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terça-feira, 23 de abril de 2013

Criar Emprego


As questões sociais são para mim essenciais, já que por trás delas estão pessoas, muitas delas crianças e idosos.
De entre os diferentes problemas com que se depara a nossa sociedade, o desemprego é hoje um drama de contornos preocupantes.
O concelho tem, na última década, um valor estabilizado superior a um milhar de desempregados, atingindo a taxa de 23%, em relação à população ativa. Valor esse superior, em 7%, à média nacional.
Estamos perante um problema estrutural, permanente e cada vez mais preocupante, quando associado à crise que vivemos.
É por aqui que devemos devolver a esperança aos Cabeceirenses.
É neste sector que devemos apostar, definir como prioritário.
Ao longo destes anos apostou-se apenas na economia pública e na municipalização da economia local. Com a diminuição dos recursos, do orçamento disponível, agravam-se os efeitos de uma política errada.
Então como se poderá fazer reverter este flagelo?
O primeiro e fundamental sinal a dar à sociedade é o da confiança na iniciativa privada, estimulando a criação e a instalação de novas empresas.
Estimular a captação de investimento externo, promover condições competitivas face a outros municípios, baixar os custos dos serviços públicos, baixar taxas e licenças, acabar com a burocracia, são medidas elementares que assegurarão o nosso objetivo.
Estou certo que neste novo contexto, Cabeceiras de Basto terá sucesso e com isso se gerarão as condições para criar emprego, para criar riqueza, para dar um futuro melhor aos Cabeceirenses, assegurando uma nova esperança aos mais jovens.
Mas para que isso aconteça é necessário mudar de política. Mudar de responsáveis.
Parece-me que quem durante tantos anos apostou num caminho errado não está em condições de ser o agente de mudança que se torna imprescindível.
Está na hora de mudar de rumo. Está na hora de escolher a esperança da mudança.
Está na hora de confiar naqueles que ao longo destes anos mostraram que havia outro caminho, havia outra maneira de fazer as coisas.
Está na hora de apostar naqueles que com grandes dificuldades defenderam os interesses da nossa Terra e das nossas gentes.
Enquanto responsável político defini a criação de emprego como a primeira prioridade, através do projeto "Oportunidades de Futuro", que visa mais iniciativa privada, mais empresas e captação de investimento, mais aproveitamento das riquezas locais (património natural, património edificado e património cultural), mais turismo (religioso, natura, aventura e motorizado), mais agricultura, pecuária, silvicultura e transformação dos respetivos produtos.
Com este projeto criaremos mais emprego para os Cabeceirenses.

Publicado na edição de Março de "O Basto"

terça-feira, 5 de março de 2013

Dividir ou unir?


Os últimos tempos têm sido conturbados para os lados do PS.
António José Seguro lançou-se numa campanha desenfreada contra o Governo, na ânsia de o derrubar e já previa eleições, para as quais até reclamava a maioria ao eleitorado.
No entanto, no delírio desse cenário, apareceu António Costa a desafiar a sua liderança e a mostrar publicamente as profundas divergências e divisões no seio do PS.
À boa maneira socialista, rapidamente os sinos tocaram a rebate e, de reunião em reunião, promoveram uma solução de consenso, que deixaram um líder mais enfraquecido e uma oposição interna mais desacreditada.
Enquanto isso, o país precisa de políticas ativas para a saída da crise, sendo que o PS se alheia desse processo, já que mais uma vez tem de olhar primeiro para dentro de si mesmo, para a preparação do seu congresso e para a eleição dos seus dirigentes.
É assim, infelizmente a política à portuguesa, primeiro o partido, depois o país.
Hoje no PS, como antes no PSD.

As guerras no interior do PS não são só a nível nacional.
Também um pouco por todos os lados, aparecem divergências em torno das candidaturas autárquicas.
Em vários concelhos surgem divisões profundas no seio do PS (Braga, Matosinhos, Fafe, Vizela, Santo Tirso, de entre muitos outros).
Umas que se resolvem, com maior ou menor entendimento, mas em muitos deles parece acontecer um cenário novo de duas candidaturas socialistas, uma a oficial, outra a dos dissidentes.
Em Cabeceiras parece ser essa também a situação.
Oficialmente o partido apresenta a candidatura de China Pereira, enquanto as bases descontentes do PS mobilizam-se para promover a candidatura de Jorge Machado.

Conforme já referi anteriormente, o PSD e o CDS/PP (salvo duas exceções desde 1979) sempre se uniram para apresentar uma candidatura abrangente, que alargue o leque da representatividade da sociedade cabeceirense, com a inclusão de personalidades não enquadradas partidariamente, mas que assumem um programa de mudança, um projeto novo e alternativo para Cabeceiras, em prol dos Cabeceirenses.
Enquanto o PS se divide e gere os seus problemas internos, a coligação Cabeceiras + Futuro assume como central responder a cinco objetivos essenciais para os Cabeceirenses: criar mais emprego, promover mais solidariedade e mais saúde, gerar mais desenvolvimento e fomentar mais cidadania.
O desenvolvimento da nossa terra e o bem-estar dos Cabeceirenses só será possível não no seio da divisão, mas na procura da união, da união de esforços, da união de vontades, na união de um projeto que ponha Cabeceiras acima dos interesses individuais ou partidários.
Porque é nisso que acredito, é que me envolvo e assumi liderar esse projeto.

Texto publicado na edição de Fevereiro de "O Basto"

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

VAMOS FAZER DE 2013 O PRINCÍPIO DE UM FUTURO MELHOR!


