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segunda-feira, 26 de março de 2012

Desenvolver Cabeceiras


Referia em artigo anterior que “o nosso concelho precisa de uma nova oportunidade para o desenvolvimento. Cabeceiras precisa de ter uma Câmara aberta aos munícipes, uma gestão solidária e respeitadora dos direitos dos trabalhadores e dos utentes, que valorize a democracia e a liberdade. Uma gestão que defina e partilhe um Plano de Desenvolvimento, integrado e sustentável, que valorize os recursos locais, que aposte nos cabeceirenses”.
O centralismo da gestão autárquica tem vindo a reduzir o já estreito caminho do desenvolvimento.
As sociedades evoluídas só crescem com a liberdade empresarial, onde existam condições de liberdade de escolha, liberdade de instalação, liberdade de contratação. Onde a administração gere os procedimentos administrativos com rapidez e sem grandes burocracias e custos.
Querer colocar na órbita da autarquia a cultura, o desporto, a educação, o apoio social, a saúde, a economia, mais não é do que voltar às políticas antigas do centralismo que já hipotecaram o passado e nos comprometerão o futuro.
Alguns projetos, já falados há demasiados anos, vão-se diferindo de ano para ano, de mandato para mandato. O pior é que nunca aparecem e já lá vão dezoito anos.
Vejamos os exemplos do hipermercado, do centro para inspeções de automóveis, do hotel, da criação de novas empresas, da central de biomassa.
Verificámos que o tão badalado interposto comercial de carnes, para tratar um dos produtos de excelência da nossa terra, mesmo que fortemente financiado pelo erário público, nunca chegou a cumprir o seu desígnio.
Os produtos locais só têm espaço no nosso mercado local, já que nunca houve uma política da sua promoção e comercialização em contextos nacionais e internacionais.
A utilização das nossas comunidades de emigrantes poderia ser um meio para a sua divulgação e comercialização, gerando negócios, gerando riqueza, gerando emprego, valorizando o que é nosso.
Continuar a apostar na estratégia do cuco, pôr os ovos nos ninhos dos outros, normalmente não é um bom caminho. Já assim foi no passado recente, que após alguns anos de trabalho para empresas externas ficámos sem trabalho, sem riqueza.
E nós temos cá tanta coisa que pode constituir a nossa riqueza no futuro.
Mas só uma sociedade civil forte, com a iniciativa privada empenhada se alcançará o desenvolvimento para Cabeceiras.
Precisa-se de uma gestão para a autarquia que queira promover este novo paradigma de desenvolvimento ao serviço dos cabeceirenses, porque pelo caminho que trilhámos ao longo dos últimos mandatos não vamos lá.

           
ER 311 está um perigo
           
Durante uma dúzia de anos andámos a lamentar o estado da ER 311, entre Refojos e Lodeiro d’Arque. Do traçado daquela estrada, em área do nosso concelho, aproveitava-se o do Pinheiro a Fojos.
Ao longo de já longos meses, a Câmara Municipal resolveu instalar o sistema de saneamento entre o acesso a Cucana e o Pinheiro, esburacando a faixa direita do sentido descendente.
Temos agora aquele troço de estrada, do melhor que ainda havia, todo esburacado e propiciador de graves riscos rodoviários.
Pelo facto de ter chovido pouco, a estrada resistiu melhor ao inverno, já que não houve infiltrações de água. Mas para a segurança rodoviária e para a conservação daquela via, exige-se a sua célere reparação.

NOTA: Na última edição alertava para a possível perda de parte da receita dos fundos comunitários para a obra da Escola Básica e Secundária de Cabeceiras de Basto. Infelizmente, segundo notícias vindas a público, a Comissão Europeia confirmou essa situação. Má notícia mesmo.

Para a edição de "O Basto", de Março

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um novo modelo de desenvolvimento


