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terça-feira, 17 de julho de 2012

Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Tempo de exames no secundário,os meus netos pedem-me ajuda para estudar português.Divertimo-nos imenso,confesso.E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.
Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam.E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.
Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa
Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são  um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e
> outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que
aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º
> estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico,
> classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa.
Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua.
Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear.
Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos.
Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no indicativo do sujeito.
João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).
AS ATITUDES QUE TOMAMOS
FAZEM O PAÍS QUE QUEREMOS 

Teolinda Gersão
(segundo versão que me chegou por mail)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Emídio Guerreiro: “o dinheiro público não pode ser gerido desta forma”

O Vice-Presidente da bancada do PSD recordou os alertas do Tribunal de Contas e lamentou a oportunidade perdida.
“Os relatórios da Inspeção Geral das Finanças e do Tribunal de Contas não deixam dúvidas: a Parque Escolar é a prova acabada de como uma excelente ideia, a da renovação das Escolas Secundárias, se pode tornar num pesadelo sem fim à vista”.


Foi desta forma que Emídio Guerreiro iniciou a declaração política do PSD, esta quarta-feira. De acordo com o Vice-Presidente da bancada do PSD, “a Parque Escolar foi apresentada em 2007 com um objetivo ambicioso e bem definido: investir 940 milhões de euros para intervir em 332 escolas. Previa-se e anunciava-se um investimento médio de 2,82 milhões de euros por escola. Em 2008, na apresentação do seu plano de negócio o custo médio de intervenção por escola subiu para mais de 7 milhões de euros. Em 2009 o investimento subia para 2500 milhões de euros e desapareciam do objetivo 127 escolas, ficando abrangidas pelo programa 205 escolas. Mais recursos e menos escolas. E como que por magia, em 2010 o custo médio de intervenção atingia os 15 milhões de euros num total superior a 3100 milhões de euros. Uma escalada de preços sem paralelo na história do investimento público em Portugal”.
“Atrasos, incumprimentos, desvios, prorrogação de prazos, endividamento, encargos, falta de rigor, exceções, trabalhos adicionais, erros e omissões, excessos, desaproveitamento, restrição ao princípio da concorrência, falta de transparência, despesas ilegais, pagamentos ilegais, esforço financeiro público, dívidas, derrapagens acentuadas. Estes são apenas alguns substantivos ou expressões saltam à vista do relatório do Tribunal de Contas. E constam nas conclusões do relatório mesmo após a Parque Escolar ter exercido o seu direito de contraditório. E estas conclusões a todos devem preocupar. Como nos recordam, e bem, a Inspeção Geral de Finanças e o Tribunal de Contas, a empresa Parque escolar teve todos os mecanismos de exceção para a contratação de bens e serviços. Nunca uma empresa pública teve tantas ferramentas de gestão em Portugal. E ao invés de se tornar uma referência de boas práticas, demonstrou ser um exemplo a não seguir”.
Segundo o social-democrata o Tribunal de Contas é bem claro ao destacar a ausência de tetos máximos na definição das intervenções como um dos fatores precipitantes do disparar dos custos. “Nada justifica que as intervenções por escola variassem entre um mínimo de 6,3 milhões de euros e um máximo de 30,8 milhões de euros, que o custo por m2 vá de 626 € a 3.536 €, ou que o custo por aluno varie entre 5.524 € e os 30.258 € e que a área de construção flutue entre 5 m2 e 22 m2. Não houve rigor nem na decisão política nem no planeamento o que fez com a execução fosse a que foi. O dinheiro público não deve, não pode ser gerido desta forma”.
Emídio Guerreiro recordou, de seguida, que esta terça-feira em sede de Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, o PSD questionou o ex-presidente da Parque escolar sobre estas matérias. “Uma coisa ficou clara. Todas as alterações ao programa inicial tiveram o acordo do Governo de então. A decisão de retirar do programa 127 escolas não foi da Parque Escolar mas sim do Governo. Ficamos sem saber os critérios que determinaram a escolha das escolas que saíram do programa mas sabemos quem a fez. Do mesmo modo, ficou claro que a ausência de critério e de balizas para os projetos foi da responsabilidade dos governos de então. O Ex-presidente da Parque Escolar foi claro, e, talvez imbuído do espirito pascal, fez como Pilatos e lavou as mãos no que respeita à responsabilidade das decisões políticas que permitiram que mais dinheiro do que o previsto fosse aplicado a menos escolas que o prometido”.
Na opinião do social-democrata, “a Escola pública não merecia isto. Uma boa ideia mal executada pode comprometer o futuro de muitos. Estamos perante uma hipoteca geracional. Os recursos foram gastos muito acima do previsto e em menos escolas que o necessário. A Parque Escolar, pelos encargos que deixa, quer de manutenção e da amortização financeira, bem como por ter esgotado a capacidade de investimento neste sector é o maior ataque à Escola Pública dos últimos anos. Compromete o futuro da política educativa criando ainda mais dificuldades ao atual Governo e aos portugueses. E não valia a pena, pois um pouco de bom senso e de rigor nas opções políticas teriam evitado tudo isto e resolvido os problemas de forma bem mais eficaz”.

NP - É assim que se esvai a nossa riqueza, são estes os negócios que outros fizeram e que agora tdoso nós teremos de pagar e com juros elevados.
Em linguagem simples e popular:É UMA VERGONHA!


domingo, 1 de maio de 2011

Encontros de Leituras

Amanhã, dia 2 de Maio, pelas 10H30, estarei na Antiga Casa do Povo para apresentar "Os amigos do Marco" aos alunos dos 3.º e 4.º anos das Escolas do Arco de Baúlhe e da Faia, integrado no programa dos "Encontros de Leituras".
"Os amigos do Marco" é uma pequena história infantil elaborada a partir de um texto da minha autoria e fruto da exploração e ilustração efectuada pelos alunos da Escola de Pedraça.
É o resultado de um trabalho escolar feito exactamente para valorizar a leitura e os livros.
Brevemente, estarei também no Agrupamento de Escolas Bernardino Machado, em Famalicão, para uma acção idêntica.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Evolução do conhecimento: Uma abordagem pós-moderna (ou será contemporânea?...)