Hoje é o primeiro dia do Novo Ano.
Um ano que nos foi vaticinado como difícil, dada a conjuntura económica e social que vivemos.
Como todos os anos, esperamos, porém, que a vida nos corra de feição e venhamos a ter um bom ano.
Temos pela frente mais 365 dias, que serão um pouco daquilo que nós queremos que seja.
O futuro depende, em grande parte, da nossa própria vontade.
Sabemos hoje que o nosso presente tem dificuldades acrescidas para muitos de nós.
Uns porque perderam o emprego, outros porque nem tão pouco o conseguiram. Uns porque viram ruir os seus negócios. Outros ainda, porque a saúde os desamparou. Muitos outros, com muitos problemas para resolver e que esperam, em 2013, o tempo da solução.
Eu próprio tenho também um desafio para o novo ano.
Conseguir mobilizar os meus conterrâneos para um novo projecto que traga mais futuro a Cabeceiras e aos Cabeceirenses.
Como tenho repetidas vezes afirmado, Cabeceiras precisa de mudar.
Mudar de políticas, mudar de protagonistas, construir o futuro.
Temos de fazer em conjunto, todos nós, Cabeceiras ter um rumo, saber o que se quer para a nossa terra.
Basta de endividamento, basta de despesa que só provoca despesa, basta de um poder que só vive pelo poder.
Criar emprego, ser solidário com os mais carenciados, apoiar na doença, dar qualidade de vida, promover a democracia e a liberdade, são objectivos que os Cabeceirenses partilham comigo, de certeza, neste ano.
Hoje é o primeiro dia do ano de uma longa caminhada.
Enquanto dirigente do PSD em Cabeceiras de Basto e candidato à presidência da Câmara Municipal, pela coligação PPD-PSD/CDS-PP, quero assegurar a todos os Cabeceirenses que tudo farei para criar as condições de um futuro melhor para todos nós.
O rumo está traçado. Trabalharemos, todos aqueles que assim o queiram, em prol da nossa terra e dos nossos concidadãos.
Trabalharemos em benefício dos jovens, a quem temos o dever de lhes legar a esperança no futuro.
Porque não me resigno às dificuldades e sei que com trabalho e dedicação se atingem os objectivos, convoco os Cabeceirenses:
Vamos fazer de 2013 o princípio de um futuro melhor!

Desejo, a todos os Cabeceirenses, um Bom Ano de 2013.
Sejam Felizes!
Mário Leite

sábado, 15 de dezembro de 2012

Sou candidato!

A CPS do Psd Cabeceiras de Basto indicou-me, hoje, à estrutura distrital do PSD como candidato à presidência da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, nas eleições autárquicas que se avizinham.
É para mim uma grande honra e uma enorme responsabilidade.
Uma grande honra, por terem confiado em mim e no trabalho que tenho desenvolvido ao longo dos anos, no nosso concelho, quer como Professor, quer 

como cidadão envolvido na comunidade.
Uma enorme responsabilidade, porque num contexto político, social e económico difícil, quer a nível local, quer nacional, se me exige determinação e empenhamento de modo a defender um projeto que promova o futuro de Cabeceiras e dos Cabeceirenses.
Tal como sempre fiz, trabalharei em prol da nossa terra e das nossas gentes.
Espero ser digno da confiança que em mim depositaram.
Espero, também, contar com o apoio e a colaboração de todos aqueles que entendem chegada a hora de mudar e fazer de Cabeceiras uma terra mais atraente, mais desenvolvida, com mais emprego, com maior sensibilidade social, com melhor qualidade de vida.
Por Cabeceiras e pelos Cabeceirenses!





Foi com esta mensagem no facebook, no passado dia 11, que assumi ser candidato à presidência da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, nas eleições do próximo ano, liderando as listas da coligação 
abrangente PSD/CDS, que contará também com a presença e apoio de cabeceirenses independentes.

Desde há uns meses que este meu blogue pessoal tem sido secundarizado, face ao assumir de posições enquanto responsável do PSD.


Agora, mais ainda, ver-me-ei com menor disponibilidade para alimentar este espaço. 


Contudo, por aqui virei e sempre deixarei algumas mensagens.


A todos os meus seguidores agradeço a compreensão e espero contar que me "sigam" no novo caminho que vou trilhar.


Obrigado a todos!



