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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mudar de atitude


Os últimos tempos têm sido difíceis e sinceramente não é clara a forma como se pode resolver os problemas a curto prazo.
Seria leviano afirmar que estamos a avistar o oásis, mas temos de pensar positivo.
Os momentos de crise constituem-se como janelas de oportunidades. Há sempre novos desafios, novas ideias, novas necessidades, são ocasião de mudança.
E a mudança permite evoluir, leva à inovação, promove a depuração de erros e agita a acomodação.
Perante este cenário de crise, exige-se responsabilidade, rigor, seriedade.
Porém, temos assistido à desculpabilização, à demagogia e ao incentivo ao facilitismo.
Só que esse não é, nem nunca será, o caminho.
Por aí voltaremos ao passado que nos arruinou. E temos de ser claros, a situação que vivemos não é de hoje, da responsabilidade deste Governo.
Estamos tão só a pagar a factura de quem gastou sem olhar a quem e quando iria pagar.
Como me dizia alguém, com responsabilidades nesses tempos, “o povo queria coisas e nós demos-lhas, ele bem sabia que algum dia havia de as pagar”.
E é isso que hoje acontece. Paga-se a factura, mas agravada com juros exorbitantes. Estes são hoje o quarto “ministério”, isto é os juros consomem a quarta maior fatia do orçamento.
Mas mesmo assim, tem havido a procura de justiça social. As pensões mais baixas serão aumentadas. Mantêm-se a generalidade dos benefícios sociais para os mais desfavorecidos.
É a classe média, é a generalidade dos trabalhadores por conta de outrem que é a mais sacrificada. Naturalmente, cada vez mais insatisfeitos e revoltados os portugueses.
Porém, onde estão alternativas para fazer face a seis mil milhões de euros de juros por ano?
Muito se fala, muito se critica, muito se injuria, mas as propostas não aparecem e os paliativos que recomendam não servem para coisa nenhuma.
Urge mudar de atitude.
Pensar que seremos capazes de vencer a crise, que esse desafio passa pelo trabalho, pela produtividade, pelo rigor, pelo empenhamento pessoal e colectivo.
Quando invetivamos os países ricos que nos apoiam, esquecemos que os seus povos estão a trabalhar para criar riqueza nas suas nações. Pelos vistos, para eles próprios e para acudir aos outros.
Os portugueses darão a volta à situação, tal como o fizeram ao longo da sua quase milenar História, com uma mudança de atitude, com coragem e com determinação.
Por Portugal e por todos nós!

Aproxima-se o Natal e este deve ser o último texto antes das festividades, pelo que não quero deixar de expressar a todos os leitores os meus votos de Santas Festas e desejar um Ano Novo melhor para todos.

Texto para a edição de Novembro de "O Basto"

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Reflexão sobre Portugal


"Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá
que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e
consequentes convulsões sociais.
Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem-se sobretudo à má      
aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o  esforço de adesão e      
adaptação às exigências da união.
Foi o país onde mais a CE investiu "per capita"  e o que menos proveito
retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na
qualidade da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades
primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.
Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de
futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas,
fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a
empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício,  pagamento a
agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem
as embarcações,  apoios estrategicamente endereçados a elementos ou  a
próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes
superiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça,
frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no
que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes
negócios, desenvolvendo, em contrário,  uma atenção especialmente
persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre.A política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos
penetram, já que os  partidos cada vez mais desacreditados, funcionam
essencialmente como agências de emprego que admitem os mais
corruptos e incapazes,  permitindo que com as alterações governativas
permaneçam,  transformando-se num enorme peso bruto e parasitário.
Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores,
assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas
dispendiosas e caducas, tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso
nos problemas do país.
Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica,
entre o PS (Partido Socialista) e o PSD (Partido Social Democrata), de
direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder,
que tem um suporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado.
Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas
com telhados de vidro e linguagem pública, diametralmente oposta ao que os
seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade.
À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior,
mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações
ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a
população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. Mais à
esquerda, o PC (Partido comunista) menosprezado pela comunicação
social, que o coloca sempre como um perigo latente  e uma extensão
inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das
realidades actuais.
Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a
democracia pré-fabricada não encontra novos instrumentos.
Contudo, na génese deste beco sem aparente saída, está a  impreparação,
ou melhor, a ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse
fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no
secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação. Ora e aqui está o
grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são
na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à      
industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas de vários
países.
Ora, é bem de  ver que com este caldo, não se pode  cozinhar uma
alimentação saudável, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda.
Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre
ricos e pobres.
A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e TV oficiais, está dominada
por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos
sociais-democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e
calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos
gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita
exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são
condicionados pelos problemas já descritos e ainda  pelos contratos a
prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento
dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr
em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória.
Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por
isso, "non gratas" pelo establishment, onde possam  dar luz a novas
ideias e à realidade do seu país,  envolto no conveniente manto diáfano
que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas
recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática
da apregoada democracia.
Só uma  comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a
fugir da banca, o cancro  endémico de que padece, a exigir uma justiça mais
célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar
consciência e lucidez sobre os seus desígnios.