Os tempos estão difíceis.
Muito se fala da necessidade de aumentar a produtividade, ser competitivo, dar espaço ao empreendedorismo.
Porém, como fazê-lo num cenário de fortes restrições, de elevados impostos, de incerteza económica, de conflitualidade social e sindical?
Este é um dilema para o qual não há uma resposta efetivamente positiva.
Mas temos de fazer pela vida. Cada um de nós, cada grupo profissional, cada comunidade, cada país. A Europa e as demais regiões do nosso Mundo.
Da sociedade à rasca, temos de criar uma sociedade que se desenrasca.
Em Cabeceiras de Basto, temos vivido à sombra dos poderes públicos e sob a sua lei.
Ao longo dos últimos anos, muitos!, a sociedade habituou-se a aceitar passivamente a ação da autarquia como o agente económico de desenvolvimento local. O mercado de emprego centrou-se no município e nas empresas ou entidades tuteladas pela Câmara Municipal.
Quando o mercado aconselhava a abertura de novos horizontes, com a possível instalação de empresas, fábricas, hipermercado, hotel, de entre outros, sempre apareceram milagrosos argumentos que o impediram.
O facto é que durante o período de expansão, o período das vacas gordas, como se costuma dizer, nada disso foi feito.
O PROCOM serviu mais a autarquia que os comerciantes.
O PRODER seguiu o mesmo caminho, mais direcionado para a administração local do que para a sociedade civil.
Por outro lado, os recursos naturais não foram valorizados, a agricultura, a pecuária, a silvicultura foram definhando.
Os produtos locais, tantas vezes apregoados, não ganharam expressão significativa na atividade económica local.
Mesmo quando se construíram as zonas industriais de Lameiros e Olela, não se cuidou de assegurar a sua sustentabilidade e a crise veio trazer e acentuar os níveis de desemprego.
Agora, em tempos de crise, fomos informados que a autarquia vai apostar em múltiplas zonas industriais no concelho. Boa medida, em tempo errado. Pode render em popularidade, mas não vai render em resultados. Não estamos em época de crescimento.
Isso não quer dizer que não se tente, que não venha a ser instalada no concelho qualquer unidade industrial. Mas seguramente, nos dias de hoje, não é essa a solução. Já foi o tempo e foi perdido.
Agora exige-se um novo modelo de desenvolvimento, realista e sustentado.
Centrado nos recursos locais, nas potencialidades do nosso património natural, do nosso património arquitetónico, do nosso património cultural. Sobretudo nas potencialidades das pessoas, do seu conhecimento e, das suas capacidades.
É um novo paradigma que urge seguir, sob pena de voltarmos a perder o futuro.
Para isso temos de ter a atitude de partilhar projetos, informar, formar, cooperar, agir em rede, com autonomia e liberdade.
Enfim, mudar de vida, mudar Cabeceiras.

Publicado na edição online de "O Basto"

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma aposta na Educação, já, e em força!

Foi esta semana apresentado o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2010, publicado sob a égide do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, que ordena 169 países com base no chamado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Portugal mantém-se numa posição à qual se ajusta a dúvida clássica do “copo meio cheio ou meio vazio”: o 40º lugar garante a integração no grupo dos 42 países com “muito alto desenvolvimento humano”. A educação é, neste documento, a dimensão-chave.

Façamos então uma apreciação mais pormenorizada. O IDH é um índice calculado através da combinação de três dimensões do desenvolvimento humano: a dimensão Saúde, descrita pelo indicador “esperança de vida à nascença”; a dimensão Educação, descrita pelos indicadores “número médio de anos na escola” e “número expectável de anos na escola”; e a dimensão “padrão de vida”, descrita pelo indicador “rendimento nacional bruto per capita”.

Os autores do Relatório Anual agrupam os países em quatro grupos, de acordo com o valor do respectivo índice: “muito alto”, “alto”, “médio” e “baixo” desenvolvimento humano. Importa aqui referir que esta classificação denota uma linguagem cuidadosa, característica das Nações Unidas, que visa seguramente prevenir a estigmatização dos países menos desenvolvidos. De facto, dos 169 países avaliados 127 estão integrados nos níveis “muito alto”, “alto” ou “médio”.

Portugal está na cauda dos países ditos de alto desenvolvimento humano. É bom e é mau. Quando olhamos para baixo na tabela, percebemos que existem ainda 127 países do mundo em situação mais precária. Será curioso verificar as posições do grupo dos mais notáveis países emergentes: os BRIC. Brasil (73º), Rússia (65º), Índia (119º) e China (89º), para além de rankings muito distantes do português, apresentam deficits de desenvolvimento humano muito acentuados face a Portugal, em todas as três dimensões. A situação mais extrema é a da Índia, com uma esperança de vida à nascença 15 anos inferior aos 79,1 anos portugueses, uma permanência média na escola de apenas 4,4 anos e um rendimento médio per capita que pouco ultrapassa os 3 mil dólares. Não deixo de sentir conforto, apesar de tudo, com a situação “humana” em que o país se encontra globalmente, sem perder todavia de vista que as estatísticas escondem os efeitos da desigualdade social.