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Cabeceiras andou à deriva


Os últimos dias têm sido marcados pela contestação às medidas, adoptadas pelo Governo e pelos seus serviços descentralizados, que, num esforço de reestruturação e contenção de despesas, promovem a concentração de chefias ou de serviços,
Assim aconteceu com a deslocalização da ambulância SIV – Suporte Imediato de Vida, com a delegação da DRAP-N – Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte – do Ministério da Agricultura e porventura acontecerá com a direcção do Centro de Emprego de Basto.
Curiosamente, não houve destas tomadas de posição quando foi o caso do encerramento da Equipa de Apoio às Escolas ou do encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP / Urgência) no Centro de Saúde.
Nestes ou noutros casos, impõem-se saber se os cabeceirenses são ou não prejudicados e se há ou não alternativas.
Claro que o encerramento de serviços, geralmente, nunca é positiva. Nisso todos estamos de acordo.
Porém, em nenhum dos casos ocorridos, os cabeceirenses ficaram sem capacidade de resposta das entidades visadas.
No caso da SIV, foi substituída por uma ambulância SBV – Suporte Básico de Vida, que satisfaz as necessidades básicas da nossa população e se mantêm integrada na rede do serviço do INEM.
Quanto aos serviços de agricultura e do emprego, apenas e só a direcção daqueles serviços transita, respectivamente, para Penafiel e Amarante. Para o cidadão e comum utente, na prática nada muda.
Então porque será que estas mudanças causaram tanta celeuma?
Apenas e só por mero jogo partidário do PS.
Num caso para fazer ajuste de contas internas, no(s) outro(s) para cavalgar a onda do descontentamento e atacar o Governo e os partidos que o apoiam.
Mas talvez fosse bom pensar nas causas destas medidas e em eventuais alternativas viáveis.
Todas estas medidas acontecem, porque Cabeceiras não tem objectivamente as condições estruturais que justifiquem a manutenção dos serviços.
Com quase duas décadas de forte investimento estatal no concelho, verifica-se como resultado que o único desenvolvimento que se regista é no aumento desemprego, no aumento da emigração, no aumento do empobrecimento dos cabeceirenses.
Ora o PS precisa urgentemente de desviar as atenções deste cenário em vésperas de eleições. Daí as guerras internas, daí o aproveitar de qualquer pequeno facto para lançar uma campanha de alarmismo social e de demagogia política, de modo a esconder as responsabilidades que tem no actual estado do concelho.
Por outro lado, quando assistimos à contestação destas medidas, nunca vimos uma única proposta alternativa. Apenas e só se exige a manutenção da situação anterior, como se essas condições fossem imutáveis.
Verifica-se agora que Cabeceiras andou à deriva ao longo destes anos. Não houve um projecto, uma linha de rumo, um objectivo a atingir. Em vez de se investir naquilo que promovia o desenvolvimento do concelho, na criação de riqueza, na satisfação das necessidades básicas, na promoção do emprego, endividou-se em muitas obras, apenas para satisfação de interesses pontuais, que consumiram os recursos financeiros disponibilizados e hipotecam o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos.
Está na hora de mudar!
Definir um rumo, escolher um caminho e constituir uma nova equipa de modo a que seja possível dar esperança aos Cabeceirenses.
Isso de certeza que não será possível com qualquer daqueles que, no PS, governaram o nosso concelho ao longo destes anos todos e são responsáveis pela situação a que chegámos.

Artigo para a edição do jornal "O Basto"

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Autárquicas já mexem…


A pouco mais de um ano das eleições autárquicas, começa-se a estruturar um novo ciclo político. Ficam aqui algumas reflexões.
ü O PS há muito definiu a sua posição. A direcção partidária, afecta ao poder, escolheu o Dr. China Pereira para candidato à Câmara, tendo por trás a omnipresente figura do actual presidente.
ü Conhecem-se as divisões internas provocadas por esta decisão, mas quem dirige o partido e o concelho não abre mão do poder e quer assegurar, mesmo não se podendo recandidatar, que vai continuar a mandar.
ü O Dr. Jorge Machado que desejou ser o candidato do PS, depois de perder para o Dr. China a corrida à Câmara, procura outros apoios, mesmo noutros partidos, para conseguir aquilo que não conseguiu no seu e querer aparecer, agora, como um candidato independente. Aliás é curioso que quem ao longo de mais de uma dúzia de anos foi um fiel servidor do poder, sem qualquer hesitação e mesmo assumindo da forma mais radical as posições do executivo, se queira apresentar, nesta altura, como o mais legítimo representante da oposição.
ü E não obstante a pré-anunciada candidatura, em oposição ao presidente da Câmara e à sua maioria, o Dr. Jorge Machado continua, como se nada se passasse, vice-presidente da autarquia. Ao que chega a incoerência e o absurdo!
ü Mas como aqui já referi noutras ocasiões, as eleições autárquicas decidem-se entre o PS e o PSD. O aparecimento de uma terceira candidatura, por mais forte que possa parecer, apenas contribuirá para facilitar a vitória a um destes partidos. Se dividir o eleitorado do PS, favorece o PSD. Se dividir o do PSD, dará de bandeja a vitória ao PS. Não será esse o objectivo?
ü O PSD definiu há um ano atrás renovar a coligação com o CDS/PP, para apresentar uma candidatura mais abrangente e poder contar com o apoio de figuras cabeceirenses que não se revêem na prática política e no projecto para Cabeceiras da actual maioria. Cabe aos órgãos próprios do PSD e da coligação escolher o candidato que esteja em melhores condições de, interna e externamente, assegurar a apresentação de um novo projecto político para o concelho.
ü Cabeceiras não precisa de guerras pessoais ou partidárias. Ainda para mais num momento de dificuldades acrescidas pela crise nacional e internacional que vivemos.
ü Cabeceiras precisa de um plano de desenvolvimento, integrado e sustentável, que se traduza na democratização da gestão municipal, que promova a iniciativa privada, que alivie os encargos para os contribuintes, que reduza os custos de despesas correntes, que controle a dívida, que assegure o apoio social para os mais desfavorecidos, que satisfaça as necessidades básicas para a qualidade de vida das pessoas, que promova uma estratégia mobilizadora centrada no desenvolvimento das potencialidades locais, criando riqueza e criando emprego.

Texto para a edição de Agosto, do jornal "O BASTO"