Um artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, professor na       
Universidade de Estrasburgo

domingo, 23 de outubro de 2011

Mentira ou verdade?

Habituámo-nos ao comentário jocoso de que Sócrates era um mentiroso compulsivo.
Tudo quanto dizia, vinha-se a confirmar que nada tinha de verdade.
Chamavam-lhe até o "Pinóquio", comparando-o ao célebre boneco de madeira a quem crescia o nariz por cada mentira que dizia.
Se assim fosse, Sócrates não caberia em nenhum dos salões do poder por onde andou.
Agora, que mudámos de Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho passou também a ser apodado de mentiroso. Na campanha eleitoral disse uma coisa, agora no poder faz exatamente o contrário do que dizia. 
Mentiroso, portanto.
Chegados aqui, fatos assumidos, será que estamos perante a mesma atitude?
Será que de fato estamos perante iguais circunstâncias de mentira?
Analisemos, pois.
Sócrates fugia à verdade para esconder a realidade. Mentia para se manter no poder. Mentia para enganar os portugueses. Mentiu até ao último momento do seu mandato, escondendo a real e avassaladora situação económica e financeira de Portugal.
Sócrates sabia que não dizia a verdade. Sabia também que ao fazê-lo estava a criar um enorme problema para o País e para os Portugueses.
Passos Coelho assumiu um compromisso de verdade. Assumiu a responsabilidade de tirar Portugal do buraco em que Sócrates o deixou.
Para isso, tem de fazer o contrário de muito do que prometeu. Tem de faltar às suas promessas. Isto é, diz a verdade, mas não pode cumprir, para já, parte do que prometeu.
Não se trata assim de ser mentiroso, mas tão somente responsável.
Já se imaginaria o resultado, se face à situação calamitosa que encontrou, resolvesse aplicar as medidas que prometeu, só para que não o pudessem chamar de mentiroso e nos continuasse a empurrar para o abismo?
Passos Coelho poderia nesse caso ser correto com a sua palavra, mas irresponsável perante o país e os portugueses.
Em Portugal, temos de nos assumir pelos atos e não apenas pelas palavras. 
Temos de atender mais aos resultados do que aos percursos.
Temos de validar a verdade dos fatos.
Não se pode comparar a "mentira" de Sócrates, com a "quebra de compromissos" de Coelho.
São níveis de responsabilidade e de rigor diametralmente opostos.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

Mas que grande confusão...

O que disseram três banqueiros   portugueses:
 Fernando Ulrich (BPI) (Banco Português de Investimento)
29 Outubro 2010 - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de credibilidade"
26 Janeiro 2011 - "Portugal não precisa do FMI"
31 Março 2011 - "... por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao FMI?"

Santos Ferreira (BCP) (Banco Comercial Português)
12 Janeiro 2011 - "Portugal deve evitar o FMI"
2 Fevereiro 2011 - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI"
4 Abril 2011 - "Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já"

Ricardo Salgado (BES) (Banco Espírito Santo)
25 Janeiro 2011 - "... não recomendo o FMI para Portugal"
29 Março 2011 - "Portugal pode evitar o FMI"
5 Abril 2011 - "... é urgente pedir apoio .. já!"