Se, ao invés, olharmos para a parte superior da tabela, encontramos os países do campeonato que pretendemos disputar, designadamente a Europa desenvolvida. E aqui já importa ir ao detalhe e procurar perceber por que razão não somos capazes de aceder ao meio da tabela (em torno do 20º lugar), lugar que me parece poder ser a nossa aspiração razoável. Comparando os valores dos indicadores para Portugal com a média do grupo dos 42 países de “muito alto desenvolvimento humano”, verifica-se o seguinte: a esperança de vida à nascença é praticamente igual (79,1 anos para Portugal face a 79,5 para o grupo); o número médio de anos na escola é francamente inferior (8,0 face a 10,5); o número expectável de anos na escola é igual à média do grupo (15,5) e o rendimento nacional bruto per capita é muito inferior à média do grupo (22.105 USD face a 35.608). Conclui-se, então, que o nosso calcanhar de Aquiles está na educação (número de anos na escola) e no rendimento per capita.

A questão do rendimento bruto per capita é a expressão da incapacidade da nossa economia gerar riqueza ao nível dos nossos parceiros europeus. Mesmo excluindo da lista os países cujo altíssimo rendimento per capita assenta na disponibilidade de recursos naturais excepcionais, como a Noruega, ou em sistemas financeiros blindados, como o Luxemburgo ou o Liechtenstein, o valor médio rondaria os 30.000 USD, portanto ainda muito acima dos 22.105 USD portugueses.

Também a questão da educação, que ao longo dos anos tem sido invocada como prioritária por sucessivos governos da nação, apresenta um passivo do qual o país não parece ser capaz de se libertar. É confrangedor constatar que, em média, os portugueses frequentaram apenas oito anos de escola, contra uma média de 10,5 do grupo de “muito alto desenvolvimento humano”, enquanto países que frequentemente nos servem de referência (Espanha, Irlanda e Finlândia) estão já na zona dos 10,5 a 11,5 anos. Como consequência, a mais arrasadora e penalizadora estatística portuguesa é a percentagem de pessoas com 25 ou mais anos que completaram pelo menos o ensino secundário: uns míseros 27,5%, quando a média do referido grupo está nos 66%.

É legítimo afirmar que a produção de riqueza, sobretudo num país pequeno que não beneficia de efeitos de escala ou dimensão, depende sobretudo da produtividade. E também que o nível de formação dos recursos humanos é um factor crítico para a produtividade. Pois bem, face aos números que muito bem nos são avivados pelo Relatório Anual do Desenvolvimento Humano, não tenho dúvidas de que é na educação que o país deve apostar. Hoje, já, sem hesitações. E, francamente, não tenho visto essa aposta inequívoca nos orçamentos do Estado dos últimos anos. Nem no de 2011.

José F. G. Mendes
Correio do Minho, 2010-11-07
http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=2134

sábado, 9 de outubro de 2010

2020 – Que futuro?

Todos nós conhecemos como o nosso concelho tem sido governado ao longo dos últimos anos, reconhecendo-se uma assinalável falta de diálogo ou consenso com as diferentes opiniões, quer das oposições, quer da sociedade civil.

A orientação política seguida baseou-se fundamentalmente na realização de obras públicas (mercado, piscinas, estradas, centrais de camionagem, centro de saúde, tribunal, pavilhões gimnodesportivos, de entre outras).

No entanto, quase dezassete anos depois, o nosso concelho não está mais rico e mais desenvolvido. O desemprego aumenta drasticamente; o abandono das povoações serranas faz-se sentir no isolamento dos mais idosos que ainda aí ficam; a população concelhia centra-se no eixo Refojos – Arco gerando uma macrocefalia na zona sul do concelho; há uma diminuição do número de crianças e jovens; a melhoria da rede viária serviu para facilitar a saída da população local e a deslocação dos agentes que aqui trabalham; o comércio sofre profunda crise; a agricultura, não obstante todos os serviços e associações do sector aqui sedeados, tem empobrecido e está ao abandono; foi encerrado o hospital e os serviços de saúde não garantem a satisfação das populações.

Por outro lado, verificou-se um desenvolvimento urbanístico nas vilas de Refojos e do Arco, que parece dar uma nova imagem aos nossos centros urbanos, mas que, por falta de um projecto integrado e sustentado, não veio proporcionar mais atractividade, mais movimento, mais vida e mais beleza.