terça-feira, 31 de julho de 2012

Notas soltas


Pede-nos a Direcção do jornal contenção na escrita e como estamos em época estival, propícia à indolência, deixo, desta vez, apenas meia dúzia de notas soltas.
ü Foi notícia, dos últimos dias, o facto de a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto ter os custos mais elevados do distrito com as empresas municipais, E, neste caso, apenas com uma só, a Emunibasto. Cada Cabeceirense vai pagar 111,38 € só para isso!
ü O caso Miguel Relvas tem tomado conta do anedotário nacional. E com razão, diga-se. Ninguém pode ser licenciado com exames a apenas quatro cadeiras. No entanto, muitos outros há com idêntico canudo e estão muito caladinhos à espera de passarem despercebidos. Até porque foram os que aprovaram a legislação que tal permitiu.
ü Ainda a propósito do caso Relvas, a intoxicação informativa tem um outro objectivo: desviar as atenções do que é verdadeiramente importante e fazer esquecer as responsabilidades de quem nos (des)governou ao longo dos últimos anos.
ü O Governo, de tanto ser contestado mais forte se torna. Porque se é verdade que tem tomado muitas medidas impopulares e quantas vezes injustas para muitos portugueses, o facto é que hoje já se fala na possibilidade de renegociação do memorando e de criar políticas de desenvolvimento. Há um ano atrás, quando o Governo foi constituído, apenas se falava da eminência da bancarrota e da necessidade de viabilizar um plano de resgate financeiro, depois de já terem sido aprovados três planos nunca cumpridos.
ü Há factos curiosos e anedóticos. Um deles aconteceu este mês com o lançamento de uma obra “emblemática” da Câmara, sob a responsabilidade da Basto Vida: a Unidade de Cuidados Continuados no antigo posto da GNR. A obra começou com pompa e circunstância, só que se esqueceram que a obra ainda não estava licenciada. Pelo menos o edital que lá esteve era de uma obra licenciada pela Câmara de Famalicão. Sem comentários!
ü Em época de férias na nossa terra, para muitos dos nossos conterrâneos a trabalhar algures pelo mundo, votos de uma boa e reconfortante estadia. E que de regresso ao trabalho tenham os maiores sucessos profissionais, pessoais e familiares.

Texto para a edição de Julho de "O Basto"

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Os buracos


Dizia, recentemente, na Rádio Voz de Basto, que Cabeceiras bem poderia ser considerada a capital europeia dos buracos.
E não me referia ao estado das contas municipais. Referia-me ao estado em que estão as estradas do nosso concelho.
Ao longo dos últimos anos, temos ouvido dizer que se asfaltaram dezenas de quilómetros de estradas, que se levaram os acessos aos lugares isolados, que se criou uma rede de ligação entre as localidades.
Tudo isso é verdade.
Todos os lugares do nosso concelho há dezenas de anos que têm acessos, mas reconhecemos, sem tibiezas, que foi feito um trabalho positivo de renovação das estradas que lhe dão acesso. Porém, não podemos ignorar que, na maior parte dos casos, as obras ou não foram acabadas (falta de valetas, falta de sinalização, falta de marcações, falta de proteções) ou a sua pavimentação foi deficiente, pelo que, volvidos meia dúzia de anos, essas vias estão um verdadeiro campo minado.
Buraco à direita, buraco à esquerda, buraco pelo eixo da via.
Não precisamos de sair da vila para o verificar. Mas percorramos o concelho, de lés a lés, e a situação é idêntica. Podemos sair da vila para os lados de Pedraça, ou para Outeiro. Podemos fazer o percurso de Moimenta a Gondiães. Pelo Vilar à Uz, é a mesma coisa. E, por aí fora, muitos outros exemplos poderíamos anotar.
Mas a ânsia de fazer é tal, que se fazem novas vias, novas rotundas, mas tudo fica inacabado. Aumentam-se os buracos. Vejamos o caso das variantes à vila, a rotunda da Cachada, a rotunda de Lamas. Obras que já levam alguns meses de asfixiante paralisia, criando as maiores preocupações aos condutores, pelos perigos que correm e pelos prejuízos que as suas viaturas podem sofrer.
É imperioso um plano realista e adequado para acabar com este estado de coisas.
A segurança rodoviária é um direito de todos nós.
           
O que faz falta…
           
            Diz a canção que “o que faz falta é animar a malta”.
Ora nesta ocasião de más notícias, animar a malta será sempre positivo. Mas também diz o povo que com “festas e bolos se enganam os tolos”.
E nós temos sido “tolos”, já que nos deixamos enganar com muitas festas e talvez com alguns bolos…
Mas num contexto de crise, numa situação em que o sector público está em colapso, exigia-se uma sociedade civil forte e atuante.
Porém, nada disso acontece, até porque tudo tem de estar coordenado politicamente, não vá haver alguma revolução.
Durante estes anos todos só se pensou em fazer obra pública. Obra que consumiu milhões de euros que não tínhamos. Muitos milhões de euros que estamos a dever e que os nossos filhos irão pagar, e pagar com juros elevados. Obra que nos custará os olhos da cara, no futuro, com a sua manutenção e fruição.
Faz-me impressão que não se tenha pensado em desenvolver o concelho pelo lado do investimento, pela criatividade, pela valorização das nossas potencialidades.
Falar hoje, dezoito anos volvidos, em industrialização, em produtos locais, em criação de emprego, é de um desplante sem limite.
Para fazer isso não teria sido preferível incentivar à radicação de empresas em vez de deixar sair as que aqui havia?
Porque é que não se deixa instalar um hipermercado?
Porque é que os hotéis prometidos se ficam pela promessa?
Só porque esses investimentos têm de ser privados e só se sabe gastar o dinheiro que é de todos nós?
Como dizia num destes dias, nós não gostamos que se ganhe dinheiro. Preferimos que todos nós percamos dinheiro e que caminhemos neste percurso de empobrecimento coletivo.
Depois queixamo-nos!