Mas que grande confusão aqui vai...
Afinal estes "homens do dinheiro" não sabem do que falam?
Ou falam de acordo com os seus interesses do momento?
E depois queixam-se do FMI, do BCE, das agências de rating.
E nós pagamos a factura, cada vez mais elevada.

domingo, 8 de maio de 2011

O acordo

Os últimos dias têm sido passados entre conversas sobre o acordo a estabelecer entre Portugal e a “troika” financeira internacional.
Muito se falou do que seria necessário, do que viria a ser conseguido, das medidas que seriam impostas.
Mas penso que não se falou o suficiente, nem o necessário, para saber o quanto nós precisamos e das razões dessa necessidade.
Foi preciso virem os economistas estrangeiros fazer as contas cá dentro, para sabermos o que andava escondido pelos cantos.
Foi preciso serem estrangeiros a dizer, “preto no branco”, que se gastou muito mais do que se devia, que o pedido de ajuda já devia ter sido feito há mais tempo, que o atraso no pedido de ajuda custará muitos milhões de euros, …
Até aqui, quem dissesse isso em Portugal era contra o País, era quase um traidor.
Mas falta ainda conhecer-se de facto muitos dos dados agora obtidos.
No entanto, sabe-se já que, nos seis anos de (des)governo de José Sócrates, a dívida pública contraída é idêntica à de todos os outros governos do país, ao longo de cerca de trinta e um anos. Um verdadeiro tsunami económico.
Sabe-se que nos últimos anos nada foi feito para suster as despesas públicas, bem pelo contrário, enquanto se extorquiu cada vez mais os cidadãos.
Sabe-se que temos mais de seiscentos mil desempregados. Ainda se lembram da promessa de cento e cinquenta mil novos empregos?!
Sabe-se que a emigração é um fenómeno só comparado ao dos anos sessenta do século passado.
Sabe-se que povoamos os primeiros lugares dos piores indicadores e os últimos dos bons.
Mau de mais para ser verdade.
Verdade nua e crua que nos procuraram esconder, entre fantasias delirantes e propaganda mediática.
Desta verdade resultou o acordo.
Acordo que nos vai sair bem caro, muitos, muitos milhões de euros…
Muito tempo, mais de uma década, em que ficaremos reféns dos compromissos assumidos.
Dificuldades acrescidas para todos.
Mas os mais desfavorecidos serão sempre aqueles que mais sofrerão.
É, enfim, o resultado das políticas sociais de Sócrates.
E como dizia um amigo meu, nós vamos deixar um País pior aos nossos filhos…

Editado na versão online de "O Basto", Maio/2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Para reflectir

Dá que pensar
por mais que me custe entender!
 

Sabem quantos países com governo socialista restam agora em toda a União Europeia? 
Depois das recentes eleições na Hungría e no Reino Unido
só ficaram 3 países: 

Grécia
, Portugal e Espanha 
que coincidência!

Como disse Margaret Thatcher

"o socialismo dura até se acabar o dinheiro dos outros".

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

GRÁFICOS QUE ILUSTRAM A SITUAÇÃO ACTUAL

1) A média do crescimento económico é a pior dos últimos 90 anos

Fonte: Santos Pereira (2011)

2) A dívida pública é a maior dos últimos 160 anos

Dívida pública portuguesa em % do PIB, 1850-2010

Fonte: Santos Pereira (2011)

3) A dívida externa é, no mínimo, a maior dos últimos 120 anos (desde que o país declarou uma bancarrota parcial em 1892)

Dívida externa bruta em % do PIB, 1999-2010

Fonte: Santos Pereira (2011)

4) O desemprego é, no mínimo, o maior dos últimos 80 anos. Temos 610 mil desempregados, dos quais 300 mil são de longa duração

Taxa de desemprego em Portugal, 1932-2010

Fonte: Santos Pereira (2011)

