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domingo, 18 de julho de 2010

Sentido crítico


A nossa cultura actual leva-nos cada vez mais a consumir, seja o que for, sem o devido sentido crítico.
Entra-se num supermercado e somos levados a comprar os mais diferentes produtos, mesmo que eles não nos façam qualquer falta.
Passamos horas a fio ligados à TV, sem reconhecer que o aparelho tem um botão que liga e desliga. Não nos questionamos com o teor do que vemos, do que ouvimos...
A juventude curte a net e os telemóveis, onde depauperam o seu tempo a jogar os jogos mais idiotas ou em infindáveis troca de sms, sem acautelarem a sua sanidade intelectual.
A nossa sociedade de consumo exacerbado, consumiu-nos em primeira linha o sentido crítico.
Na escola, desde os primeiros anos, os professores têm como objectivo desenvolver o sentido crítico, mas a escola da vida rapidamente o destrói.
Mas para quem tem algum sentido crítico, reconhece as tristes figuras que vemos ou ouvimos nos órgãos de comunicação social quando questionados sobre os mais diferentes assuntos.
Ora, quando leio algumas notícias sobre a nossa terra, também fico aterrado.
É que quem conhece o que se passa, quem conhece os antecedentes, os percursos, como entender certas afirmações, como compreender certas mensagens que se querem fazer passar?
Só com sentido crítico se pode saber ler, ouvir e ver o que nos rodeia.

sábado, 17 de julho de 2010

A Obesidade Mental - Andrew Oitke


O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity»,
que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais
em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o
conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema
da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos
do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação
e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de
preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que
de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos
tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas
e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas
e realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as
revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se
comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a
dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados,
videojogos e telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina,
romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam
depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os
Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de
reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das
realizações humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e
manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade
fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para
que é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a
cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil,
paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»

Por João César das Neves - 26 de Fev 2010

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A caça ao voto


José Sócrates visitou hoje dois municípios socialistas para dar e receber apoio político, tendo em vista as eleições legislativas e autárquicas que se avizinham.
Um dos concelhos visitados foi o de Cabeceiras de Basto, a propósito das obras de requalificação da EB 2 e 3 de Refojos e a construção do novo Centro Educativo, agora denominado, e bem, Dr. Joaquim Santos.
É óbvio que as obras em curso são importantes e necessárias.
Contudo, seria interessante ter sido perguntado ao Sr. Primeiro-Ministro e à sua Ministra da Educação para que serviu a Carta Educativa aprovada pela autarquia e homologada pelo Ministério da Educação.
É que todo o plano de obras em curso não é aquele que foi estudado, amplamente debatido e por fim aprovado nos diferentes órgãos da autarquia e posteriormente homologado pelo ME, numa versão já diferente daquela que saiu da Assembleia Municipal.
À altura, aqueles que questionaram o projecto aprovado foram duramente criticados, mas pelos vistos tinham razão.
Não era aquele o plano a executar.
Mais uma vez, os planos em Cabeceiras servem apenas para consumir papel e dinheiro.
No fim, faz-se campanha eleitoral com qualquer coisa.
Pena é que a comunicação social embandeire com o marketing político e se esqueça da sua função de questionar, de estudar os documentos e confrontar os diferentes poderes com as suas actuações e os seus discursos.
Para a história ficará uma visita, quase clandestina, porque não divulgada, nem para a qual foram feitos prévios convites, ao contrário do que acontece para múltiplas outras iniciativas de muito menor relevo.
Foi de qualquer dos modos uma oportunidade para aparecer nas televisões, o que sempre fica bem em plena campanha eleitoral.
Mas, os eleitores já estão prevenidos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Resultado dos exames


Foram anunciados ontem os resultados dos exames.
Muitos alunos queixam-se das dificuldades das provas. Outros das notas "injustas" que os professores lhes deram.
Os professores lamentam a falta de estudo dos seus alunos ou congratulam-se com os bons resultados daqueles que se esforçaram ao longo do ano.
E qual é a avaliação que faz o Ministério da Educação?
Na sua tradicional linha de actuação, jamais passível de adjectivação, o ME culpa a comunicação social pelos resultados dos exames, que este ano foram piores do que no ano anterior.
Nunca ninguém se tinha lembrado deste argumento.
Descobrimos agora como a comunicação social andou, anos a fio, a prejudicar a educação dos nossos jovens, que sucessivamente vinham acumulando resultados menos positivos.
Depois veio o oásis do ano passado, fruto do trabalho do ME, da sr.ª Ministra e dos seus acólitos.
Agora, voltamos ao mesmo...