Crónica para a edição de Maio de "O Basto"

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Passado, presente e futuro


Há precisamente um ano, estávamos a viver momentos de grave crise económica e política.
O Governo de José Sócrates tinha acabado de pedir o apoio internacional e assumir que Portugal não tinha condições para honrar os seus compromissos.
Só com a ajuda internacional, Portugal poderia assegurar o normal funcionamento dos serviços públicos, desde a administração, passando pela saúde, pela educação, pela segurança, pelos apoios sociais. Era o ruir do “estado social” tão apregoado.
Depois de seis anos de fausto e de descalabro orçamental, Portugal tinha chegado ao limiar da bancarrota.
Guterres, anos antes, tinha-nos legado o “pântano” político. Sócrates preferiu deixar-nos uma colossal dívida e o futuro na mão de estrangeiros.
Agora, volvido apenas um ano sobre a celebração do acordo com a troika, acordo que foi solicitado, foi negociado e foi assinado pelo PS, com o compromisso dos partidos da oposição do arco do poder, eis que é aquele partido e os seus dirigentes que diariamente o põe em causa, faltando com a solidariedade a quem foi responsável e com ele partilhou o ónus de uma situação crítica e para a qual não contribuiu.
Pelos vistos, para o PS e para os seus dirigentes, antigos e atuais, Portugal deve deixar de cumprir os seus compromissos, só porque as medidas são impopulares.
Estes que foram responsáveis por chegarmos ao precipício, querem agora empurrar-nos definitivamente para ele.
As medidas que o Governo está a aplicar mais não são do que aquelas que o PS propôs, negociou e aceitou, conforme decorre das avaliações da troika.
Mal de nós se quiséssemos colocar em causa o acordo firmado.
Às enormes e graves dificuldades existentes somar-se-iam muitas outras, levando a grande maioria a um estado de penúria sem precedentes. Até parece que não conhecemos o exemplo grego.
Ao celebrar “Abril” da liberdade, da democracia, da paz, do desenvolvimento, é imperioso assumir que fizemos um percurso errado, que cometemos erros, e que agora, temos de superar as dificuldades com sacrifícios, com empenhamento, com trabalho, com esperança.
Foi assim no passado de séculos de História, é assim nestes tempos de insegurança e de precaridade, mas só assim estaremos em condições de legar um futuro mais promissor aos nossos vindouros.

           
Câmara gastou mais
           
O ano de 2011 foi um ano que devia ter exigido de todos nós (pessoas, famílias, empresas, entidades públicas) grande contenção orçamental.
Porém, a nossa Câmara Municipal resolveu fazer o contrário.
Gastou mais em despesa corrente do que em 2010.
Gastou mais do que o que recebeu em 2011.
Nestas circunstâncias, o nosso concelho continua um percurso de endividamento que culminará, como todos os outros, em grandes e penosos sacrifícios para os munícipes.
Aliás já o vêm sentindo com o agravamento das taxas, nomeadamente da recolha do lixo, e com a diminuição dos serviços prestados.
E não vale a pena querer “esconder o Sol com a peneira”, como diz o adágio popular…

NOTA: Faz um ano, também, que assumi responsabilidades políticas no concelho. Foi um ano cheio de atividades e de muito trabalho político para preparar as próximas eleições autárquicas, em torno de um projeto de desenvolvimento integrado e sustentado, para o futuro, para a nossa terra e para os cabeceirenses.


Texto para a edição de Abril de "O Basto"

quinta-feira, 29 de março de 2012

Precisam-se explicações


Ao longo de 18 anos, o PS tem liderado a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto.
Neste período têm sido realizadas muitas obras, mas muitas delas deixam um rasto de dúvidas e de problemas.
As obras da Praça da República, a rotunda do Pinheiro, a rotunda do Arco, … foram feitas, refeitas e voltadas a fazer. A construção do edifício onde está o Posto de Turismo mereceu duras críticas na altura e veremos, um dia mais tarde, o que ainda nos irá reservar. A reparação da EN 311 entre Refojos e Lodeiro d’Arque, nem é preciso referir. A construção da pista para aeronaves, agora também hipódromo municipal, nunca foi devidamente fundamentada. As novas vias de acesso à vila estão em construção, mas desconhecem-se os estudos de impacto ambiental. Das obras realizadas já na área envolvente do Mosteiro e das que estão a decorrer, desconhece-se o necessário parecer do IGESPAR.
E o caso do momento é o processo da reconstrução da Escola Básica e Secundária.
Já várias entidades se pronunciaram no sentido de confirmar a suspensão do financiamento comunitário, no valor de milhão e meio de euros (trezentos mil contos).
A autarquia veio afirmar que assumirá as suas responsabilidades e irá pagar a obra.
Isto é os Cabeceirenses irão pagar.
Mas como o fará?
Se o Tribunal de Contas não deu o respetivo visto, como pode a autarquia efetuar o pagamento? Fará um pagamento ilegal?
É preciso apurar responsabilidades do arquiteto da obra, como anunciou a autarquia, mas é igualmente imprescindível assegurar o apuramento das responsabilidades da autarquia.
É preciso assegurar que as culpas não morram solteiras e, à boa maneira portuguesa, os cabeceirenses paguem os prejuízos.
É um imperativo de cidadania conhecer o que se passa, exigir explicações e pedir responsabilidades.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Más notícias para Cabeceiras


Já tínhamos previsto que o ano de 2012 seria um ano difícil para todos.
Depois de muitos anos a esbanjar, ficámos exauridos e em pré-bancarrota.
Na nossa terra, o ano começou com duas más notícias.
Primeiro, surgiu a notícia de irregularidades nos procedimentos das obras da Escola Básica e Secundária de Cabeceiras de Basto, as quais poderão levar à perda das verbas dos fundos comunitários.
Ora a acontecer tal facto, o município terá de arcar com um investimento enorme que descontrolará as contas da Câmara e nesse caso, como acontece agora também connosco a nível nacional, terão de ser tomadas medidas para arrecadar mais receitas e apertar nos gastos. Duas penalidades de uma assentada só.
A este propósito, relembro o que ocorreu aquando da visita de José Sócrates às obras de construção da referida escola. Quando viu o antigo pavilhão gimnodesportivo no meio do novo edifício quis saber o que era aquela construção. Quando o informaram e lhe disseram que era para se manter, logo anunciou que era para deitar abaixo e fazer de novo. Uma escola nova tinha de ter um gimnodesportivo novo. Ainda bem que não o deitaram abaixo…
Segundo, a divulgação de um estudo sobre a Reforma do Mapa Judiciário, no qual se propõe o encerramento do Tribunal de Cabeceiras.
Todos deveremos estar disponíveis para contribuir na profunda reforma do Estado que se exige, já que este consome mais recursos do que deveria e não dá as respostas que se impõem.
No entanto, parece que o enceramento do nosso Tribunal não contribuiu para esse efeito. Por um lado, porque até respeita globalmente os critérios que o Ministério da Justiça definiu. Depois, porque os custos que a deslocação do Tribunal para Celorico acarretaria seriam significativos e nada contribuiriam para a poupança que se pretende alcançar.
Teremos pela frente uma longa e dura batalha em defesa do Tribunal.
Vamos travá-la em defesa dos interesses do nosso concelho e dos Cabeceirenses.
           
