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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Lembrar Manuela Ferreira Leite


Manuela Ferreira Leite tinha razão: o endividamento era o nosso maior problema. A ex-presidente do PSD apontou para a realidade. E, na resposta, o que fez o país? Disse, com desprezo, "por amor de deus!", como José Sócrates.

I. É bom ter memória. Há um ano, Ferreira Leite e José Sócrates enfrentaram-se num debate televisivo, o mais importante das eleições legislativas. Na altura, eu disse que Ferreira Leite saiu vencedora desse embate. "Ah, estás louco?", foi a reacção de boa parte das pessoas. "Então não vês que ele é melhor na TV?!". Pois, de facto, Sócrates é mais fotogénico do que Ferreira Leite. Mas há um problema grandote nessa abordagem: a Política não é a Chuva de Estrelas. Para mal dos pecados de propagandistas como Sócrates, a política tem de lidar com a realidade a não com a realidade virtual do power point. Enquanto Ferreira Leite falou da realidade, José Sócrates criou a sua realidade paralela, onde o TGV era imprescindível e onde o endividamento não era um problema. Lembram-se do que dizia José Sócrates quando Ferreira Leite levantava o problema do endividamento? Eu ajudo: o primeiro-ministro punha um ar de desprezo e dizia "por amor de deus", ou "basta de bota-abaixismo". Na altura, escrevi isto:

Vasco Pulido Valente afirmou que este foi um embate "entre um propagandista (aliás, bom) e uma pessoa séria". Eu diria que foi um embate entre um político que nunca sai do power point virtual (Sócrates) e um político que nunca sai da realidade (Ferreira Leite). Sócrates desprezou, por completo, o problema do endividamento. Como é que o PM pode desprezar o facto mais marcante da economia portuguesa?

Um ano depois, não mudo uma linha. Mais: desde Novembro (dois meses depois das eleições), o país vive ensombrado pela dívida e pela incapacidade do PS em lidar com esse problema.

II. Ferreira Leite tinha razão, mas o país não quis saber. Preferiu ir na cantiga do propagandista. Sim, Ferreira Leite nunca percebeu que, em democracia, não basta ter razão. É preciso criar um discurso que entreno ouvido das pessoas. Sem dúvida, que Ferreira Leite falhou nisto. Mas também não se pode esquecer a forma como a elite (jornalistas e comentadores) trataram Ferreira Leite. A "velhota" era sempre gozada. Eu até percebo que o "povo" vá na cantiga irrealista de José Sócrates. Mas já não percebo a forma como a elite se comportou. Não percebo. Este elite (jornalistas e comentadores) deve vigiar o poder, deve comparar odiscurso com a realidade. Ora, Ferreira Leite tinha razão, os factos deram-lhe razão, e, mesmo assim, a ex-Presidente do PSD continua a ser "gozada" pela elite. O que isto nos diz sobre a nossa cultura política?

III. Setembro de 2010 está a meter todo o peso da realidade nos argumentos de Ferreira Leite. Aqueles que, em Setembro de 2009, apenas gozavam com Ferreira Leite deviam pensar naquilo que andam a fazer. Política não é a Chuva de Estrelas.