Em 2045, num qualquer hospital perto de si

- Então o que se passa?

- Senhor doutor, tenho aqui uma dor muito forte, do lado direito do abdómen, por baixo do umbigo. Passei a noite a vomitar.
- Que bom, não sei nada de barrigas, o senhor vai ser um doente muito interessante!
- Como assim, não sabe nada de “barrigas”?!
- Caro amigo, médicos com conhecimento estruturado, de barrigas ou de outra coisa qualquer, já não existem. Isso era antigamente, quando tinham de decorar uma data de coisas. E era logo no primeiro ano. Começavam por uma disciplina a que chamavam “Anatomia”: era um calhamaço inteiro para aprender de cor, imagine-se!
- Então mas isso não é importante?
- Não, de todo! Eles aprendiam de cor mas não percebiam nada do que estavam a ler! Só papagueavam. Sabiam falar-lhe durante horas da aorta ou da veia cava mas se calhar nunca tinham visto nenhuma! E essa quantidade estéril de informação tolhia-lhes o cérebro, por isso praticavam uma medicina muito pouco criativa.
- Então e o sr. doutor, como é que aprendeu medicina?
- Pois aí é que está, eu não aprendi. Não lhe disse já que não percebo nada de barrigas? Mas, mais importante, aprendi a aprender medicina. Ou seja, apesar de não saber nada, sei potencialmente tudo. Já viu a sua sorte em ter vindo bater-me à porta?
- Isso é o que vamos ver... Mas espero que em todo o caso tenha tido bons médicos como professores...
- Médicos a ensinar medicina?! Valha-me Deus, que ideia mais medieval! Não , meu caro amigo, os médicos foram erradicados do ensino da medicina há mais de vinte anos.
- ?!
- Não percebo o seu espanto. Então acha razoável que as aulas sejam leccionadas por médicos enfadonhos, sem competências ao nível dos processos de ensino/aprendizagem, e que se limitam a debitar umas teorias estéreis virados para o quadro? Eram muito pedantes esses professores, achavam-se o centro das atenções. E os alunos, claro, não percebiam nada. E o pior é que todos os dias se tornavam menos criativos, menos espontâneos, menos empenhados... Não, meu amigo, hoje temos um ensino moderno, as coisas já não funcionam assim! No final do século XX assistimos a enormes progressos no campo da pedagogia. Começou-se por dar formação aos professores do Ensino Básico e Secundário. Depois, progressivamente, as novas metodologias começaram a entrar nas universidades. Primeiro de mansinho, com o processo de Bolonha. Isto aconteceu no início do século. Curiosamente, o meu curso, Medicina, ainda foi o que resistiu mais tempo. Mas ninguém pára o progresso, e ainda bem: com a criação das Direcções Regionais do Ensino Superior, por volta de 2025, já ninguém podia leccionar no Superior sem uma forte preparação nas modernas correntes pedagógicas.
- Mas como funcionam?
- Para começar, temos de perceber que o conceito de professor está ultrapassado. Já não existem professores, o que existe são orientadores/facilitadores das aprendizagens. E as aprendizagens dependem do interesse dos alunos. Eu por exemplo sempre me interessei muito por pés, logo os meus orientadores facilitaram-me essa aprendizagem.
- Por pés?!
- Sim, é que gosto muito da bola, sabe? O meu power-point de fim de Mestrado é sobre a relação entre o tendão de Aquiles e a potência de remate. Ficou espectacular, fiz com recurso a uma ferramenta das novas tecnologias, um software de medicina dinâmica...
- Então mas qual é a formação desses “facilitadores das aprendizagens”?
- É muito variada... seguiram um pequeno módulo de três meses sobre medicina propriamente dita. A partir daí, estudaram pedagogia, sociologia, psicologia, administração pública... são umas pessoas muito completas.
- Não sei como é que pessoas com esse perfil “diversificado” o conseguiram avaliar...
- Avaliar?! Decididamente, o meu amigo parece ter vivido no século passado! Há muito que se sabe que a avaliação não ajuda a consolidar asaprendizagens. Muito pelo contrário, até desajuda. Quem estuda tendo em vista um exame não aprende nada. A avaliação foi inventada pelas elites por forma a poderem manter a sua supremacia. Eram uns fascistas, não queriam que os saberes caíssem à rua.
- Por falar em “saberes”, o que me parece é que o senhor doutor não sabe fazer nada...
- Não diga isso caro amigo, vai ver que vai ficar contente com o meu trabalho. Olhe que tirei nota máxima nas disciplinas de Medicina em Contexto e Comunicação da Medicina. Fazia umas redacções muito interessantes.
- Tirou nota máxima? Então não me disse que nunca foi avaliado?
- Pois, mas tivemos todos nota máxima. É natural, não é? Cada ser humano é único. Dentro da especificidade de cada um, todos somos excelentes.
- Senhor doutor, eu não o quero interromper, mas estou mesmo aflito. Será que pode então tratar-me?
- Sim, meu caro senhor, vamos a isso! Ora bem, como lhe expliquei, não sei nada de barrigas, mas daqui a nada já vou saber tudo. Mas antes, vou ter de fazer umas investigações.
- “Investigações”?!
- Sim. Investigações. Não me pergunte porquê, mas essa palavra (tal comoaprendizagens e competências) deve ser usada sempre no plural. Vou usar as investigações para construir o meu próprio conhecimento. Quer conhecimentos mais robustos e genuínos do que aqueles que são construídos pelo próprio sujeito?
- Devo-lhe dizer que começo a ficar desconfiado. Em que consistem essas investigações?
- Ora bem, vou dirigir-me aqui ao meu terminal e interrogar o maior especialista de medicina clínica que existe: a internet. Como disse, isto vai ser mesmo muito interessante.
- A internet?!
- Exactamente! Ninguém sabe mais do que a internet, isso é mais do que óbvio. Hoje tudo está à distância de um clique, não tenho de abrir aqueles livros enfadonhos a preto e branco que conservamos na secção de museologia do hospital, em sinal de aviso às gerações futuras, para que não voltem a cair no erro do culto ao conhecimento estático.
- Então vamos lá.
- Sim, desculpe. Ora bem, deixe-me escrever aqui a minha procura “dor barriga lado direito”. Enter. Pronto, a informação já jorra! Huuumm... pois... tal como suspeitava... sim... sim...
- Já sabe o que tenho?
- Sim, é um problema simples, mas espere um pouco, deixe-me fazer aquicopy-paste para colocar no seu relatório. Agora, para confirmarmos o diagnóstico tenho só de lhe tirar uma radiografia, para ver se aparece uma imagem parecida com esta aqui. Não percebo muito bem o que representa, mas se a sua for igual é porque tem a mesma coisa. A única chatice é que a máquina de raios-X está avariada. Mas não se preocupe, vou já telefonar ao engenheiro biomédico de serviço.