Enfim, as “muitas obras”, que o poder tanto elogia, não satisfazem as pessoas.

Os cabeceirenses, já está visto, não vivem destas “obras”.

Hoje, os jovens cabeceirenses sentem de forma desmesurada os reflexos desta política: as escolas aparecem nos lugares menos agradáveis dos rankings, não há saídas profissionais, não há centros de convívio, de cultura, de recreação, não há empregos especializados, não há condições de fixação.

Os mais idosos precisam ainda de mais apoio, mais acompanhamento, de acesso a mais cuidados de saúde.

Se muito foi feito, pelos vistos muito mais e melhor devia ter sido conseguido.

Se o poder se acha satisfeito, os cabeceirenses precisam de um novo projecto, por um novo patamar de desenvolvimento.

Temos de entender a nossa terra no horizonte da próxima década. Como queremos Cabeceiras em 2020? Que objectivos queremos atingir? Que políticas temos de adoptar?

Esta é uma questão que nos diz respeito a todos nós e não apenas aos que nos governam.

Não haverá futuro sustentado se não houver um projecto equilibrado, integrado, que preserve a nossa identidade e aproveite os nossos recursos.

Para isso é necessário um compromisso de diálogo, de partilha, de discussão, de assunção de desafios.

Porém, do poder não podemos esperar esta abertura e esta capacidade de colocar Cabeceiras e os cabeceirenses em primeiro lugar.

Das oposições também nada tem brotado.

O CDS/PP e a CDU são partidos eleitoralmente marginais. O PSD tem vindo a seguir o mesmo caminho, esquecendo-se do essencial: dos cabeceirenses.

É altura da sociedade civil encontrar, aqui como a nível nacional, a resposta para a profunda crise económica, social e política que se vive.

Nós, cabeceirenses, temos de construir o nosso futuro.

Esse é o dever que temos para com os nossos filhos!

domingo, 3 de outubro de 2010

Será a nossa sina?


O S. Miguel acabou.
A feira e festa foram o habitual. Atraíram milhares de forasteiros, houve animação quanto baste, os carroceis e os matrecos deram que fazer à juventude.
A noitada do 28, o verdadeiro arraial, decorreu ao som das concertinas e de um espectáculo musical de cantigas à desgarrada.
Foi uma típica noite de arraial minhoto, de acordo com as tradições antigas do nosso povo.
O dia do padroeiro ficou, como sempre, marcado pela tradicional procissão.
E o povo gostou...
Pena que aqueles que até se pavoneiam nestes espectáculos sejam os mesmos que depois andam a querer fazer da nossa terra uma "cidade média", destruindo o que temos de bom e fazendo perder-se os referenciais das nossas gentes, tipicamente rurais.
Cabeceiras de Basto tem um potencial de crescimento e desenvolvimento ímpar.
É o primeiro concelho rural na transição do litoral para o interior. É, portanto, o que fica mais perto e com melhores acessibilidades às cidades de Fafe, Guimarães, Braga e Porto. Fica perto de muitas outras quer a norte quer a sul.
Se salvaguardar o seu património natural, social, cultural poderá oferecer uma realidade ancestral que os nossos vizinhos já perderam.
Para isso é preciso opções claras e objectivas.
É preciso apostar na criação de infraestruturas que permitam o alojamento na nossa terra, porque não é o turismo de passagem que promove e deixa riqueza.
O S. Miguel demonstrou mais uma vez quanto os nossos valores são valiosos, qual não é a sua capacidade de arrastar forasteiros.
Mas demonstrou também quanto a nossa realidade é incapaz de os aproveitar para fazer desenvolver o nosso concelho.
Acabou-se o S. Miguel, aqui ficamos entregues a nós mesmos, cada vez menos, cada vez mais pobres, cada vez mais desprotegidos.
Será a nossa sina?