As oportunidades
           
 Se há más notícias, também existem oportunidades para inovar e começar uma nova etapa da nossa vida coletiva.
Como referi em cima, todos nós temos de fazer algo para que o Estado seja mais pequeno, menos oneroso para os nossos bolsos e gaste melhor os recursos de que dispõe.
A Reforma da Administração do Poder Local contém várias dessas oportunidades. Desde logo a reestruturação do sector empresarial dos municípios, diga-se empresas municipais. Depois a reforma do ordenamento do território, com a diminuição das Juntas de Freguesia, o novo financiamento do poder local e também a alteração das regras de eleição e gestão das autarquias.
Estar contra esta reforma é sobretudo defender os poderes existentes, mas nada contribui para o benefício das populações.
Os serviços estão todos centrados na Câmara, diretamente ou através da empresa municipal ou ainda de outras entidades protocoladas.
As Juntas de Freguesia não têm delegadas as competências que hoje se lhes quer imputar para justificar a sua manutenção.
Numa ocasião em que os recursos são tão escassos, não será de questionar a existência da Emunibasto, a empresa municipal, e da Basto Vida que vivem do erário municipal?
Não será de aproveitar os ganhos da reestruturação das Juntas, aumentando em cerca de cem mil euros (cerca de 13% do total das receitas) as disponibilidades para investimento e apoio social, nesta fase difícil da vida de todos nós?
Esta é uma boa oportunidade. Saibamos aproveitá-la, sem demagogias e com realismo.
Publicado na edição de Fevereiro de "O Basto"

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desemprego

Ao longo dos tempos tenho aqui expresso a minha preocupação pelo aumento do desemprego no nosso concelho.
Agora que foram publicados os números de dezembro de 2011, regista-se uma diminuição que não posso deixar de saudar.
Cabeceiras contabilizava, no fim do ano, 1336 desempregados, menos 40 que em Novembro.
Não sendo um cenário agradável, os níveis de desemprego estão muito acima do que seria desejável, mas pelo menos verificou-se uma inflexão nos números.
Já não é menosprezar.
Esperemos que durante 2012 a situação possa continuar a evoluir...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Na cauda...


Hoje é domingo e acabo de ver os resultados do fim-de-semana desportivo, ao nível dos clubes do nosso concelho.
Os principais clubes, o Atlético Cabeceirense e o Desportivo do Arco, disputam a última divisão da AF de Braga (2.ª), juntamente com o GD de Cavez e o S. Nicolau de Basto, enquanto o Águias de Alvite, milita na divisão superior (1.ª).
Com profunda apreensão verifico que os nossos representantes no futebol federado se atolam na cauda das classificações.
No final da primeira volta, o Águias de Alvite está no limiar da descida, podendo na próxima época regressar à 2.ª divisão, juntando-se aos restantes clubes.
Olhando para aquela divisão, verifica-se que os três últimos classificados são, respetivamente, Desportivo do Arco, Atlético Cabeceirense e S. Nicolau de Basto. O Cavez ainda se encontra em oitavo lugar, a meio da tabela.
Nenhum deles, claramente em situação de discutir uma posição cimeira, pelo que impossibilitados de subir. Verifica-se, pois, que a política definida e executada ao longo dos últimos anos só tem servido para degradar a situação dos nossos clubes, com os resultados que estão à vista.
Não é por falta de investimento. Basta ver o mapa dos subsídios atribuídos pela autarquia. As contas de 2010, registam os seguintes valores:
                - Atlético Cabeceirense – 50.000 €
                - Desportivo do Arco – 38.700 €.
Como se compreende a atual situação?
Quem decide não sabe o que está a fazer? O que está a financiar?
Quais são os critérios para os apoios?
Em contrapartida, como se verifica, os clubes mais pequenos vivem com parcos apoios (G. D. Cavez – 7.750 €, aos outros não especificado).
E como entender que o único clube a militar numa divisão nacional, em futsal, a Contacto pague muito mais à Emunibasto do que os apoios que recebe da autarquia?

Algo está muito mal na área do desporto em Cabeceiras.
É o que dá a politização (partidarização) do desporto.
Redunda em maus resultados desportivos e péssimos efeitos na gestão dos clubes.
Pelo meio, deixam-nos, a todos nós Cabeceirenses, tristes pela imagem que de nós damos.
Cabeceiras de Basto não merecia esta sorte.
Até porque podemos fazer melhor, muito melhor.  


Publicado na edição online de "O Basto"

domingo, 6 de novembro de 2011

Conferência em Cabeceiras

Divulgo a realização da conferência a realizar no próximo sábado, dia 12 de Novembro, pelas 21 horas, no auditório do Quartel dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses, com o deputado europeu Eng.º José Manuel Fernandes.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

GOVERNANTE RIMA COM QUÊ?

Recebi este texto que, com a devida vénia e cumprimentando a autora, reproduzo.


