto é conversa.
Mesmo que Ricardo Rodrigues não tivesse dito nada (ou tivesse dito tudo), nem o silêncio nem o que disse justifica o roubo. A liberdade de expressão é uma coisa. O roubo de canetas e megafones é outra.
Para mais, há um roubo intelectual. É muito menos grave - mas é mais revelador. O ladrão Ricardo Rodrigues roubou os gravadores. Mas também quis roubar as perguntas de Fernando Esteves. Só lhe faltou roubar o vídeo - mas todos os ladrões são incompletos.
Ricardo Rodrigues pode ser inocente de tudo. Menos de uma coisa. É ladrão. É ladrão. É ladrão.

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Miguel Esteves Cardoso
Público

de 26.05.2010


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A má convivência...


A convivência democrática impõe o respeito pelas liberdades e nomeadamente pela liberdade de imprensa.
Um pouco por todo o lado, vamo-nos deparando com situações merecedoras de crítica.
Crítica que cada vez é mais evidente, mas menos assumida publicamente.
Por isso, o texto de Henrique Raposo, na edição de ontem, no semanário Expresso, é uma lufada de ar quente, em noite de Inverno.


Não será que todos nós não conhecemos já este filme de outras paragens e com outros protagonistas?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A tentação do controlo absoluto


O tema está a escaldar...
Muitos têm falado e escrito sobre o tema.Aqui mesmo, já expressei em devido tempo a minha opinião.
Respigo aqui um artigo de Emídio Guerreiro, no jornal "Diário de Coimbra", com a devida vénia.

A tentação do controlo absoluto
Ao longo da recente campanha eleitoral o tema da “asfixia democrática” foi largamente discutido. Introduzido pela Dr. Ferreira Leite o tema arrastou-se ao longo de dias.As opiniões publicadas dividiram-se: uns afirmavam a existência de “asfixia”, outros diziam que não. E lá se foram passando os dias e o assunto haveria de “implodir” na última semana de campanha com a divulgação de uma suposta cabala em redor das escutas (tema este que ainda recentemente voltou à tona).Mas não é a “asfixia democrática” o tema que pretendo partilhar com o leitor. A minha reflexão foi precipitada pelo recente episódio em volta do Jornalista Mário Crespo. Importa aqui relevar o seguinte facto: este é mais um caso entre o nosso Primeiro-ministro e um jornalista. Importa ainda referir que o resultado foi o mesmo, ou seja, o Primeiro-ministro ganhou o braço de ferro. A partir de agora, Mário Crespo não volta a escrever no Jornal de Notícias. De igual modo, antes do arranque da campanha eleitoral, Manuela Moura Guedes deixou de fazer o Jornal Nacional da TVI.Já se percebeu, ao longo dos últimos anos, que o Primeiro-ministro lida mal com as críticas. Mas na minha opinião não se trata apenas de “mau feitio”. Se cruzarmos estes acontecimentos com outros como o episódio “Charrua”, a tentativa de interferência no quadro accionista do Sol, expressões como “malhar” proferidas por um membro do Governo e, ainda, com os relatórios da ERC (entidade reguladora da comunicação social) podemos verificar que estamos perante muito mais que medir o grau de tolerância de um Primeiro-ministro às criticas. Na minha opinião existe uma estratégia de poder quase absoluto em que “quem não está por mim, está contra mim” e deve ser afastado da ribalta! Quem é incómodo para o poder deve ser afastado dos principais palcos. A informação a partilhar com os cidadãos deve ser preferencialmente a que interessa ao poder. A restante informação (critica, não conforme) deve ser evitada, marginalizada e se possível excluída. É uma visão diferente do poder a exercer num estado democrático e com a qual não concordo de todo!Tenho provas disto? Não tenho. Também acho que não tenho de ter pois não sou, nem pretendo ser, polícia ou juiz. Sou apenas um cidadão com opinião e com capacidade interpretativa de acontecimentos e de comportamentos. E graças a este Jornal posso expressá-la de forma livre mas consciente. Afinal não foi para isto que uns Capitães se revoltaram num Abril?

Emídio Guerreiro
in Diário de Coimbra, 3-2-2010

Todos nós conhecemos há muito esta forma de estar e de fazer política.
Pena que só chegados a este ponto para se inquietar a consciência colectiva.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pela Liberdade de Imprensa

Mais uma vez e a propósito.
Um a um, todos os que vão lutando contra esta asfixia "democrática", vão sendo afastados, engolidos na bruma das jogadas de bastidores.