sábado, 12 de junho de 2010

Ensinar a economia local


"Quando vinha para aqui, vi nos campos umas vacas. Pensei se nas escolas se ensinava quanto é que aquelas vacas contribuíam para a economia familiar dos seus alunos."
"Mais à frente, vi uns porcos e reflecti se as escolas ensinavam aos alunos a decomposição daqueles animais em presuntos, em chouriças e quanto isso se traduzia em euros, no orçamento familiar."
Eis duas citações, transcritas de memória, do discurso do Sr. Governador Civil do Distrito de Vila Real, no encerramento dos Encontros de Basto e Barroso.
Uma ideia perpassa do seu discurso, a necessidade da ligação da escola ao meio.
Mais, a importância da escola numa educação e de um ensino virado para a realidade e a valorização local.
Um discurso riquíssimo de conteúdo.
Já que se torna cada vez mais necessário mostrar a realidade aos nossos alunos, quando eles cada vez mais vivem na ilusão de um mundo virtual.
Torna-se necessário mostrar aos jovens as diferentes oportunidades de vida.
O empreendedorismo existe em todo o lado e em todas as actividades.
Os nossos pais e avós viveram da agricultura, da vida do campo, aproveitando os recursos naturais.
Hoje, com os conhecimentos que as escolas podem transmitir, também será possível aproveitar esses recursos de forma ainda mais eficaz e rentável.
Mas há que o demonstrar aos jovens.
E os exemplos apresentados são evidentes.
Há que olhar à nossa volta e transformar a vida do dia-a-dia em oportunidades de aprendizagem. Há que valorizar os recursos locais. Há que dar sentido às opções de vida das nossas comunidades.
Há que pensar que a Educação é um processo de aprendizagem para a vida.
Fico grato pelos ensinamentos daquela brilhante intervenção.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Carta Municipal de Desenvolvimento Local


A intervenção do Sr. Governador Civil do Distrito de Vila Real, Alexandre Chaves, nos Encontros de Educação, em Montalegre, é digna de registo.
Por dois motivos, em especial, que abordarei em dois post's diferentes.
Primeiro
Falou da Educação como um factor de desenvolvimento local.
Integrou a Educação num contexto mais vasto de relacionamento inter-pares locais, consubstanciado numa carta municipal de desenvolvimento local.
Carta essa que terá de contar com a participação democrática de todos os agentes locais, nos quais se incluem, com propriedade, as escolas.
Porque é nas escolas que está grande parte do conhecimento, da cultura, da inovação, dos projectos de desenvolvimento.
Mas também porque o desenvolvimento passa pela definição colectiva de um plano, de uma estratégia, de recursos humanos e materiais, que devem integrar uma acção sustentada e assumida num documento que designou de carta municipal de desenvolvimento local.
Que visão tão aberta, tão pluralista, tão democrática, tão desenvolvimentista.
Quão longe de outras mentalidades que imperam por aí, que tudo se resume a lideranças individualistas e monolíticas.

domingo, 25 de abril de 2010

36 anos depois


Faz hoje trinta e seis anos que uma revolta militar se transformou numa revolução pacífica.
Revolução que alegrou um povo carente de paz, de progresso e sobretudo de liberdade.
O Movimento das Forças Armadas prometeu descolonizar, democratizar e desenvolver, o que foi conhecido pelos três D's.
Estão volvidos trinta e seis anos.
Muita coisa mudou. Muita evolução se reconhece em muitos domínios.
Fez-se um percurso positivo em muitas áreas.
Contudo, no essencial, qual o balanço que se pode fazer?
Descolonizar - um processo dramático para milhões de portugueses espalhados pelos territórios das nossas ex-colónias, principalmente nas de Angola e Moçambique. A troco de umas negociatas nunca devidamente esclarecidas, Portugal deixou aqueles territórios e os nossos compatriotas tiveram de abandonar as suas casas, os seus bens, os seus trabalhos, enfim as suas vidas, já que ficaram entregues a si próprios, num clima de guerra civil, que se seguiu à descolonização. Enfim, este processo foi mau para os portugueses que aí viviam, como igualmente foi horrendo para os próprios naturais daqueles novos países.
Democratizar - após o "25 de Abril", seguiu-se um processo de democratização. Criaram-se os partidos políticos, promoveram-se eleições livres, foi promulgada uma Constituição de cariz democrático, instituiu-se um poder autárquico com autonomia e legitimidade democrática. Ano após ano, legislatura após legislatura, mandato a mandato autárquico, a democracia tem vindo a esmorecer. Cada vez mais formal, cada vez mais afastada do sentir das populações, cada vez mais respeitada nos quadros regimentais, mas cada vez se consolidam poderes mais despóticos. Democracia, hoje, é apenas um atributo da Constituição que os diferentes poderes existentes (económicos, políticos, grupos de pressão, ...) exploram a seu bel-prazer. O povo, as classes economicamente mais penalizadas, da democracia só têm direito ao voto, nos candidatos que os dirigentes dos poderes lhes impingem. Daí os elevados índices de abstenção e desinteresse pela política e pela causa pública.
Desenvolvimento - a população, em Portugal continental, vivia em condições muito precárias. As condições básicas de vida (água canalizada, electricidade, vias de comunicação, saneamento, cuidados de saúde, de entre muitas outras) não estavam satisfeitas para a generalidade da população e do território. Daí que os anos, posteriores a 1974, tenham sido de explosão nas obras públicas. Daí até à invasão do cimento e do alcatrão foi um pequeno passo. Mas ao desmesurado plano de obras e de desenvolvimento local, por via das autarquias, o Estado caminhou para o endividamento descontrolado, para o défice das contas públicas, para o desemprego. Também para a corrupção, para o arbítrio.
Hoje, trinta e seis anos volvidos, nós, que rejubilámos com a "libertação", sentimos profunda decepção e vemos com preocupação o futuro.
Como já aqui referi uma vez, os nossos pais fizeram o que puderam (ou muito mais do que isso) para nos deixar um futuro melhor.
Como é lamentável que no dia de comemoração do "25 de Abril", em 2010, tenhamos as maiores dúvidas para o presente e futuro dos nossos filhos.

