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terça-feira, 4 de maio de 2010

Os nossos idosos


Muitos de nós conhecemos uma lenda, a Lenda das Campas, que se conta pelos nossos lados.
Nela se conta a história de abandono dos idosos e doentes.
Vi hoje este vídeo brasileiro, que mais não é do que a referida lenda. Só que neste caso, trata-se de uma campanha de incentivo, de várias entidades, para proteger os idosos.
É bom ver e reflectir.


Era bom que por cá também houvesse destas campanhas.
Era crucial que as ditas IPSS de facto tivessem os idosos como objecto central dos seus programas.
Hoje confrontamo-nos com uma população envelhecida, abandonada no seu canto, muitos deles isolados, sem que possam trocar uma palavra com quem quer que seja.
No início do sec. XXI, este abandono é incompreensível.
É urgente mudar este estado de coisas.
Antes que sejamos nós os idosos...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Guetos

Numa reunião em que participava, recentemente, discutia-se a necessidade de apoio social para os professores aposentados. Reflectia-se sobre a construção de lares e a criação de apoios domiciliários.

Um dos colegas participantes comparou a nossa cultura ocidental dos lares aos guetos soviéticos.

Durante a revolução russa, de facto, criou-se uma nova organização social, destinada a receber e afastar da sociedade “revolucionária”, de então, todos quantos não a pudessem servir: os velhos, os deficientes e mais tarde todos quantos não partilhassem os seus ideais.

Na nossa cultura popular, transmitida pela lenda do monte das Campas, também nós, por cá, abandonávamos os nossos “velhos” algures no monte para que longe da vista pudessem morrer sem grandes encargos para os seus.

Numa sociedade que se quis mais humanizada e cristã, a Igreja ao longo dos séculos criou instituições de solidariedade que deram o apoio possível, já que só a instituição família poderá dar o afecto e a integração plena.

As Santas Casas da Misericórdia constituíram-se assim como a maior, a melhor e a mais eficaz rede de prestação de serviços sociais existentes no país.

Nos centros de todas as vilas e cidades, e quantas vezes em muitas freguesias do interior, criaram unidades de vanguarda de apoio social.

No entanto, nos tempos mais recentes, começaram a surgir, um pouco por todo o lado, organizações designadas por IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social, das quais se desconhece qualquer acção ou espírito de solidariedade social, mas apenas formalmente constituídas para acederem à prestação de serviços e obterem elas mesmas os apoios que o Estado concede.

Depois, tal como na lenda, constroem guetos, algures no meio do monte, para que os “velhos” fiquem longe do olhar. Como me dizia um outro amigo, para que “não cheirem mal à nossa beira”.

Porém, aquilo que estamos agora a fazer será, por certo, aquilo a que teremos direito no futuro próximo. É a manta que o filho dava ao “velho” na lenda das Campas.

Será isto que nós queremos para cada um de nós?