Mário Crespo revela conversa de José Sócrates

Eis a última tentativa de calar, na comunicação social, quem ousa criticar o Governo e o seu chefe.
Não há palavras para comentar...
Nem pachorra para aturar estes comportamentos.
Quem mete estes senhores na linha?

Mário Crespo revela conversa de José Sócrates que o aponta como "mais um problema a resolver" - Media - PUBLICO.PT

(Este texto parece ter sido censurado no JN, já que Mário Crespo não aparece hoje como colunista semanal.)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Antagonismos...

Hoje passei por duas situações que são antagónicas.
De manhã, participei na apresentação pública da Avaliação Externa do Agrupamento de Escolas do Arco.
Isto é, transpor para a opinião pública aquilo que será efectuado em termos de avaliação daquele Agrupamento de Escolas, procurando envolver assim a comunidade.
É um acto de abertura, de transparência, de participação.
É o corolário de uma política de intervenção cívica, de respeito pelos diferentes agentes locais.
É uma ocasião de partilha de opiniões e de liberdade de expressão.
É levar à prática a democracia e a liberdade.
De tarde, estive no Tribunal de Cabeceiras de Basto, enquanto testemunha, num processo movido contra um cidadão cabeceirense, o conhecido Prof. Alexandre Vaz.
A comunidade cabeceirense conhece bem o Prof. Alexandre Vaz. Um Homem das Letras, um Homem da Cultura Cabeceirense, um Homem inconformado com as realidades do nosso concelho, hoje como ontem.
O motivo de tal processo, um artigo de opinião, publicado no jornal "O Basto", onde era feita uma análise crítica à sociedade cabeceirense.
Qual o crime então?
Pelos vistos, apenas, o direito à própria opinião, o direito ao livre pensamento, o direito à livre expressão.
Grave mesmo, a discordância quanto ao estado do concelho.
Enfim, duas posturas antagónicas de encarar a vida pública, que a todos diz respeito.
Enquanto a "escola" promove a participação, a cooperação, o sentido crítico, a análise e a reflexão, na política prevalece o poder (seja ele qual for), o conformismo, o seguidismo.
Espero que do exemplo das "escolas" frutifiquem posturas de liberdade, de democracia, de livre expressão, de participação cívica, de humanismo.
Já é tempo de se viver em paz!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Parabéns ADBASTO!

A ADBASTO comemorou hoje o seu sexto aniversário.
Esta modesta mas interventiva associação tem-se constituído como o último bastião da liberdade de imprensa regional do concelho, através do jornal "O Basto".
Goste-se ou não do estilo, goste-se ou não da forma, goste-se ou não dos protagonistas, temos de reconhecer que, ao longo dos últimos seis anos, foi a ADBASTO e o seu jornal "O Basto" a janela que permitiu o arejamento da comunicação e do debate em Cabeceiras de Basto.
Só por isso o seu mérito é incalculável.
Espera-se é que continue no futuro com idêntica abertura e empenho.
A liberdade e a democracia muito lhe ficam a dever...

domingo, 29 de novembro de 2009

Interculturalidade

Não me creio no lote dos racistas ou dos xenófobos. 
No entanto, também não sou daqueles que aceitam uma convivência sem regras, sem princípios e em subalternidade.
Todos os países e todos os povos têm o dever de acolhimento e de solidariedade.
Não ignoro, nem esqueço, quanto os nossos emigrantes passaram ou foram ajudados noutras paragens por onde andaram à procura daquilo que a sua própria pátria lhes negou.
Porém, todos aqueles que procuram apoio, trabalho, melhores condições de vida noutras paragens têm direito a ver respeitados os seus valores, as suas tradições, as suas formas de vida.
Penso, contudo, que não têm o direito de pôr em causa os valores, as tradições e as formas de vida de quantos os acolhem.
Vem tudo isto a propósito de uma mensagem do primeiro-ministro australiano à comunidade muçulmana naquele país e que aqui reproduzo a parte final.
"Este é o nosso país, a nossa terra, e o nosso estilo de vida. E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade autraliana: O DIREITO de PARTIR. Se não são felizes aqui, então PARTAM. Não vos forçamos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou."
Hoje, um pouco por toda a Europa e por outras paragens do mundo, existem graves conflitos entre as comunidades residentes de origens diversificadas, normalmente centradas nas questões religiosas e culturais.
Com o aumento do número das comunidades migrantes, transformam-se sociedades pacíficas em palcos de elevada conflitualidade.
É um fenómeno que não é novo, que todos reconhecem como problemático, mas para o qual as sociedades não têm encontrado as melhores soluções.
Se não houver uma maior acutilância sobre estas questões, estaremos a fabricar uma bomba explosiva de dimensões incalculáveis.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Liberdade de Imprensa