(Passados dez minutos entra o engenheiro)

- Então o que se passa, senhor doutor?
- Queria fazer uma radiografia a este doente, senhor engenheiro, mas a máquina está avariada...
- Que bom! Não sei nada de máquinas de raios-X! Vai ser um serviço muito interessante...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Apresentação de "Os amigos do Marco"

Hoje regressei à "minha" Escola, a EB de Pedraça, para na sala onde leccionei durante meia dúzia de anos, apresentar o livro criado a partir de uma actividade levada a cabo para comemorar o Dia Internacional das Bibliotecas Escolares, em 27 de Outubro de 2009.
A partir de um texto meu, os alunos elaboraram as ilustrações.
Resultou a edição de "Os amigos do Marco".
A apresentação do livro foi promovida pelas Professoras e Educadora da Escola e contou com a presença da Directora do Agrupamento, Dr. Céu Caridade e de Dr.ª Cristina Dias.
Os alunos, também colaboradores da edição, participaram numa leitura colectiva da obra e fizeram a sua exploração.
Por fim, decorreu um lanche com todos os intervenientes.
A partir de hoje, o livro encontra-se disponível nas bibliotecas escolares das Escolas EB 2 e 3 de Refojos e do Arco, bem como da Biblioteca Municipal Dr. António Teixeira de Carvalho.
Está também à venda na Papelaria Cabeceirense, na Praça da República, em Cabeceiras de Basto, para além do site do Sítio do Livro.
Brevemente o livro será apresentado noutros estabelecimentos de ensino, em actividades de animação de leitura.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Marco vai regressar à Escola




Na próxima quarta-feira, dia 2 de Fevereiro, pelas 14 horas, o livro "Os Amigos do Marco" vai ser apresentado aos alunos da Escola Básica de Pedraça, que também o ajudaram a criar.
Será mais uma oportunidade para motivá-los à leitura e à escrita.
Será ainda uma forma de valorizar o muito e bom trabalho que se faz nas nossas Escolas.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Chove onde se devia ensinar...

Está a correr no Youtube um pequeno vídeo sobre as condições em que estão os alunos na Escola EB 2 e 3 de Cabeceiras de Basto.
Ali ao lado estão umas instalações novas, quase prontas, onde foram gastos cerca de quatro milhões de euros, mas que, por quanto veio a público no JN, estão inacabadas por graves falhas nos concursos de empreeitada, da responsabilidade da Câmarta Municipal.
Muito mais grave do que as irregularidades são as péssimas condições que se dão aos alunos, professores e funcionários para exercerem as suas funções.
Depois queixam-se dos resultados e de aparecerem no fundo dos rankings educativos...

sábado, 27 de novembro de 2010

ESCOLA DOS PROJECTOS

Depois de analisar o suplemento do Jornal Público sobre o Ranking do
Ensino Básico e Secundário, editado no dia 15 de Outubro passado,
cheguei à seguinte conclusão (sem surpresa para quem vive a escola):
Mesmo sem a inferência dos ausentes (e necessários) indicadores
compósitos, as caras da avaliação interna e externa dizem tudo, o
facilitismo que reina na escola pública e a segurança que a escola
privada tem na preparação dos seus alunos.
Muitos são os factores que contribuem para todo este fracasso da
escola pública. Hoje decidi falar da "Escola dos Projectos". Se
tivesse optado por "Escola dos Relatórios", "Escola dos Papeis",
Escola da Burocracia", "Escola do Acessório" ou "Escola da Treta"
estaria, igualmente, em consonância com a realidade.
Relativamente aos projectos dinamizados directa ou indirectamente pela
tutela, a procura realizada na página Web do próprio Ministério da
Educação veio a revelar-se extremamente fértil. Em minha opinião, a
quantidade de projectos que surgem associados à Educação é
directamente proporcional ao desnorte (ignorância) dos seus
protagonistas. Não sabendo como resolver os problemas estruturais
(incompetência), os arautos que actualmente gravitam em torno da
educação encontram nos projectos a fórmula mágica para a resolução de
todos os problemas. "Dinamiza esse projecto que é giro", dizia na
semana passada um desses sujeitos. E assim se avança, porque "é giro".
Pouco, ou mesmo nada, importa se aquilo contribui para uma melhor
preparação dos alunos.