Henrique Raposo, A tempo e a Desmodo, Expresso, 21/09/2010


domingo, 20 de setembro de 2009

Razões para votar PSD 3



José Sócrates ao longo de quatro anos e meio foi aquilo que os comentadores afirmavam ser um animal (político) feroz.
Desancava nos professores, nos médicos, nos juízes, nos funcionários públicos, nos jornalistas, nas oposições, enfim em tudo quanto era instituições e classes profissionais.
Descobriu na noite das eleições para o Parlamento Europeu que afinal se tinha equivocado e que tinha posto em causa a renovação do seu mandato.
Daí, com o apoio dos seus assessores de imagem, virou "mosca morta", conforme foi apelidado, e passou a ser delicado, compreensivo, atencioso, moderado no tom de voz, deixou de gesticular, enfim mudou de personagem.
Assim, ou estamos perante um caso psiquiátrico de dupla personalidade ou apenas se nos apresenta uma nova versão cosmética da mesma pessoa.
Em ambos os casos, situações que não recomendam a sua eleição para primeiro-ministro.
Por outro lado, Manuela Ferreira Leite tem cara de poucos amigos, não fala bem, tem opiniões; às vezes pouco consensuais, mas é ela mesmo.
Tem personalidade, assume-se tal como é, diz o que pensa, sem cuidar de saber se é o que eleitoralmente mais interessa afirmar.
Sócrates é o produto da imagem fabricada, do oportunismo, do "camaleão" que se adapta, desde que isso sirva os seus interesses e os do seu partido.
Manuela Ferreira Leite é o rosto de uma pessoa séria, profissional, responsável, que está para servir, do modo que entende que é o melhor para Portugal.
Entre estas duas alternativas, como não escolher a segunda?
O que está em causa é o futuro de Portugal, o futuro dos nossos filhos.
Não é a manutenção de um primeiro-ministro que ao fim do seu mandato, de poder absoluto, entende que errou, mas que nada corrige e ainda apresenta, para o futuro, a continuidade da mesma política.
Não é a hegemonia do PS, só pelos interesses que isso representa.
É altura de escolher a pensar no futuro.
Sócrates é já passado, mesmo que eventualmente ainda fique mais algum tempo no governo.
Por isso, entendo que há fortes razões para votar PSD, no próximo domingo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Razões para votar PSD 1

Com a campanha eleitoral em marcha, as posições individuais são assumidas.
Como já sabem sou militante do PSD.
No entanto votar, nesta ocasião, em Manuela Ferreira Leite não é apenas o mero voto militante.
Há várias razões, que enumerarei ao longo dos próximos dias.
Hoje apresento a primeira: a credibilidade.
Como podemos querer para primeiro-ministro uma pessoa que é reconhecida por todos, indistintamente da origem partidária, como mentirosa?
Atributo que lhe adveio do facto de ter feito exactamente o contrário de tudo aquilo que prometeu há quatro anos. Prometeu emprego, deu desemprego, prometeu não subir os impostos, fez o contrário e até criou novas taxas, prometeu melhor educação e criou a maior guerra de que há memória nas escolas.
Como podemos aceitar eleger quem está debaixo de fogo em múltiplas situações não cabalmente esclarecidas (Feeport, Cova da Beira, projectos na Câmara da Covilhã, percurso académico, caso TVI).
Ora, entre Sócrates e Ferreira Leite não há comparação possível neste domínio.
Ela tem um percurso académico, profissional, político de uma muito maior credibilidade.
Todos nós podemos ter melhor ou pior impressão pessoal e política dela. Já teve, enquanto ministra, várias medidas que não foram bem aceites, mas em nenhuma delas esteve em causa a credibilidade pessoal ou política.
Assim sendo, fica a ganhar neste domínio. Por isso merece o meu voto e o meu apoio público.

sábado, 12 de setembro de 2009

Sócrates vs Manuela



Enfim, hoje foi o grande debate.
Pela primeira vez, Sócrates confrontou e foi confrontado com Manuela Ferreira Leite.
Havia grande expectativa sobre a capacidade de resposta de MFL, já que todos nós conhecemos a capacidade argumentativa de José Sócrates.
O debate acabou por ser vivo, interessante e muito taco-a-taco.
Cada um dos intervenientes defendeu aguerridamente as suas posições e propostas, trocando, de vez em quando, alguns ataques.
MFL foi, como sempre tem sido, fiel a si própria. Defendeu o que entende melhor, sem rodeios e de forma clara.
Sócrates enumerou, como é hábito, o rol das suas medidas realizadas e procurou desvalorizar a adversária através das possíveis contradições dela entre o passado e o presente.
No fim, ambos estavam satisfeitos.
Ambos tinham cumprido o seu papel, para satisfazer os seus eleitorados.
Falta saber como o eleitorado indeciso acolhe estas prestações.
Um primeiro resultado, deu-nos a SIC a partir de uma votação telefónica, na qual participaram cerca de trinta mil telespectadores, em que 53% deram a vitória a MFL.
As sondagens dão um empate técnico.
Dia 27, teremos o resultado.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Portas marca Manuela