Um País só é livre quando a comunicação social tem liberdade de expressão.
Não há democracia onde não impera a liberdade de expressão.
No entanto, todos os poderes têm por princípio limitar e / ou condicionar essa liberdade.
O que se passou entre o primeiro-ministro e a TVI, o Público, o Sol e outros órgãos de comunicação vem demonstrar ao nível em que descemos na garantia das liberdades e direitos.
Nem se percebe porque os mais altos dignitários do País ainda não tomaram as decisões que se exigem, perante tão graves e tão numerosos casos de situações abusivas.
Mas o que se passa ao mais alto nível do poder em Portugal, vai-se também replicando um pouco por todos os concelhos, entre os poderes instalados e os jornais e as rádios locais e regionais.
aqui referi, há algum tempo, a situação que se vive com a designada Rádio Voz de Basto.
Como um dos fundadores e seu primeiro director de programas muito lamento o estado a que chegou.
Deixou de ser um bastião da realidade social, política, económica de Cabeceiras de Basto e da região de Basto.
Outros valores e interesses se sobrepuseram e condicionam a sua liberdade de actuação.
Pergunto:
Onde está o debate de opiniões? Opiniões sociais, de desenvolvimento, de projectos...
Onde está a informação sobre as associações,  clubes e  demais instituições locais?
Onde está o direito ao contraditório?
Onde está a isenção, o pluralismo, o respeito pelos direitos a informar e a ser informado?
Não estará na altura de lhe mudar o nome, para o adequar à nova realidade?
Enfim, este país está a ficar cada vez mais condicionado, mais limitado, menos livre e menos democrático.
Isto 35 anos após a revolução da Liberdade!

domingo, 6 de setembro de 2009

Liberdade de imprensa


Está visto que a campanha eleitoral vai ter mais um caso para fazer distrair as atenções do que é mais importante.
Creio que era de todo o interesse para o país e para os portugueses que, na campanha eleitoral para as legislativas, se discutisse em profundidade as questões da economia.
Vivemos muito acima das nossas possibilidades. Gastamos o que temos, o que não temos e hipotecamos os nossos netos.
Fazia todo o sentido que se desse a conhecer aos portugueses os contornos desta realidade, para que se escolhessem os caminhos mais adequados.
Mas não.
Teima-se em questões laterais, questões menores.
Claro que algumas dessas questões têm um profundo significado e alcance.
Pôr em causa a liberdade de imprensa é pôr em causa a liberdade, valor essencial da nossa Constituição, valor supremo da democracia, pedra angular do "25 de Abril".
É o que se passou na TVI.
Ninguém está à espera que o PS e José Sócrates venham a reconhecer que fizeram pressões junto da PRISA. Bem como esta o venha a confirmar.
Mas que uns e outros já deram muitos sinais disso é inequívoco.
Como dizia Jerónimo de Sousa, 'à mulher de César não basta ser séria, é preciso também que o pareça'.
E em política o que parece é.
Assim sendo, o PS e Sócrates bem podem negar, bem podem dizer que não há provas, bem podem fazer-se de vítimas, mas verdadeiramente são os carrascos da liberdade de imprensa e da democracia.

sábado, 6 de junho de 2009

Liberdade de imprensa

Iniciei este blogue, decorrendo da minha participação no jornal "O Basto", com uma rubrica com o mesmo nome.
Desde os quinze anos que estou ligado aos jornais. Mais tarde tive também uma participação numa rádio local.
Sempre entendi o fenómeno da imprensa / comunicação social como um espaço de participação cívica, de reflexão sobre a nossa sociedade.
Considerando que quando tinha quinze anos ainda vivíamos no antes do "25 de Abril", sei bem a diferença de tratamento e o controlo que então existia.
Com a revolução, cantei a liberdade e a democracia.
Hoje, trinta e cinco anos depois, preocupa-me o estado a que a liberdade de pensamento e de expressão chegaram.
Os jornais, as rádios e as televisões sentem profundas pressões para que apenas o discurso oficial do poder passe.
Por diferentes meios, económicos, comerciais, jogos de interesses, condicionam jornalistas, opinadores, bem como as chefias de redacção e as administrações. 
É assim nos grandes grupos, tal como o é, de certeza ainda de forma mais vincada, nos pequenos órgãos de comunicação social.
Vem tudo isto a propósito da minha participação hoje num almoço de apoio ao jornal "O Basto", que está a sofrer ataques impróprios num estado livre e democrático.
Mas é o preço de uma voz que se quer livre e independente.
Para seguir a voz do poder já temos outros meios de comunicação social.
Continuemos na luta pela liberdade de imprensa!