Projecto Municipal de Educação
Projecto Educativo de Escola
Projecto Curricular de Escola
Plano Anual de Actividades
Planos Curriculares de Turma
Projecto do Desporto Escolar (Andebol de Praia, Comité Olímpico de
Portugal, Compal Air 3x3; Corta-Mato, FitnessGram, Gira Volei,
IndoorKayak, Jogos da Lusofonia, MegaSprinter, Nestum Rugby, O Bicas
na Escola, Programa Pessoa, Taça Luís Figo, Tri-Escola)
Projecto da Mediação de Conflitos
Projecto da Educação para a Saúde
Projecto da Protecção Civil
Plano Nacional de Leitura
Plano de Acção para a Matemática
Plano Tecnológico de Educação
Projecto TurmaVirtual
Programa Criativos
Concurso Viagem ao Futuro com as Células Estaminais
Passatempo Desafio Verde nas Escolas
Programa Mundial das Escolas Inovadoras
Concurso a Europa Sou Eu
Iniciativa 1001 Músicos
Projecto Juventude Saber com Normas
Programa Green Cork na Escola
Projecto TurmaMais
Projecto Fénix
Programa Espaço NOESIS
Projecto Ciência na Escola (Fundação Ilídio Pinho)
Projecto Saber com Normas
Projecto DECOJovem
Concurso Escolar Europa no Mundo
Concurso Ciência Hoje/Ciência Viva
Programa Educativo do Museu Nacional de Arqueologia
Projecto eTwinning
Projecto MUS-E
Concurso Limpar Portugal
Iniciativa e.Skills Portugal
Concurso Jovens Cientistas e Investigadores
Concurso o Meu Mapa
Projecto Sons da Escola
Concurso Grande Será o Nosso Futuro
Projecto Europeu da Internet Segura
Os Neurocientistas Vão à Escola
Projecto a Europa dos Resultados
Projecto Educação para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos
Concurso Criatividade Grande C
Programa Mais Sucesso Escolar
Projecto Atua Por Uma Cidadania Global
Projecto Europa das Descobertas e das Inovações Científicas
Projecto SEF vai à Escola
Concurso Rali Escolar
Projecto Laboratório Oceano - A Escola e a Ciência dos Oceanos
Concurso a Europa Mora Aqui
Olimpíadas da Energia e das Alterações Climáticas
Projecto e-learning
Projecto n&n's (nanociências e nanotecnologias)
Projecto Já Sei Ler
Concurso Faz Portugal Melhor
Programa Descobrir
Concurso Twist - a tua energia faz a diferença
Projecto Ciências na Escola 2Cn=e (FCT da UNL)
Programa República nas Escolas
Projecto SeguraNet
Projecto Escola-Electrão
Projecto Portugal Tecnológico
Iniciativa Inside - Arte e Ciência
Concurso Rock in Rio Escola Solar
Concurso As Línguas Abrem Caminhos
Projecto Novas Oportunidades a Ler +
Concurso eLearning Awards
Projecto Portal Planeta Vida
Projecto e-Bug em Portugal
Projecto Ler+, Agir contra a Gripe
Concurso Innovating Minds
Projecto Escola Móvel
Projecto Passaporte Cultural
Projecto ComCiência na Escola - Encontros e Desafios
Projecto Pedagógico recorrendo ao portátil Magalhães
Concurso Região com Futuro
Projecto Juventude (IPQ)
Projecto Escola. Futebol. Cidadania.
Projecto Mundo das Profissões
Concurso Nacional para Jovens Cientistas e Investigadores
Projecto Casa das Ciências (Gulbenkian)
Concurso Escolar A Minha Escola Adopta: um museu, um palácio...
Projecto Cinemateca Júnior
Projecto Ser um dia para um dia ser
Projecto Investigação sobre Factores de Sucesso Escolar
Projecto As Lições de Bach
Programa Aprendizagem ao Longo da Vida
Projecto The Pizza Business Across Europe
Projecto Biblioteca de Livros Digitais
Concurso A minha escola e a prevenção da infecção VIH/sida
Projecto Comunicação e Sensibilização para o Mar
Projecto Científico MHADIE
Projecto Incentivo à Leitura
Concurso de superTmatik Cálculo Mental
Projecto Eleonore Digital - Software Livre
Projecto Prosepe - Clube da Floresta
Projecto Escolas-Piloto de Alemão
Projecto Ler+ dá Saúde
Projecto Parlamento Europeu da Ciência
Concurso TNT Tou na Net
Concurso A minha escola contra a discriminação
Iniciativa Ler+ em vários sotaques
Projecto DADUS
Projecto Leitura em Vai e Vem
Projecto Fazer TV
Projecto Escola na Natureza
Concurso Dia da Internet Segura
Projecto Portal SKOOOL
Concurso A União Europeia e a não discriminação
Projecto Visão Verde
Concurso Nacional de Jornais Escolares
Projecto pela Inclusão Social
Iniciativa Regresso à Escola
Concurso Cidades Criativas
Projecto Nacional de Educação para o Empreendedorismo
Projecto Linha Alerta
Projecto Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Droga
Projecto Comenius Educação Inclusiva
Projecto Onde Te Leva a Imaginação

Onde fica o espaço para o desenvolvimento dos saberes relativos às
áreas curriculares disciplinares?
Acreditamos, ou não, no ensino por disciplina?

Quanto mais transdisciplinar é uma formação, mais vaga e fluida se
torna a sua aplicação
(D, p3, Parecer n.º 2/2009 do CNE)

Eu acredito.

(Desconheço o autor, mas tem razão.)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Aceitamos a diversidade nos restaurantes, na arquitectura. Por que não na escola?

Ken Robinson ficou espantado com a existência de papel higiénico de cor negra. Descobriu esta ideia portuguesa no hotel onde ficou hospedado, em Lisboa. Diz que é um exemplo de criatividade e que é esta que vai fazer os países superarem a crise económica. Para isso, cada um deve encontrar o seu "elemento". Por Bárbara Wong (texto) e Pedro Cunha (fotografia)

Há 11 anos, Ken Robinson reuniu um grupo de especialistas britânicos, envolveu escolas, professores e associações para discutir a importância da criatividade nas salas de aula. O relatório All Our Futures ficou conhecido por Robinson Report e apresentava propostas concretas. Só as medidas mais simples foram aplicadas, porque os governos arriscam pouco, diz. Mas, mesmo assim, nas escolas onde houve mudanças registou-se "um impacto nas notas dos alunos e no moral dos professores".