O debate de hoje ficou marcado pelo cerco que Paulo Portas fez a Manuela Ferreira Leite.
Sabendo-se que esta não tem verbo fácil, Portas esteve todo o debate em forte intervenção.
As questões mais mediáticas e populistas foram repetidas vezes sem conta: segurança, desemprego, rendimento social de inserção, apoios sociais, ...
Manuela F. Leite desafiou-o a apresentar as contas das medidas enunciadas e de onde saía o dinheiro para as pagar. Por outro lado, assegurou que não promete o que não sabe que pode fazer, mas garante que não sobe os impostos, que cessa o pagamento por conta e desce o IRC.
Quando entrou no capítulo do défice democrático, desvalorizou a questão.
No entanto, neste debate, Paulo Portas esteve mais incisivo e teve uma prestação mais viva, o que lhe confere vantagem.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ferreira Leite vs Jerónimo de Sousa

Hoje não pude ver o debate.
Por isso, não posso fazer o habitual comentário.
Se entretanto o conseguir ver, talvez faça ainda um post.

Défice democrático

O dia de ontem ficou marcado pelos comentários sobre a visita de Ferreira Leite à Madeira, de Alberto João Jardim.
Não quero ser acusado de só criticar o PS.
É óbvio que não me revejo em muitas das atitudes de AJJ.
Bem sei que tem comportamentos pessoais e políticos reprováveis.
No entanto, há duas coisas que lhe dão crédito:
1- Sendo o mais antigo dirigente político em exercício de funções, nunca foi acusado de exercer o poder em benefício próprio. Coisa que muitos dos dirigentes continentais não podem aduzir.
2- A Madeira pode consumir um orçamento recheado, mas as obras, os benefícios para as populações, a qualidade de vida no arquipélago, estão muito acima daquilo a que estamos habituados pelos nossos lados. Não é por acaso que a esmagadora maioria dos madeirenses apoia AJJ. As verbas são gastas em obras, não em negociatas.
Claro que estes argumentos não são válidos só por si.
A necessidade de cumprir as leis e respeitar as regras democráticas estão para além dos votos.
Mas em política é assim um pouco por todo o lado.
Sócrates não visita outros locais (concelhos ou países) onde há também acusações de défice democrático?
E nesses casos também não fica calado ou até fica satisfeito pelo apoio recebido?
Ou como entender que Jaime Gama, insuspeito socialista, tenha visitado a Madeira, enquanto Presidente da Assembleia da República, e não tenha poupado elogios a AJJ?
Reconheço que todo o poder procura exercer um controlo excessivo.
Nesses casos poder-se-á afirmar que há défice democrático.
Na Madeira, como em qualquer outro local.

domingo, 6 de setembro de 2009

Ferreira Leite vs Francisco Louçã

Manuela Ferreira Leite superou as previsões e ganhou o seu primeiro debate, com Francisco Louçã.
É óbvio que houve uma demarcação ideológica evidente, mas Ferreira Leite esteve mais perto da realidade das pessoas.
Louçã repete à exaustão os sloganes do BE, sem que consiga apresentar uma proposta que seja para resolver os problemas com que se confronta o país e os portugueses.
Não é por falar muito dos mais desgraçadinhos que estes vêem melhorada a sua situação.
Mais saúde, mais emprego, apoio às PME foram pontos fortes da mensagem de Ferreira Leite.
E assim continuam os debates desta campanha eleitoral para as legislativas.

domingo, 9 de agosto de 2009

Em quem poderemos afinal confiar?