5) Voltámos à divergência económica com a Europa, após décadas de convergência

PIB per capita português em % do PIB per capita da Europa Avançada

Fonte: Santos Pereira e Lains (2010)

6) Vivemos actualmente a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos

Emigração portuguesa (milhares de pessoas), 1850-2008

Fonte: Santos Pereira (2010)

7) Temos a taxa de poupança mais baixa dos últimos 50 anos

Taxa de poupança bruta, 1960-2010

Fonte: AMECO, Santos Pereira (2011)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Recuperar a nossa Independência

Hoje comemorou-se o dia da Restauração da Independência, ocorrida em 1640, quando terminou o período de domínio dos Filipes de Castela.
Hoje, questiona-se o que é a independência, quando queremos viver num mundo global, determinado apenas e só pelas relações do poder económico.
Comemorar a restauração da independência parece até um acto surreal, quando Portugal depende cada vez mais, cada dia que passa, dos parceiros europeus, das economias emergentes.
Como há ainda motivos para a comemorar?
Nós portugueses continuamos apenas a olhar pelo retrovisor, centrando-nos no passado.
Esquecemo-nos de prestar atenção ao presente e preparar o futuro.
Hipotecando, segundo a segundo, a nossa independência.
Este é um dos feriados (e dos motivos) que não se justifica.
Não tem sentido prático, não tem significado na relação que hoje existe entre as nações e os estados, é um absurdo na situação económica que vivemos.
Não é preciso comemorar a restauração da independência para se afirmar o formalismo da independência de Portugal, que já remonta ao séc. XII, descontando o período Filipino.
A nossa independência devia afirmar-se pela capacidade de gerir os nossos recursos, as nossas capacidades, o nosso património, com rigor, com sensatez.
E não desbaratando-os ao bel-prazer de um punhado de políticos, que nem me atrevo a adjectivar.
Eu acredito em Portugal e nos portugueses.
Queiramos nós todos fazer o mesmo e arrepiar caminho, para recuperar a nossa Independência.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Camões" na actualidade

I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto
proclamaram
Em campanhas com que nos
enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas...
Desprezam quem de fome vai chorando
!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano...
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Douro onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora
abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Autor desconhecido, mas digno no plágio...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma aposta na Educação, já, e em força!

Foi esta semana apresentado o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2010, publicado sob a égide do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, que ordena 169 países com base no chamado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Portugal mantém-se numa posição à qual se ajusta a dúvida clássica do “copo meio cheio ou meio vazio”: o 40º lugar garante a integração no grupo dos 42 países com “muito alto desenvolvimento humano”. A educação é, neste documento, a dimensão-chave.

Façamos então uma apreciação mais pormenorizada. O IDH é um índice calculado através da combinação de três dimensões do desenvolvimento humano: a dimensão Saúde, descrita pelo indicador “esperança de vida à nascença”; a dimensão Educação, descrita pelos indicadores “número médio de anos na escola” e “número expectável de anos na escola”; e a dimensão “padrão de vida”, descrita pelo indicador “rendimento nacional bruto per capita”.

Os autores do Relatório Anual agrupam os países em quatro grupos, de acordo com o valor do respectivo índice: “muito alto”, “alto”, “médio” e “baixo” desenvolvimento humano. Importa aqui referir que esta classificação denota uma linguagem cuidadosa, característica das Nações Unidas, que visa seguramente prevenir a estigmatização dos países menos desenvolvidos. De facto, dos 169 países avaliados 127 estão integrados nos níveis “muito alto”, “alto” ou “médio”.

Portugal está na cauda dos países ditos de alto desenvolvimento humano. É bom e é mau. Quando olhamos para baixo na tabela, percebemos que existem ainda 127 países do mundo em situação mais precária. Será curioso verificar as posições do grupo dos mais notáveis países emergentes: os BRIC. Brasil (73º), Rússia (65º), Índia (119º) e China (89º), para além de rankings muito distantes do português, apresentam deficits de desenvolvimento humano muito acentuados face a Portugal, em todas as três dimensões. A situação mais extrema é a da Índia, com uma esperança de vida à nascença 15 anos inferior aos 79,1 anos portugueses, uma permanência média na escola de apenas 4,4 anos e um rendimento médio per capita que pouco ultrapassa os 3 mil dólares. Não deixo de sentir conforto, apesar de tudo, com a situação “humana” em que o país se encontra globalmente, sem perder todavia de vista que as estatísticas escondem os efeitos da desigualdade social.