Desde então, o especialista em educação, armado cavaleiro por Isabel II, tem sido convidado como orador ou como especialista por países e empresas que querem inovar. A criatividade é um dos ingredientes para que cada indivíduo descubra o seu "elemento", propõe. O "elemento" é "o lugar onde as coisas que adoramos fazer e as coisas em que somos bons se reúnem", define. O Elemento, publicado pela Porto Editora, é um livro que reflecte não apenas sobre o sistema educativo, "que mata a criatividade das crianças", mas sobretudo sobre as pessoas, sobre como é que podem encontrar o segredo para serem felizes.

A criatividade deve ser ensinada nas escolas. O que aconteceu no Reino Unido depois da publicação do relatório All Our Futures
?

As artes têm muito pouco peso nos currículos e eu fiz campanha, em toda a Europa, a favor da criatividade
. Quando Tony Blair foi eleito, a tónica era "Mais educação, mais educação". Mas quando chegou ao Governo, as políticas que levou a cabo foi: mais exames, mais inspecção, mais avaliação, pagar aos professores conforme os seus resultados...Nas escolas, cresceu um clima de medo entre os professores. Não defendo que não deve haver metas, mas sempre defendi que deveria haver uma estratégia para desenvolver a criatividade. Foi criada uma comissão para estabelecer uma política nacional sobre criatividade.

À qual presidiu. O que é que aconteceu?

No relatório definimos o que era criatividade e como pô-la no terreno. Era preciso mexer nos currículos, estabelecer parcerias. O Governo não ficou muito entusiasmado, mas nós já esperávamos aquela reacção porque o relatório foi além do que foi pedido. O Governo não queria que mexêssemos muito, esperava que recomendássemos um tempo no horário para a criatividade, de preferência à sexta-feira, depois do almoço. O que aconteceu é que trabalhámos com associações de professores, directores, e quando o relatório saiu havia uma grande expectativa. As escolas não eram contra, porque os professores acreditam que não podemos preparar os alunos para o futuro sem que eles desenvolvam a sua imaginação.

Foram feitos estudos que comprovam que os alunos ingleses que trabalharam a criatividade na escola conseguiram obter melhores resultados académicos?

Sim, há imensos estudos que mostram que o que os alunos fazem e o modo como pensam depende da criatividade. Mas os governos tendem a ser cautelosos e a aplicar políticas onde nada possa correr mal.

Mas essa foi uma medida aplicada e avaliada?

O Governo pôs em prática as recomendações mais simples. Por exemplo, recomendámos que fossem feitas parcerias e foi criada uma grande organização que se tornou independente, a Creative Partnerships, que continua a desenvolver actividades. A medida foi avaliada pela Inspecção-Geral da Educação, várias vezes. No ano passado, a inspecção concluiu que o programa tinha tido impacto nas notas dos alunos e no moral dos professores. Mas não há garantias de que, por exemplo, se tivermos um programa de música na escola, os alunos vão obter melhores resultados. Não há garantia de que, se a escola fizer tudo o que vem no relatório, tenha resultados.

Então, porque é que a criatividade é tão importante?

O modelo educativo continua a assentar no industrial.

Como se a escola fosse uma fábrica?

Sim, e já não é assim. O futuro depende da capacidade de inovar, criar novos tipos de emprego, novas oportunidades. É o que a China, Singapura, Hong Kong estão a fazer: investir na criatividade, na inovação, nas novas ideias. A criatividade permite desenvolver a imaginação, dá poder para pensar de maneira diferente.

A criatividade pode ajudar a sair da crise económica?

Nada mais o fará!

Como?

Eu não sei como, mas sei que, por exemplo, para um país como Portugal, o futuro da economia será construído a partir do génio do povo, da sua criatividade em criar novas empresas, novos trabalhos, novas infra-estruturas. A criatividade é o coração de tudo isso, do descobrir novas oportunidades. Há ideias muito simples como o papel higiénico de cor preta [uma ideia portuguesa]. É assim que surgem novos negócios. Foi o que aconteceu com a Internet, as redes sociais. É preciso que sejam negócios sustentáveis. Todo o crescimento económico tem por base o engenho humano. Quanto mais pudermos inovar, melhor!

Não vivemos em conflito permanente? Já não podemos dizer aos nossos filhos "Estuda para teres um bom futuro", mas queremos que permaneçam na escola.

Sim. Há gente que sai da universidade para o desemprego, e quando tem trabalho, os empregadores descobrem que não tem aptidões. Mas não devemos desencorajar ou dizer que é uma perda de tempo estudar. A verdade é que já não há garantias e, por isso, nem todos precisam de ir para a universidade. Há miúdos que foram obrigados pelos pais a ir e agora não sabem o que fazer, mas há outros para quem o sistema educativo funciona na perfeição.

O Elemento fala de várias personalidades que não fizeram o caminho educativo esperado e que tiveram sucesso. Mas isso não acontece com todos, pois não?

O livro fala de como os talentos humanos são muitos e diversos e de como podemos criar as nossas próprias oportunidades. Frequentemente, os pais empurram os filhos numa direcção, com a melhor das intenções, e eles nem sempre beneficiam com isso.

O sistema educativo precisa de mudar?

Estará a mudar? Nos EUA há mais testes, mais avaliação dos professores, as escolas são penalizadas se não conseguirem os resultados esperados, há rankings que desmoralizam os professores e os directores. O que é que se ganha com isso? Fala-se de eficiência para a educação como para a indústria automóvel e não se pode aplicar esse conceito nas escolas. Tem sido um desastre e em Portugal provavelmente também.

Qual é o segredo das boas escolas?

