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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Comentários de um Chinês sobre a crise da Euro


Opinião de um professor chinês de economia,  sobre a Europa -
o Prof. Kuing Yamang,  que viveu em França
Kuing Yamang

 1. A sociedade europeia está em vias de se auto-destruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas , ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos ...


2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.

4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.

5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.

6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando, mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!

8. Dentro de uma ou duas gerações, 'nós' (chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacos de arroz...

9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...

10. (Os europeus) vão diretos a um muro e a alta velocidade...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Uma pérola


Bernard Connoly, antigo alto-funcionário da Comissão Europeia, afastado por se opor ao projecto do Euro, esteve em Portugal em 1997 – exacto: 1997 – para um ciclo de conferências que decorreu em Serralves. Encontrei agora a sua comunicação (no livro “O desafio europeu, passado, presente e futuro”, da Principia) e a sua leitura é muito instrutiva.
Depois de explicar por que criticou o projecto da moeda única, Connoly faz algumas curiosas previsões:
“As condições monetárias serão estabelecidas de feição para a França e a Alemanha, o que quer dizer que as taxas de juro do euro em 1999 não serão de todo suficientemente altas para as necessidades da economia de Portugal, para dar um exemplo. Isto significa que a convergência da taxa de juro andará muito em baixo para a periferia, o que vai levar a um 1998 que, à primeira vista, vai parecer o paraíso [lembram-se do ano da Expo? Pois foi 1998…]. Haverá um forte crescimento, as taxas de juro vão descer, ainda não haverá nenhuma inflação, o volume de negócios e de consumo será muito grande, haverá uma explosão da bolsa de valores e do mercado imobiliário. Estou a dizer que o mercado imobiliário vai explodir em Portugal e em Espanha. E digo, se tiverem senso-comum, peçam empréstimos, hipotequem-se até às orelhas, mas na condição de poderem saldar as dívidas rapidamente nos anos 2000/2001. É nessa altura que vão surgir os problemas [lembram-se do pântano de Guterres?]”.
Connoly prossegue traçando o retrato do que se passaria na Europa nos anos seguintes, prevendo que algures depois de 2001 ocorrerá uma crise grandes dimensões, que levaria à suspensão do pacto de estabilidade. Nessa altura, que previu que chegasse mais cedo do que chegou…
“Vai haver uma crise de confiança dos mercados financeiros no euro e as pessoas vão perceber que não se podem proteger do desmembramento do euro com marcos alemães denominados euros. Um euro é um euro, é um euro, é um euro. A única maneira de uma pessoa se proteger nessas circunstâncias é adquirir genuinamente valores exteriores, as moedas de países exteriores à área. Por outras palavras, o euro vai estar sob severa pressão dos mercados financeiros”.
Quando se chegasse a este ponto, Connoly previa que os políticos pudessem reagir de três maneiras: assumindo o erro do euro, o que ele achava impossível acontecer; continuarem a lutar para tentarem encontrar qualquer solução, o que deveria acontecer durante algum tempo; finalmente…
“A terceira opção é a que será escolhida. Vai ser usada a desculpa da pressão do mercado financeiro no euro. ‘Meu Deus, esses especuladores terríveis, esses americanos, esses judeus [aqui ele enganou-se…], esses sabe Deus quem, estão a tentar destruir a nossa Europa. Temos de impedir que façam isso, só há uma maneira de o fazermos: temos de nos fortalecer ainda mais, temos de ter um governo económico que crie um sistema monetário que espelhe realmente o sistema dos Estados Unidos’”.
Para quem assumiu que o que estava a fazer era apenas “uma previsão” e que falava em 1997, digamos que talvez pudéssemos começar a consultá-lo sobre os números do Euromilhões…

De José Manuel Fernandes no BLASFÉMIAS

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A nossa Independência

As notícias de hoje, sobre o futuro do Euro e da Europa deixam-nos em enorme expectativa e preocupação.
É a nossa vida, é a nossa sociedade que está em causa.
Pelo presente e pelo futuro.
Curioso quando estivemos a comemorar, talvez pela última vez neste dia, a Restauração da Independência.
Comemorar algo que cada vez existe menos.
A esse propósito relembro o artigo que aqui deixei no ano passado.

Recuperar a nossa Independência

sábado, 9 de julho de 2011

O ataque ao Euro

Há uns meses que a Europa e o Euro estão debaixo de forte pressão dos mercados.
Os países mais vulneráveis, os designados PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), constituíram-se como o cavalo de Tróia dos mercados agressores, nomeadamente o das empresas de notação americanas.
Não que estes países não estejam em má situação económica e financeira, para o que muito contribuíram as políticas seguidas pelos respectivos governos, mas porque o ataque é mais vasto e tem como objectivo destruir o Euro.
Estes países, uns mais do que outros, veja-se o caso da Grécia e agora o de Portugal, estão a sofrer o garrote da asfixia financeira, com consequências sociais nefastas ainda não totalmente mensuráveis.
Enquanto isto, a Europa vai desvalorizando a situação, senão mesmo ignorando-a, esquecendo-se que é a unidade europeia em torno de uma mesma moeda, o Euro, que está verdadeiramente em causa.
A partir da consolidação do Euro face ao Dólar, a economia americana sentiu uma ameaça real.
As diferentes crises oriundas da América são tufões que hoje varrem as economias europeias.
E das duas uma: ou a Europa se reforça, sustenta o Euro e caminha para uma maior integração dos diferentes estados, ou os países periféricos não sobreviverão às crises financeiras e sociais, arrastando a Europa para o colapso, finando as políticas de união política e monetária.
Se assim for, muito piores dias virão.
Exige-se aos líderes europeus, quaisquer que eles sejam, a grandeza de sobrepor os interesses gerais, de todos os países da União Europeia, acima dos interesses de cada um dos países que representam.
Este é o momento crucial para a Europa.

Texto publicado na edição on-line de "O Basto"