domingo, 13 de setembro de 2009

Asfixia do desenvolvimento



"O Lado Lunar do Desenvolvimento" é o título de um post do blogue "O Mal Maior" de Vítor Pimenta, que aborda um assunto que já analisei num post no dia 29 de Julho.
O desenvolvimento de Cabeceiras tem sido negativo, conforme o estudo apresentado revela.
Afinal, parece que os críticos locais têm razão na leitura que fazem da situação de falta de desenvolvimento económico e social do nosso concelho.
Vítor Pimenta toca na ferida e põem em causa os fundamentos da estratégia e linha programática desenvolvida ao longo dos já longos dezasseis anos de poder socialista, quando refere:
"Há também a cultura generalizada de que os Paços do Concelho são a origem e a solução dos problemas, agravando-se o sentimento controleiro e de triagem pessoalizada em tudo o que é vida económica e empresarial do concelho. Isto asfixia a livre iniciativa e entorpece qualquer investimento e avanço sociológico, pelo factor psicológico per si."
Nem é preciso dizer mais nada!
Apenas que as medidas, que propõe, têm muito de positivo.
Só que são blasfémias para o poder instituído...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Deslocalização

A palavra e o conceito de deslocalização tem entrado na nossa comunicação quotidiana.
Todos nós ouvimos falar que uma das causas do desemprego é a deslocalização das empresas, que a derrocada da bolsa se deveu à deslocalização dos capitais, que os fluxos migratórios se devem à deslocalização de umas e de outros.
Mas muitas vezes, dentro das nossas pequenas terras, também há deslocalizações.
Em 1984/85, eu sei... já lá vai muito tempo, preparavam-se os estudos preparatórios para o Plano Director Municipal (PDM) de Cabeceiras de Basto, e discutia-se a importância de conseguir manter o equilíbrio no interior do concelho, assegurando, em cada uma das áreas geográficas definidas, centros de dinamização social, económico, cultural, recreativo e de serviços.
Infelizmente, quer antes, quer depois da aprovação do PDM, essas preocupações esbateram-se, os critérios e os objectivos propostos foram desvalorizados, e hoje temos o que temos.
O concelho está cada vez mais hipercentralizado na sede do concelho, com o inevitável abandono e desertificação, principalmente das freguesias mais afastadas.
Hoje há ainda um outro factor de deslocalização.
A autarquia vai criando serviços, equipamentos de forma aparentemente aleatória.
Depois, numas ocasiões centra-se o núcleo de actividades  num local, para logo a seguir passar para outro, e assim sucessivamente, fazendo rodar as diferentes actividades sem que de forma sustentada quem tem de investir consiga tirar partido do investimento feito.
Vem isto a propósito de várias obras e da dinamização que é feito à sua volta.
Primeiro, foi a Praça da República e o espaço adjacente ao Mosteiro. Parecia que a opção era pela centralidade da vila.
Mas rapidamente, passou para a zona do mercado e do centro de saúde.
Depois veio o pavilhão gimnodesportivo, a seguir o centro hípico, agora a pista de aeronaves, de entre outros.
Poder-se-á dizer que é o factor de diversificação, o aumento da oferta, ou outros argumentos semelhantes.
No entanto, o que acontece é que falta uma clara identificação de uma estratégia partilhada socialmente, de forma a que os investidores privados, que têm de acompanhar o investimento público, consigam tirar partido desse esforço, já que não podem mudar de local e não têm tempo para o consolidar.
Como exemplo, pergunto, no dia da inauguração da pista de aeronaves, estavam presentes milhares de pessoas, que serviços aí existem para dar respostas às suas necessidades?
Quem lucrou com essa realização?
Os comerciantes ambulantes de bebidas, que essencialmente não são da nossa terra.
O nosso comércio, no fundamental, não beneficiou em nada.
Agora que se aproxima a feira de S. Miguel, aonde serão realizadas as chegas de bois, as corridas de cavalos?
E querem ainda que o comércio local ajude a suportar mais este elevado custo?
Depois ficamos admirados com o estado de depauperação do nosso comércio, com a pobreza galopante da nossa terra, independentemente das múltiplas obras, onde se enterra o nosso dinheiro e o dos nossos filhos.
Isto também é uma forma de deslocalização de pessoas e de capitais.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O desastre da economia