Ter bons directores, bons professores, uma boa relação com a comunidade. Os professores é que são o sistema educativo e não o Ministério da Educação. É senso comum. Aceitamos a diversidade nos restaurantes, na arquitectura, na música. Em todo o lado procuramos a diversidade, por que não na escola? Queremos que estas sejam todas iguais, mas não são máquinas, são organismos vivos.

Se tratamos os alunos como se não fossem indivíduos, com talentos reconhecidos, eles não podem interessar-se pela escola. O sistema educativo mata a criatividade das crianças. Os políticos não compreendem e acham que a solução está em normalizar tudo.

Não sabem que não resulta?

Não está a resultar, os alunos continuam a abandonar a escola. É preciso regressar às origens, a uma educação mais pessoal, mais comprometida, onde se criam oportunidades para as pessoas desenvolverem os seus talentos, seja na matemática ou a tocar violoncelo. A experiência diz-me que se descobrirmos uma coisa em que somos bons, conseguimos ser melhor em todas as outras em que somos menos bons.

Pode descobrir-se "o elemento" em qualquer idade?

Muitos não encontraram os seus talentos, muitos nem sabem que os têm e passam pela vida sem grande prazer naquilo que fazem. Mas há outros que acordam de manhã e adoram o que fazem. Que estão no seu elemento. É preciso amar o que se faz para se estar no seu elemento. Parte da razão por que as pessoas não descobriram os seus talentos é porque não tiveram essa oportunidade. É preciso procurar. As escolas não ajudam, mas também pode haver dificuldade da nossa parte.

É possível descobrir o elemento e querer abandonar tudo para o concretizar? E como lidar com a frustração quando as coisas não correm tão bem como aos famosos?

Eu vejo a frustração daqueles que não gostam do que fazem e pergunto-lhes: "Qual é o preço que está disposto a pagar?" Mas uma pessoa só deve arriscar se não se sentir feliz com a vida que tem. Há muitas pessoas que, além daquilo que fazem no dia-a-dia [em termos profissionais], concretizam os seus sonhos de outra forma, são os "amadores". Não é preciso viver daquilo que se gosta de fazer. Não digo que todos devam sustentar-se do seu sonho. Mas as pessoas têm que ter a certeza de que têm direito a concretizar os seus sonhos. A atitude é muito importante, bem como a oportunidade

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Começaram as aulas


Começaram hoje as aulas.
Primeiro dia de escola para muitos milhares de crianças.
Deveria ser um dia bonito, como o tempo que hoje fez.
Deveria ser o início de um percurso feliz, onde para além da socialização se fizessem as aprendizagens necessárias à vida.
Deveria começar a ser a criação de um percurso de rigor, de exigência, de responsabilidade.
Deveria...
Já que no início de cada ano escolar, muitas coisas estão ainda por resolver, em inovação, em transição, em experimentação, em dúvida.
Este ano, temos os mega-agrupamentos, o novo estatuto do aluno, a nova avaliação de professores (outra vez), e provavelmente um novo concurso para professores.
Paralelamente, um sem número de escolas em obras, que não acabam dentro dos prazos de férias escolares, problemas com os transportes escolares, com as cantinas, com os apoios sociais, com o pessoal não docente.
Como sempre, à moda portuguesa, tudo a resolver-se à última da hora, em cima do joelho, com a improvisação habitual.
Não se percebe como noutros países o inicio do ano escolar é sóbrio e sereno e por cá seja sempre mais uma barafunda que demora a estabilizar, com os inevitáveis custos para todos.
Aos colegas professores desejo a melhor sorte, ciente das difíceis condições em que exercem a sua profissão.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Escola Profissional de Fermil


Ainda bem que há quem promova o que de melhor se pode encontrar na área da educação.

domingo, 29 de agosto de 2010

Estatuto do aluno


Foi promulgado o Estatuto do Aluno e logo veio à baila a questão da adequação dos Regulamentos das escolas às novas disposições legais.
O ME veio sossegar com um período de adequação, mas o que está verdadeiramente em causa é a forma como se legisla.
Como podem as escolas passarem todos os anos tempo sem fim a fazer sucessivas alterações às suas normas de funcionamento.
Ora por se alterar o estatuto do aluno, depois por se alterar o estatuto dos professores, depois pela avaliação, depois ainda por se alterar a gestão ou o âmbito dos agrupamentos.
Qualquer alteração dos regulamento internos é um processo burocrático complexo, de muito trabalho e de execução demorada.
Como se pode colocar todas as escolas em contínuo processo de revisão e actualização dos respectivos regulamentos?
Um grande número, ainda com processos de eleição dos respectivos órgãos.
Onde fica a estabilidade de um estabelecimento escolar neste quadro de "guerra burocrática"?
Como podem os professores e os dirigentes escolares dedicarem-se efectivamente ao que é importante: a educação, o ensino e o sucesso escolar dos alunos?
O ME tem de parar estes desvarios legislativos.
Quanto mais se legisla, pior se vive nas escolas, pior são as condições escolares.
A solução passa indubitavelmente por uma autonomia das escolas, sob um quadro de referência normativa geral a adoptar pelo ME e do seu poder de fiscalização.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Transporte escolar


Se tivesses este meio de transporte, irias à Escola?

Los Pinas, Colômbia

Cada ida para a escola é uma emoção….

Nos últimos 200 anos, na remota aldeia de Los Pinas, localizada na densa selva colombiana, as únicas duas ligaçoes com a civilizaçao acabaram por se resumir a uma caminhada traiçoeira de 2 horas ou a uma descida heróica de 1 minuto através de um primitivo sistema de cabos suspenso a 365 metros de altura, percorrendo 805 metros do desfiladeiro a uma velocidade de 13m/s, dependendo da carga transportada.
O sistema possui 2 cabos, um para levar os habitantes e outro para os trazer de volta, podendo transportar consigo diversos tipos de fornecimentos... Parece que ainda ninguém sabe o peso limite suportado pelos cabos, o que só pode ser interpretado como um bom sinal!