Passeando pelo nosso país, encontramos, muitas vezes, edifícios públicos e privados que foram pertença de instituições religiosas.
Antes tinham sido conventos ou mosteiros.
Veio 1834 e extinguiram-se as ordens religiosas.
Ficou o país mais rico? O povo começou a viver melhor?
Veio o 5 de Outubro de 1910 e perseguiram-se furiosamente as instituições eclesiásticas.
Ficou o país mais rico? O povo começou a viver melhor?
Veio o 25 de Abril e houve um tempo de felicidade coletiva.
Quem não aprecia a liberdade? Viva a democracia!
Porém, depressa se viu que as santas e amplas liberdades seriam quase um exclusivo para alguns desgovernantes, que se enriqueceram, se aliaram aos economicamente poderosos e empobreceram o país.
A Nação carece de justiça, escasseia em segurança, desconhece o equilíbrio social, sente-se deprimida perante a incompetência e os abusos de quem tem detido o poder.
Será que governante
terá de rimar com
arrogante,
petulante,
ignorante,
farsante,
degradante,
repugnante,
assaltante?
*************************************************
Parece-me que com tais extinções e perseguições, numa perspetiva de humanidade genuína e de Evangelho autêntico, os únicos que lucraram foram os religiosos e eclesiásticos, porque nisso cumpriram a bem-aventurança que diz:
“Felizes quando, por causa do meu nome, fordes perseguidos”.
Perderam somente os bens materiais, mas estes não fazem parte da essência da sua missão neste mundo. A perseguição que sofreram pode ter contribuído como uma purificação no seu “modus vivendi”.
Mas os tais governantes mostraram claramente a sua pobreza humana, porque apenas buscavam mesquinhamente para eles próprios ou para os amigos uma fortuna surripiada, sem respeito pela liberdade, que só o é totalmente quando respeita todas as suas vertentes, incluindo a religiosa.
E, desgraçadamente, com esses bens surripiados não melhoraram nem o país nem a vida do povo.
Felizmente, graças a muitas instituições religiosas e à colaboração do povo humilde, ainda podemos contemplar obras que valorizam Portugal, como é o Mosteiro de Cabeceiras de Basto. Venham visitá-lo.
Um abraço de quem preza a liberdade, a justiça, a equidade, a harmonia social.
Elias Moreira

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ideias 2020 - apresentação

No passado dia 15 de Outubro, decorreu a sessão de apresentação da iniciativa "Ideias 2020 - um projeto para Cabeceiras".
Na altura, a Rádio Voz de Basto efetuou a respetiva reportagem de que aqui se dá conta.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Um novo modelo de desenvolvimento


Os tempos estão difíceis.
Muito se fala da necessidade de aumentar a produtividade, ser competitivo, dar espaço ao empreendedorismo.
Porém, como fazê-lo num cenário de fortes restrições, de elevados impostos, de incerteza económica, de conflitualidade social e sindical?
Este é um dilema para o qual não há uma resposta efetivamente positiva.
Mas temos de fazer pela vida. Cada um de nós, cada grupo profissional, cada comunidade, cada país. A Europa e as demais regiões do nosso Mundo.
Da sociedade à rasca, temos de criar uma sociedade que se desenrasca.
Em Cabeceiras de Basto, temos vivido à sombra dos poderes públicos e sob a sua lei.
Ao longo dos últimos anos, muitos!, a sociedade habituou-se a aceitar passivamente a ação da autarquia como o agente económico de desenvolvimento local. O mercado de emprego centrou-se no município e nas empresas ou entidades tuteladas pela Câmara Municipal.
Quando o mercado aconselhava a abertura de novos horizontes, com a possível instalação de empresas, fábricas, hipermercado, hotel, de entre outros, sempre apareceram milagrosos argumentos que o impediram.
O facto é que durante o período de expansão, o período das vacas gordas, como se costuma dizer, nada disso foi feito.
O PROCOM serviu mais a autarquia que os comerciantes.
O PRODER seguiu o mesmo caminho, mais direcionado para a administração local do que para a sociedade civil.
Por outro lado, os recursos naturais não foram valorizados, a agricultura, a pecuária, a silvicultura foram definhando.
Os produtos locais, tantas vezes apregoados, não ganharam expressão significativa na atividade económica local.
Mesmo quando se construíram as zonas industriais de Lameiros e Olela, não se cuidou de assegurar a sua sustentabilidade e a crise veio trazer e acentuar os níveis de desemprego.
Agora, em tempos de crise, fomos informados que a autarquia vai apostar em múltiplas zonas industriais no concelho. Boa medida, em tempo errado. Pode render em popularidade, mas não vai render em resultados. Não estamos em época de crescimento.
Isso não quer dizer que não se tente, que não venha a ser instalada no concelho qualquer unidade industrial. Mas seguramente, nos dias de hoje, não é essa a solução. Já foi o tempo e foi perdido.
Agora exige-se um novo modelo de desenvolvimento, realista e sustentado.
Centrado nos recursos locais, nas potencialidades do nosso património natural, do nosso património arquitetónico, do nosso património cultural. Sobretudo nas potencialidades das pessoas, do seu conhecimento e, das suas capacidades.
É um novo paradigma que urge seguir, sob pena de voltarmos a perder o futuro.
Para isso temos de ter a atitude de partilhar projetos, informar, formar, cooperar, agir em rede, com autonomia e liberdade.
Enfim, mudar de vida, mudar Cabeceiras.