Há quatro anos atrás, Sócrates prometeu recuperar 150.000 empregos.
Recuperar, em português, quer dizer ganhar, aumentar, superar, reaver, retomar, reconquistar, resgatar.
Após um mandato completo e em maioria absoluta, com todo o apoio do Presidente da República na área económica, Sócrates conseguiu perder mais do que os 150.000 empregos que dizia recuperar.
Chegámos ao patamar mais alto do desemprego, ultrapassando o meio milhão.
Porém, ontem o JN apresenta um dado ainda mais preocupante.

Portugal perdeu 150 mil empresários - JN

Ora, durante estes anos de maioria de Sócrates, Portugal perdeu também 150.000 empresários.
Sabendo, como sabemos, que nenhuma economia sobrevive sem empresários.
Sabendo que não cresce o emprego, enquanto diminui o investimento.
Sabendo que sem investimento e sem emprego não há desenvolvimento, Portugal viveu assim um período de profunda crise, de agravamento da pobreza, da miséria, do desemprego.
E isto ocorre muito para além da crise internacional, que de forma mais vincada fez realçar, no último ano, as consequências das medidas tomadas pelo governo de Sócrates.
É por estas e por outras que não podemos acreditar em novas promessas.
Não podemos confiar em quem nos prometeu o Céu e nos atirou para o Inferno.
Como poderemos confiar em quem nos mentiu?

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Educação é o motor do desenvolvimento


Mário Leston Bandeira é um demógrafo que estuda as causas e os efeitos da persistente baixa de natalidade em Portugal. E avisa: a melhor maneira de pôr fim ao Inverno demográfico português é alargar a gratuitidade do ensino a partir dos 3 anos de idade e criar uma rede de creches que permita a inclusão de todos os bebés a partir dos 3 meses de idade cujas mães não têm possibilidades de estar com eles durante o dia. E o demógrafo lembra que foi isso que a França e os países nórdicos fizeram com sucesso. A França é hoje o país da UE com mais elevada taxa de natalidade e aquele que oferece uma melhor cobertura de creches e jardins de infância.
São conhecidos os estudos que mostram a existência de uma relação entre a frequência de um jardim-de-infância de qualidade e o aproveitamento escolar posterior. E são conhecidas, também, as dificuldades que as jovens mães trabalhadoras, que vivem nas grandes cidades, têm na procura de creches e jardins de infância a preços razoáveis. As creches e jardins de infância de qualidade e a preços baixos, em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Setúbal, não são suficientes para a procura. Em muitos casos, as mães trabalhadoras têm de pagar 400 euros mensais para colocarem os filhos em locais seguros e de qualidade. Quatrocentos euros mensais por uma creche é uma verba que não está ao alcance de todos.


sexta-feira, 31 de julho de 2009

A7 e a SCUT perdida

A propósito das portagens da autoestrada já publiquei um post no dia 19 de Junho.
Hoje li um bom texto sobre o assunto, com o título em epígrafe, do Marco Gomes, no seu "Remisso".
Entendo que este é um assunto a merecer a atenção e a mobilização dos utentes da A7, já que têm sido vítimas de uma discriminação inqualificada.
E isto tudo perante o silêncio dos poderes locais.
Por acaso gostaria de ver a "gritaria" que seria se os responsáveis governamentais fossem de cor diferente...
Por outro lado, na perspectiva da SCUT perdida, os concelhos de Celorico e de Mondim, ambos da região de Basto, bem se podem queixar duplamente, já que nesse caso poderiam ter acessos mais directos, o que não foi contemplado no perfil de uma autoestrada.
Enfim, este é mais um problema causado ao desenvolvimento de toda a região que, como o último estudo que divulguei, nos remete para a cauda do País (e logicamente da Europa).
Esta será a nossa sina?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Deslizando alegremente