É só apreciar...




segunda-feira, 19 de julho de 2010

Lá fora aposta-se no regresso a escolas mais pequenas


Na Finlândia, só três por cento dos estabelecimentos têm mais de 600 alunos

Ao contrário de Portugal, lá fora aposta-se no regresso a escolas mais pequenas

Em Nova Iorque, a taxa de sucesso entre os alunos que foram transferidos para escolas mais pequenas é superior à dos que permanecem nos velhos estabelecimentos.

A criação de grandes agrupamentos escolares que irá começar a tomar forma em Portugal no próximo ano lectivo está em queda noutros países, que já viveram a experiência e tiveram maus resultados. Na Finlândia, a pequena dimensão é apontada como uma das marcas genéticas de um sistema de ensino que se tem distinguido pelos seus resultados de excelência.

Em Portugal, para já, os novos agrupamentos, que juntam várias escolas sob uma mesma direcção, terão uma dimensão média de 1700 alunos, in- dicou o secretário de Estado da Educação, João Trocado da Mata. O número limite fixado foi de três mil estudantes.

Em Nova Iorque, o mayor Michael Bloomberg tem vindo a fazer precisamente o oposto. Desde 2002 foram fechados ou estão em processo de encerramento 91 estabelecimentos. Entre estes figuram mais de 20 das grandes escolas públicas secundárias da cidade, que foram substituídas por 200 novas unidades. Nas primeiras chegavam a coabitar mais de três mil alunos. Nas novas escolas, o número máximo vai pouco além dos 400.

Em algumas das grandes escolas que fecharam portas eram menos de 40 por cento os alunos que tinham êxito nos estudos. No conjunto das escolas da cidade, esta percentagem é de 60 por cento, mas entre os estudantes que estão nas novas unidades já subiu para os 69 por cento, revela um estudo financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, divulgado no final do mês passado.

A fundação criada pelo dono da Microsoft tem sido um dos parceiros da administração do mayor Bloomberg na implementação da reforma lançada há oito anos. O estudo, desenvolvido pelo centro de investigação MDRC, abrangeu 21 mil estudantes, dos quais cerca de metade está já a frequentar as novas escolas. Uma das conclusões: entre estes, a taxa de transição ou de conclusão dos estudos é superior em sete pontos à registada entre os alunos inquiridos que frequentam outros estabelecimentos de ensino.

Uma escala mais humana

Até 2014 terão passado à história dez por cento dos estabelecimentos com piores resultados. O objectivo fixado por Bloomberg duplica a meta estabelecida pela administração de Obama, que no ano passado desafiou os estados a fecharem cinco por cento das suas escolas mais fracas. No âmbito do novo programa Race to the top, lançado para combater o insucesso escolar, aos estados com melhores estratégias e resultados serão garantidos mais fundos para a educação.

Mas o objectivo não é só fechar as escolas com milhares de alunos e substituí-las por unidades com uma dimensão mais humana - embora este enfoque na "personalização" seja considerado vital. A mudança de escala está também a ser acompanhada pela implementação de novos currículos, pela fixação de um corpo docente mais qualificado e por uma maior autonomia das escolas.

Esta aposta em escolas mais pequenas, mais bem qualificadas e com maior autonomia faz também parte das prioridades do novo primeiro-ministro conservador britânico, David Cameron, o que, a ser levado por diante, constituirá uma profunda inversão da tendência registada na última década no Reino Unido. O número de escolas com mais de dois mil estudantes quase quadruplicou e cerca de 55 por cento das secundárias têm mais de 900 alunos.

Com esta dimensão, a função dos docentes passou frequentemente a ser mais a de "apagar fogos" do que a de ensinar, constata-se num documento elaborado pela organização de professores Teach First.

Aumentar permite poupar

Um estudo elaborado há uns anos pelo EPPI-Centre, de Londres, com base nas experiências dos países da OCDE, concluía que os alunos tendem a sentir-se menos motivados nas escolas maiores e que os professores se sentem menos felizes com o ambiente vivido nestas.

Ao invés dos resultados obtidos em Nova Iorque, no que respeita às escolas secundárias concluía-se, em contrapartida, que os resultados dos alunos tendem a ser melhores em escolas maiores. O que era justificado pela existência nestes estabelecimentos de corpos docentes com mais valências. Por outro lado, o aumento da dimensão traduz-se numa redução do que o Estado tem de despender por cada aluno. Em Portugal, no ensino não superior, esta factura rondará os três mil euros por ano.

Em Portugal, a par com a concentração de agrupamentos, irão também ser encerradas as escolas do 1.º ciclo com menos de 20 alunos. A lista das que fecharão no próximo ano lectivo deverá ser conhecida esta semana. Desde 2000 já fecharam portas 5172 escolas deste nível de ensino.

A ministra da Educação justificou esta medida dizendo que se pretende garantir que todas as crianças beneficiem "de escolas com os requisitos que a educação do século XXI exige". Na Finlândia, quase não existem escolas com menos de 21 alunos, mas 40 por cento têm menos de 50 estudantes e são apenas três por cento as que vão além dos 600. Outra norma obrigatória: para chegar à sua escola, as crianças não podem ser obrigadas a deslocar-se mais do que cinco quilómetros. Por cá, serão cada vez mais os alunos que terão de percorrer uma distância quatro vezes superior a esta.n