Publicado na edição online de "O Basto"

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Novo mandato nos TSD

Realizaram-se na passada sexta-feira as eleições para o Secretariado Distrital de Braga dos TSD.
Integrei com muito gosto aquela estrutura no mandato anterior, mas devido às responsabilidades que já tenho na CPS de Cabeceiras de Basto, não estava no meu horizonte manter-me no Secretariado, até porque também sou membro eleito no Conselho Nacional dos TSD.
No entanto, por solicitação pessoal do Presidente, Dr. Afonso Henriques, acabei por aceitar integrar a nova equipa como Vice-presidente.
São mais responsabilidades e novos desafios num momento particularmente difícil para o mundo do trabalho, para a Governação e para o Partido.
Mas também é nestas alturas que temos de estar disponíveis para ajudar, para cumprir o nosso papel de militante e de dirigente.
Espero estar à altura das necessidades.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

As faces da mesma moeda


Temos por hábito rotular as coisas, os comportamentos, as situações.
            Recorrentemente distinguimos entre o bem e o mal, o bonito e o feio, o correto e o incorreto, e até entre a virtude e o pecado.
            Claro que nem tudo é feito destes contrastes, mas não deixa de ser verdade que para cada coisa há sempre pelo menos duas formas de a encarar.
            Usa dizer-se que há duas faces da mesma moeda.
            Vem tudo isto a propósito da agitação política que se vive no PS local.
            O presidente da câmara e influente dirigente partidário impôs a sua força, fazendo vingar a nomeação do presidente da assembleia municipal como candidato à câmara nas próximas eleições.
            Obviamente, para quase todos, militantes ou não do PS, a solução mais natural seria a candidatura do atual vice-presidente.
            Este, aliás, assumiu essa vontade apresentando uma candidatura alternativa, mas perdeu, o que também não era difícil de adivinhar.
            Aqui chegados, agitaram-se as águas, perspetivam-se alternativas, novos cenários.
            Conforme se pode comprovar na blogosfera, este facto está a criar um profundo mal-estar no interior do PS. Claros indícios de divisão interna não ficaram apenas registados na votação realizada no órgão partidário.
            Esperemos para ver no que isto dá.
            Mas, como dizia no início, isto é, apenas e só, as duas faces da mesma moeda. Uns e outros lutam pelo poder dentro do PS e para que os mesmos continuem a governar a autarquia.
            Em qualquer dos casos, pensando apenas na continuidade no poder, agarrando-se às suas cadeiras como uma lapa.
Do meu ponto de vista, Cabeceiras precisa de mudar, precisa de uma alternativa que não seja a escolha de uma das faces da mesma moeda.
Precisa de uma nova “moeda”.
           
Comércio local
           
            Ao longo dos anos, a Câmara de Cabeceiras resistiu à implantação de lojas de média dimensão, com o argumento de que os hipermercados prejudicam o comércio local.
            Sobre este assunto já escrevi aqui, em novembro do ano passado, afirmando: “Das duas uma, ou nós por cá somos os mais inteligentes por ter resistido à moda, ou, pelo contrário, somos os mais idiotas por não ter sabido tirar partido de um fenómeno que alterou significativamente a forma de comercializar os produtos e ser fonte de atração social e desenvolvimento económico.
            Quase um ano volvido, continuamos a não ter um hipermercado, mas temos já várias lojas “chinesas”, uma delas de grande envergadura, quase um verdadeiro hipermercado.
            É este o modelo económico que a Câmara privilegia?
            Estamos conversados…
           
Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.
Publicado na edição de agosto de 2011 de "O Basto"

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Verão em Cabeceiras

Chegou o verão, como é natural em cada ano que passa.
Se com a primavera chegam as andorinhas, com o verão, Cabeceiras enche-se de jovens, de pessoas de todas as idades.
São os “emigrantes” de todas as paragens que regressam a casa.
Os estudantes que culminaram mais uma ano letivo e vêm gozar as merecidas (ou não) férias.
São os muitos trabalhadores que em férias voltam à sua terra.
São os nossos conterrâneos que de todos os cantos do mundo regressam por escassas semanas ao aconchego do lar e das famílias.
Todo este movimento estival dá cor, movimento, som à pacata e pardacenta vila dos restantes meses.
Como é bela a nossa vila agora!
Há gente, há juventude, há movimento!
As ruas tem peões, as estradas muitos carros, os estabelecimentos comerciais fazem negócios.
Como é triste saber que a nossa terra poderia ser cheia de vida e sobrevive cerca de onze meses na penúria de uns poucos que aqui decidiram (ou se viram obrigados) a ficar.
Chegámos a esta situação devido ao absurdo das políticas de valorização do setor municipal. Tudo tem de ser da câmara: serviços administrativos, escolas, saúde, cultura, associativismo, festas, recreação, empresas (municipais) e até cooperativas.
Mas Cabeceiras tem potencialidades para ser uma terra de progresso e de desenvolvimento.
Precisa é de ter políticas de desenvolvimento para as pessoas, para a iniciativa privada, para a criação de riqueza, para a criação de postos de trabalho.
Uma cultura de liberdade e de democracia, política e económica.
Num momento de profunda crise, numa altura em que se acenam com nuvens negras para o futuro, é importante pensar e potenciar a esperança.
Cabeceiras pode e deve caminhar num novo rumo.
Cabeceiras tem futuro, porque os cabeceirenses sempre foram pessoas de sucesso em todo o mundo. Sê-lo-ão também na sua própria terra.
É altura de começar a mudar, rumo a um novo horizonte.
É altura de construir um projeto de futuro, para que Cabeceiras não seja grande e atrativo só no verão.
E com isto deixo uma saudação especial a todos quantos nestes dias por cá passam e incentivo-os a colaborar nesse novo projeto, de modo a que possam investir na sua terra, possam cá viver com regularidade, possam contribuir para engrandecer e desenvolver a terra que é de nós todos.
Boas férias para todos!
Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.         
Publicado na edição online de  "O Basto"