Se, ao invés, olharmos para a parte superior da tabela, encontramos os países do campeonato que pretendemos disputar, designadamente a Europa desenvolvida. E aqui já importa ir ao detalhe e procurar perceber por que razão não somos capazes de aceder ao meio da tabela (em torno do 20º lugar), lugar que me parece poder ser a nossa aspiração razoável. Comparando os valores dos indicadores para Portugal com a média do grupo dos 42 países de “muito alto desenvolvimento humano”, verifica-se o seguinte: a esperança de vida à nascença é praticamente igual (79,1 anos para Portugal face a 79,5 para o grupo); o número médio de anos na escola é francamente inferior (8,0 face a 10,5); o número expectável de anos na escola é igual à média do grupo (15,5) e o rendimento nacional bruto per capita é muito inferior à média do grupo (22.105 USD face a 35.608). Conclui-se, então, que o nosso calcanhar de Aquiles está na educação (número de anos na escola) e no rendimento per capita.

A questão do rendimento bruto per capita é a expressão da incapacidade da nossa economia gerar riqueza ao nível dos nossos parceiros europeus. Mesmo excluindo da lista os países cujo altíssimo rendimento per capita assenta na disponibilidade de recursos naturais excepcionais, como a Noruega, ou em sistemas financeiros blindados, como o Luxemburgo ou o Liechtenstein, o valor médio rondaria os 30.000 USD, portanto ainda muito acima dos 22.105 USD portugueses.

Também a questão da educação, que ao longo dos anos tem sido invocada como prioritária por sucessivos governos da nação, apresenta um passivo do qual o país não parece ser capaz de se libertar. É confrangedor constatar que, em média, os portugueses frequentaram apenas oito anos de escola, contra uma média de 10,5 do grupo de “muito alto desenvolvimento humano”, enquanto países que frequentemente nos servem de referência (Espanha, Irlanda e Finlândia) estão já na zona dos 10,5 a 11,5 anos. Como consequência, a mais arrasadora e penalizadora estatística portuguesa é a percentagem de pessoas com 25 ou mais anos que completaram pelo menos o ensino secundário: uns míseros 27,5%, quando a média do referido grupo está nos 66%.

É legítimo afirmar que a produção de riqueza, sobretudo num país pequeno que não beneficia de efeitos de escala ou dimensão, depende sobretudo da produtividade. E também que o nível de formação dos recursos humanos é um factor crítico para a produtividade. Pois bem, face aos números que muito bem nos são avivados pelo Relatório Anual do Desenvolvimento Humano, não tenho dúvidas de que é na educação que o país deve apostar. Hoje, já, sem hesitações. E, francamente, não tenho visto essa aposta inequívoca nos orçamentos do Estado dos últimos anos. Nem no de 2011.

José F. G. Mendes
Correio do Minho, 2010-11-07
http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=2134

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

DE MÃO ESTENDIDA

Há uma placa colocada por baixo do nome "Portugal" que diz "vende-se". E outra ao lado que anuncia "saldos". É comprar agora que está barato. Vendemos de tudo um pouco. Dívida com excelente remuneração, ações de bancos ao preço de um café, participações que deixaram de ser estratégicas. É só escolher. E pagar, claro. A necessidade interna é muita, o apetite externo ainda maior. O governo é uma espécie de agência de liquidação de um país falido. Até agora viveu a crédito. A partir de agora está nas mãos dos credores. Como um fidalgo arruinado tenta vender os anéis para salvar os dedos. Em desespero esquece princípios em nome da salvação.