Clara Viana

Público

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Discriminação positiva


Estes dias, a propósito das SCUT's muito se tem falado de necessidade de efectuar uma discriminação positiva para os utentes de certas vias rodoviárias.
Custa-me a entender a manifesta discriminação negativa a que a nossa região continua a ser votada.
Como entender que sendo "Basto" a região mais pobre de Portugal e da Europa, não seja contemplada com quaisquer medidas ditas de discriminação positiva.
Desde logo, e a propósito, no pagamento das portagens da A7.
Mas também num outro vasto conjunto de medidas impulsionadoras de desenvolvimento, como por exemplo incentivos fiscais para a instalação de empresas, manutenção de serviços públicos, isenção ou redução de taxas e demais encargos burocráticos.
Só assim, se criariam mais algumas condições geradoras de sinergias evolutivas.
Mas aquilo que nos toca, é sempre a implementação das medidas mais penalizadoras.
Veja-se agora o caso dos mega-agrupamentos de escolas.
No distrito de Braga, praticamente só nos concelhos de Basto é que a DREN impõe a fusão de agrupamentos.
Só em Cabeceiras e Celorico, fundem-se cinco agrupamentos.
Logo mais uma discriminação, só que, como sempre, negativa.
É este o nosso triste fado!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Manifestação

Hoje à tarde, as comunidades de quatro Agrupamentos de Escolas do distrito de Braga manifestaram-se nas imediações da DREN - Direcção Regional de Educação do Norte.
Nem sei bem por onde começar...
Não sei se hei-de levar esta questão pelo lado sério, se pela brincadeira em que se tornou...
Este processo apareceu sem ser anunciado, sem ser negociado, sem haver qualquer informação.
Era uma medida imediata para conter custos, que se aplicaria a todos os agrupamentos de escolas, a uns no próximo ano lectivo, aos outros no que se lhe vai seguir.
Seria um processo "imperativo", mas que dependia do acordo com as autarquias.
Rapidamente, o processo ficou na estaca zero.
A grande maioria das autarquias não deram o seu aval a tal medida, até porque lhes competem já elevadas responsabilidades e as escolas e os agrupamentos não funcionam sem a colaboração autárquica.
Chegados aqui, verifica-se que praticamente só o Agrupamento de Escolas do Arco é que tem aval para ser "fundido".
Situação ingrata..., pelo que há de lhe juntar os demais agrupamentos do concelho de Celorico.
Por que não os de Fafe ou Guimarães?
Enfim, no âmbito da DREN apenas cerca de uma vintena de agrupamentos é "fundida".
E é com estes resultados que o Sr. Director Regional se acha convicto da sua acção e da justeza das suas posições.
Porque será que praticamente a região de Basto contribui com um quarto dos encerramentos?
A manifestação não teve, como aliás era evidente, nenhum resultado prático.
Mas teve a virtude de afirmar a clara oposição a "políticas" que nada têm de educativas e de defesa dos interesses dos alunos e das suas famílias.
Mais um ataque, às escolas e à educação, sem sentido, mas com evidentes consequências...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Escola de hoje


Este não é ainda o cenário pelos nossos lados, mas já falta pouco.
Os exemplos vão começando a aparecer e a ficar cada vez mais perto.
Será isto que nós pretendemos?


terça-feira, 6 de julho de 2010

As árvores morrem de pé


Acabei de participar na última actividade promovida pelo Agrupamento de Escolas do Arco, que também é o meu agrupamento.
Por uma pretensão economicista surgiu, da noite para o dia, num destes dias de verão, a ideia de juntar, de fundir, os agrupamentos de escolas.
Mesmo sem ter qualquer dos objectivos propostos em vista, desde logo se colocou o encerramento do agrupamento do Arco e a sua fusão com o de Refojos, como um dado adquirido.
Aliás, o próprio presidente da Câmara transmitiu à sua directora que foi posto perante o encerramento do agrupamento este ano ou para o ano. Por isso considerou que o deveria ser já feito.
Chegados aqui, podem-se fazer algumas perguntas:
- Porquê tanta pressa?
- O que é que ganha o concelho com esta medida?
- Como irão ser compensadas as famílias por uma deslocação maior para resolverem as questões na sede que agora passará a ser em Refojos?
- Como se entende esta medida, numa ocasião em que em Refojos a escola ainda está em obras e não está nas melhores condições para incorporar um agrupamento inteiro? Aliás, nem condições tem para albergar e agrupar em centros educativos todos os seus alunos.
- Como se compreende que num concelho que mantém aberto um SAP (urgência), um tribunal, uma ECAE (Equipa de Apoio às Escolas) e outros serviços que têm vindo a fechar em todo o país e não consegue manter em funcionamento um Agrupamento de escolas?
- Será que o Presidente da Câmara está a perder poder?
- Ou não o quer usar?
- Ou será mesmo que o usou para proceder-se ao encerramento?
Perguntas que têm de ter resposta clara e concisa.
Porque entendo que fundir os dois agrupamentos não traz qualquer benefício para o rendimento escolar dos alunos, não melhora a qualidade do ensino, não há ganhos na relação entre as escolas e a comunidade, bem pelo contrário.
Por outro lado, a vila do Arco deixa de contar com um dos serviços que melhor interpretava o sentido de ser "arcoense", bem patenteado em múltiplas actividades que envolviam a comunidade.
Relembro os antigos desfile de vestido de chita, a feira medieval, as marchas populares, os desfiles de carnaval, ...
Por outro lado, este enceramento vem, mais uma vez, adulterar a carta educativa do concelho.
Como se entende a aceitação desse facto sem que os diferentes órgãos que a aprovaram se pronunciem?
Sim, nós cidadãos deste concelho queremos saber com rigor quem são os eleitos que votam a favor do encerramento do Agrupamento do Arco.
Queremos saber quais são os vereadores e os deputados da assembleia municipal que apoiam esta medida.
Porque a culpa não pode ficar solteira, fruto de uma decisão que se procura que não se saiba bem quem a tomou, quem a decidiu e quem a apoiou.
Esta questão exige rigor e clareza.
Como diz o ditado, à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo.
Mas aqui parece que temos gato escondido com rabo de fora.

domingo, 4 de julho de 2010

As escolas matam a criatividade


Ken Robinson afirma que as escolas matam a criatividade.

Um vídeo de uma conferência que é muito interessante.

Podem ver com as legendas em português bastando chamá-las em languages