"Os socialistas não recebem lições?", questionava José António Lima, na sua crónica 'Dito & Feito', da edição desta semana do semanário Sol, para concluir que "deve ser por isso que não aprendem nada. E que não percebem que o país e a predisposição política do eleitorado mudaram muito nestes últimos doze meses: os portugueses fartaram-se da arrogância maioritária e a falta de resultados desta governação".
Por outro lado, o director José António Saraiva, na sua rubrica 'Política a sério', refere "mas neste momento Sócrates enfrenta - é inútil ignorá-lo - um problema de credibilidade. É que com ele e o seu Governo, as trapalhadas repetem-se."... "É muita coisa junta. São trapalhadas atrás de trapalhadas, São muitas afirmações cuja veracidade se questiona."... "Mas não se confia totalmente naquilo que diz. Pior: o ar convicto com que faz certas afirmações ou certos desmentidos já soa a falso. Ora quando o país não sabe se deve acreditar no que o primeiro-ministro diz, cria-se um clima de desconfiança generalizada. Que atinge tudo e todos - e afecta a credibilidade do sistema."

É este o clima que se vive em Portugal, após quatro anos e meio depois de o PS governar com maioria absoluta e total apoio institucional do Presidente da República. Situação que se vive pela primeira vez na história da nossa democracia, quando os dois órgãos de soberania são oriundos de forças políticas diferentes.
Por um lado não há resultados que sirvam os portugueses e a governação ou os seus representantes envolvem-se em sucessivas trapalhadas.
Como se sentirá o ex-Presidente da República Jorge Sampaio quando recordar a demissão de Santana Lopes, baseada exactamente na ocorrência de trapalhadas?
Mas o que é essencial é a questão com que Saraiva termina o seu artigo: "Em quem poderemos afinal confiar?"
Cabe-nos escolher a solução no quadro eleitoral de 27 de Setembro.
Voltar a escolher José Sócrates (se bem que sem maioria absoluta), ou dar uma oportunidade a Ferreira Leite? Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa ou Paulo Portas serão sempre opções minoritárias que só poderão contribuir (ou não) para uma solução estável num quadro de compromisso pós-eleitoral.
Pela minha parte, sei em quem confiar, obviamente!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O País não cresce enquanto o Estado fizer tudo


As questões económicas estão a dominar a actualidade.
Já publiquei os dois últimos post sobre o tema.
Ontem, o debate entre António Costa e Santana Lopes, candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, foi centrado nas questões das contas da autarquia.
Também anteontem, o Ministro das Finanças deu uma entrevista onde abordou a situação económica e financeira, declarando que iria aumentar os impostos após as eleições. (Leitura clara da sua afirmação de que iria retirar as bonificações dos impostos aos mais ricos, já que os mais pobres, que eu saiba não pagam impostos.)
Hoje, foi a vez de Manuela Ferreira Leite se pronunciar, no debate promovido pelo Diário Económico.
Chamou a atenção para o desperdício e para a necessidade de repensar as grandes obras (TGV, aeroporto), considerando que estes investimentos são factores de empobrecimento.
Considerou também que o País não cresce enquanto o Estado fizer tudo, criticando assim o controlo do investimento e da actividade económica pelo Estado.
Estas políticas centralistas e controleiras do Governo de José Sócrates têm vindo a revelar-se antagónicas aos interesses do País e dos portugueses.
Políticas idênticas têm tido resultados semelhantes ao nível de muitos municípios, acumulando-se as dívidas, exigindo cada vez mais aos contribuintes/utentes, asfixiando os mercados locais, contribuindo para o desemprego, a emigração, a perda de riqueza.
Temos de ter bem presente esta dura realidade.
Ouvir falar verdade é, muitas vezes, difícil.
Mais difícil é ainda aplicar as medidas que se exigem nestes casos.
Mas de nada vale continuar a enterrar a cabeça na areia, como se costuma dizer.