O governo está de mão estendida. O primeiro a responder foi o patusco Chávez. Ofereceu-lhe as duas. Em jornada insólita, pelo norte do país, prometeu comprar de novo o que já tinha comprado há dois anos, não um barco, mas muitos, não apenas as casas pré-fabricadas que já deviam estar montadas, mas cidades inteiras, e computadores "Magalhães", milhares e milhares deles.
Depois vieram os chineses. Sentados em cima da maior reserva monetária do mundo, foram recebidos como uma espécie de 'tio Patinhas' do novo século. Querem um banco? Temos aqui o BCP a jeito. Energia? Porque não a EDP? Dívida? Temos muita e a bom preço. O catálogo é imenso. É só escolher.
Os novos salvadores da nação juntaram-se aos velhos. Os angolanos continuam às compras. À Líbia deslocou-se uma comitiva que foi oferecer sabe-se lá o quê. Longe vão os tempos em que a Espanha e o Brasil eram as prioridades da nossa política externa. Agora a prioridade é encontrar quem compre. Não interessa o regime, muito menos o carácter das personagens. O dinheiro é que conta.
Agora a prioridade é encontrar quem compre. Não interessa o regime, muito menos o carácter
das personagens
Ora, nos tempos que correm há muito dinheiro que está nas 'duas mãos' de ditaduras, como a China, ou de ditadores, como Chávez ou Khadafi. Todo? Não! Há também dinheiro do outro lado. Só que esse é mais difícil. Tem critérios. Exige disciplina na sua utilização. Não é dinheiro fácil. Como, na realidade, o outro também não é. Tudo tem um preço.
No outro lado estão os mercados. E a senhora Merkel. Ambos perigosos inimigos do nosso estilo de vida. Os primeiros são dominados pela especulação. A segunda é uma chata, que não gosta que os outros gastem o que não têm. Principalmente quando é ela a pagar. São eles os culpados dos nossos problemas. O ministro das Finanças náo tem qualquer dúvida sobre o assunto. Os juros sobem por causa da ação conjugada da especulação e da senhora Merkel.
É uma certeza que sempre dá algum conforto a quem se mostrou incapaz de cortar 5OO milhões de euros num total de oito mil milhões que o Estado precisa para funcionar. Pedir é mais fácil que cortar. E o Estado o que faz é pedir. Pede a toda a gente. Vive de mão estendida à espera de uma esmola para manter uma ilusão.
Essa ilusão vai-nos sair muito cara. Venderemos o que o país tem de melhor, a preço de saldo. E o que o país tem de melhor é a alma, é a dignidade, que estão a ser arrastadas para uma humilhante feira de ocasiáo.

Luís Marques

l.s.marques@sapo.pt

terça-feira, 2 de novembro de 2010

TEMPO DE LUTO

O meu País caiu na desventura

De acreditar num tipo mentiroso,

Um gajo sem moral, indecoroso,

Talhado de disfarce e de impostura,

Que, recorrendo a torpes artifícios,

De forma pouco clara se amanhou

E o Povo mais humilde maltratou,

Impondo-lhe severos sacrifícios.

É tempo, Portugal, de reagir

Ao infortúnio e, de olhos no futuro,

Cumprir o teu dever e, porte duro,

Os vendilhões da Pátria sacudir.

O País, certamente adormeceu…

Acorda, Portugal! Vamos, desperta!

Assume teu perfil e põe-te alerta…

Portugal não reage… Já morreu.

Da autoria do amigo Dr. Pinho Neno

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A feudalização da sociedade

Estava eu a estudar os privilégios da nobreza e dei logo comigo a pensar que em Portugal, ainda não saímos bem da Idade Média. Na Idade Média, a mobilidade social era praticamente nula. A nobreza vivia fechada sobre si própria usufruindo dos seus próprios privilégios. Relacionavam-se entre si, casavam-se entre si, frequentavam os mesmos castelos, participavam nas mesmas festas e banquetes, olhando para o povo do alto dos seus privilégios sociais e económicos.Ora, se virmos o que se passa em Portugal, temos de chegar à conclusão que no Estado há décadas dominado pelo PS e pelo PSD, existe cada vez mais uma feudalização da sociedade assim como uma organização social cada vez mais endogâmica.