Ontem publiquei aqui um post sobre a evolução do rendimento per capita, em Portugal, no contexto da Zona Euro.
Por acaso do destino, hoje tive acesso a um estudo, do corrente ano, do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior, com a evolução, por concelhos, do "INDICADOR SINTÉTICO DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL OU DE BEM-ESTAR DOS MUNICÍPIOS DO CONTINENTE PORTUGUÊS".
É um estudo comparativo de 2007 (dados de 2004) e 2009 (dados de 2006).
No que ao nosso concelho diz respeito, verificamos uma descida em 88 lugares em dois anos, quedando-nos pela posição 270, apenas acima de oito outros municípios do continente.
De registar que nas nove últimas posições se encontram três dos concelhos da região de Basto (Cabeceiras, Celorico e Ribeira de Pena), o que reflecte a situação problemática desta região.
Salva-se Mondim (239), tendo subido 24 lugares (o que o colocava em último lugar da região de Basto no anterior estudo) e ultrapassando os demais concelhos.
Os concelhos de Celorico de Basto e Ribeira de Pena, para além de se encontrarem também nos últimos lugares, mesmo assim, desceram menos que Cabeceiras, apenas 32 lugares cada.
Não obstante a encenação própria dos diferentes poderes, a estatística vai mostrando uma realidade bem diferente.
Ano após ano, vamos deslizando alegremente nas tabelas, cada vez aproximando-nos mais da cauda.
Depois escandalizamo-nos com os índices de pobreza, de desemprego, de analfabetismo, de violência, de incultura, de corrupção, ...
E é assim que vamos perdendo a autonomia, a democracia e a liberdade.

domingo, 12 de julho de 2009

O nosso atraso...


Todos queremos uma terra promissora, desenvolvida, moderna, atractiva, ...
Quando ouvimos os nossos governantes empolgar estes desideratos, levam-nos a crer que assim é.
No entanto, uma terra para ser verdadeiramente desenvolvida tem de ter as condições básicas satisfeitas: água, luz, esgotos, rede viária, sistema de saúde, emprego, educação, ...
Poderia aqui falar de qualquer destes aspectos, mas fico-me apenas pelo primeiro: a água.
Como se entende, nos dias de hoje, que na nossa terra falte a água?
Que nem seja feito qualquer aviso prévio.
Como se pode querer acolher turistas e depois deixá-los sem água para tomar banho ou apenas lavar as mãos?
Este é um dos cenários do nosso atraso!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Desenvolvimento sustentável



"No que mais se diferenciam os pássaros do ser humano é na sua capacidade de construír, mas deixando a paisagem como estava."

Robert Lynnd –Irlanda



sábado, 30 de maio de 2009

Ter tudo e não ter nada...

Num destes dias recordei em conversa com os meus filhos aquela situação de uma pastora que ganhou algumasdezenas de milher de euros no euromilhões e que as gastou na compra de um Mercedes, que era o seu sonho.
O meu filho concluiu de imediato que tinha tudo (o que desejava) e final não tinha nada, já que continuava a fazer a vida de todos os dias, continuava a andar no seu velhinho Opel, e afinal o novo carro só servia para estar na garagem ou para uma viagem mais afoita.
Encontrei paralelismo neste episódio e na construção da nova variante.
Também ao nosso concelho saíu um jackpot de qautro milhões e meio de contos. Sim, quatro milhões e meio de contos, vinte e dois milhões e qinhentos mil euros.
Que se fez com eles? Uma variante!
Variante feita, o nosso concelho ficou mais rico?
Diminuiu o desemprego?
Melhoraram as condições de saúde?
Criaram-se condições para melhorar o ensino e a educação?
Aumentou o apoio social aos mais desprotegidos?
Cinco questões essenciais para o bem-estar e o desenvolvimento do concelho.
Um milhão de contos em cada uma destas áreas faria seguramente de Cabeceiras um concelho mais rico e propiciava condições de desenvolvimento futuro.
No entanto, como a pastora, continuamos a pastorear... só o fazemos mais rápido (para aqueles que usem aquela via).
Podíamos ter tudo, mas ficámos sem nada ou com muito pouco!