Um bom símbolo da nossa miséria é o casamento entre a filha de Dias Loureiro, amigo íntimo de Jorge Coelho, e o filho de Ferro Rodrigues, amigo íntimo de Paulo Pedroso, irmão do advogado que realizou a estúpida e milionária investigação para o Ministério de Educação e amigo de Edite Estrela que é prima direita de António José Morais, o professor de José Sócrates na Independente, cuja biografia foi apresentada por Dias Loureiro, e que foi assessor de Armando Vara, licenciado pela Independente, administrador da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, que é amigo íntimo de José Sócrates, líder do partido ao qual está ligada a magistrada Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que está a investigar o caso Freeport.

Ricardo Costa

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pensamento do dia


"A monarquia fez Portugal e criou um Império;

a República acabou com o Império e está em

vias de acabar com Portugal."

Carlos Azeredo (General)

sábado, 16 de outubro de 2010

Sócrates contra Sócrates

Não há melhor do que as palavras do próprio para se descrever.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Realismo

Entrevista realista sobre o estado da nossa Nação.
A não perder...


"Uma barraca com um submarino à porta!"

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O nosso Primeiro

Joao Paulo O nosso primeiro é de facto um homem atento aos detalhes. Que melhor maneira de começar a celebrar o centenário da República (começam hoje as comemorações) do que um pacote de medidas patrióticas para salvar... a conta do Armando Vara e do sucateiro de Ovar... ai... ups... enganei-me outra vez... este magalhães sem inglês técnico é licenciado em enganos... ups...

Citando um amigo no Facebook.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A TRAMPA VAI GANHAR

TERÇA-FEIRA, 7 DE SETEMBRO DE 2010
A TRAMPA VAI GANHAR

Numa só folha do DN de ontem (2 páginas), podemos ler, embold, os títulos que seguem:

- Custo dos empréstimos está a sufocar as PME

- Área agrícola perde 390 mil hectares

- Aumentos propostos são incomportáveis

- Mal parado das empresas em crescimento

- Crise agravou a economia paralela

- Valor (da economia paralela) é já o dobro do défice orçamental

E, em letra pequena:

- Alemanha insiste em cortar a despesa

- Mundo recupera mas lentamente

Ou seja:

Em Portugal, as desgraças são em catadupas. Se mais jornais citássemos, mais haveria a citar. Respondendo-lhes, em seis meses o governo aumenta a despesa anual em 5%.

Na Alemanha, apesar do crescimento económico ser o maior da zona euro, o governo “insiste em cortar a despesa”.

No mundo, a recuperação é fraca, mas acontece.

Em Portugal, num comício organizado à moda do Estado Novo, com “autocarros para o povo”, etc., o chefe do governo faz um discurso tresloucado (parecia o Vasco Gonçalves, só lhe faltou atirar cravos às massas) a anunciar as mais rebuscadas balelas, como se tivesse dinheiro para as pagar, as promessas mais idiotas, como se fizesse tenções de as cumprir, os mais tremendas piruetas, a dizer que é óptimo hoje o que condenava há seis meses, num indescritível espernear esquerdóide e balofo.

Na Alemanha, o Ministro das Finanças a firma que “temos uma montanha de dívida e seria irresponsável agravá-la”. Atente-se que a dívida pública alemã é, sobretudo, interna.

Em Portugal, onde a poupança interna foi destruída pelo governo, a dívida é externa. É uma cordilheira, não uma montanha. Respondendo, o governo endivida o país em milhões todos os dias, e, num súbito e oportunista ataque de esquerdofilia, resolve fazer as mais idiotas promessas “sociais”.

No nosso mundo, o ridículo de um país que não é capaz de se livrar da ditadura da incompetência e da demagogia, é motivo de patéticas gargalhadas.

De que está o PR à espera para acabar com isto (faltam 2 dias!) é coisa que não cabe na cabeça de ninguém. Porque anda o senhor Passos Coelho a dizer que talvez deixe passar o orçamento, é coisa a que, sem exagero, se pode chamar irresponsabilidade.

De uma coisa parece que podemos estar tristemente certos: a trampa vai ganhar.

7.9.10

António Borges de Carvalho