domingo, 31 de outubro de 2010

Happy Halloween

Para a noite de hoje:

Fora com os vendilhões no Templo

Hoje fui à Missa dominical no Mosteiro de S. Miguel de Refojos.
À saída, ainda dentro da Igreja, no átrio, junto às portas, umas meninas entregavam umas folhas, que presumi serem a folha paroquial.
Qual o meu espanto quando verifico que se tratava de pura publicidade da autarquia a mais um "convívio".
Até onde chega a desfaçatez!
Já nem o espaço interno da Igreja escapa.
Será que o adro não é suficiente grande, a Praça da República não é um espaço público, para terem de invadir o espaço interno da Igreja?
Bem precisa se torna a menção bíblica: expulsar os vendilhões do Templo!

sábado, 30 de outubro de 2010

Este país não é para corruptos

Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer

Portugal é um país em salmoura. Ora aqui está um lindo decassílabo que só por distracção dos nossos poetas não integra um soneto que cante o nosso país como ele merece. "Vós sois o sal da terra", disse Jesus dos pregadores. Na altura de Cristo não era ainda conhecido o efeito do sal na hipertensão, e portanto foi com o sal que o Messias comparou os pregadores quando quis dizer que eles impediam a corrupção. Se há 2 mil anos os médicos soubessem o que sabem hoje, talvez Jesus tivesse dito que os pregadores eram a arca frigorífica da terra, ou a pasteurização da terra. Mas, por muito que hoje lamentemos que a palavra "pasteurização" não conste do Novo Testamento, a referência ao sal como obstáculo à corrupção é, para os portugueses do ano 2010, muito mais feliz. E isto porque, como já deixei dito atrás com alguma elevação estilística, Portugal é um país em salmoura: aqui não entra a corrupção - e a verdade é que andamos todos hipertensos.
Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição deDomingos Névoa. O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto- é só parvo. A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador.
O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente."

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Schubert "Serenade"

O umbigo do PS

O PS decidiu há meses apoiar a candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República.
Foi uma decisão difícil, já que uma parte significativa do partido e de algumas figuras de proa, a começar em Mário Soares, se lhe opunha.
Teria Sócrates motivos para apoiar Alegre?
Claro que sim. As bases do PS estão fartas das medidas ditas de "direita" que este governo tem executado. (Isto antes da chegada dos PEC's, porque agora já nem sei o que se diga...) Por isso queriam ter alguém que se apresentasse com as bandeiras da "esquerda".
Porém, a Presidência da República não é um cargo da "direita" ou da "esquerda". É um símbolo nacional, que por todos tem de ser respeitado, independentemente do posicionamento ideológico de quem o ocupe.
A Presidência da República deve ser ocupado por quem, em cada momento histórico, pode ser considerado o melhor representante de Portugal.
Foi com base nesse princípio que o PSD já apoiou tão diferentes candidatos como Ramalho Eanes ou Mário Soares.
Mais, o PSD quando apoiou Mário Soares não tinha para isso tão boas razões, como hoje tem o PS de Cavaco Silva.
Mas sobrepunha-se o interesse nacional.
E sempre que assim não foi (ver o caso das candidaturas de Soares Carneiro ou Ferreira do Amaral), os resultados eleitorais foram esclarecedores.
Ora, nesta época de profunda crise, qual é o superior interesse nacional?
Claramente o da estabilidade política, da confiança, do rigor, da competência...
Inequivocamente, Cavaco Silva é esse o garante.
Mas qual é a posição do PS?
Olhar para o seu umbigo e dar apoio a um candidato marginal que começou por ter o apoio do Bloco de Esquerda.
Eis, pois, mais uma manifestação inequívoca do modo como o PS entende o interesse nacional e o subjuga ao interesse partidário.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Governo aprova criação do crime de violência escolar - TSF

Governo aprova criação do crime de violência escolar - TSF

Enfim, passados vários anos desde que este tema foi introduzido na agenda das escolas e do Ministério da Educação, pela Associação Nacional de Professores, a partir das suas linhas SOS Professor, Alunos e Famílias - Bullying, Convivência nas Escolas e Bulialuno, eis que finalmente o Governo aprova a criação de crime de violência escolar.
Para quem ouviu dizer durante anos que os casos de violência nas escolas eram meras excepções sem significado, para quem durante estes anos fez centenas de horas de formação nesta área, para quem durante este período foi atacado, este é um bom motivo para sentir que valeu a pena abraçar esta causa, em prol dos alunos, das famílias, das escolas, do ensino e da educação.
Ainda bem!

Para ter uma noção mais exacta do que foi este percurso, podem consultar o arquivo da ANP sobre a matéria em http://www.anprofessores.pt/portal/PT/582/PAGID/1/default.aspx e

De mentira em mentira até chegar o FMI!


Quando Sá Carneiro morreu no ainda «misterioso acidente» de Camarate, abriu-se diante de Pinto Balsemão o labirinto habitual da política portuguesa: ele era o sucessor
natural, mas a complicada teia das ambições, invejas e traições, dentro e fora do seu partido, não lhe deu sossego. Balsemão foi vencendo as conspirações, mas acabou por
se demitir. Aí nasceu a célebre frase “de vitória em vitória até à derrota final”.
Ocorre-me a lembrança a propósito do Orçamento para 2011, que não me atrevo a analisar como especialista (que não sou), mas que seguramente vou amargar como
aposentado neste Portugal financeiramente amordaçado (assim escreveria, noutros tempos, o patriarca Soares).
Também agora poderemos dizer que vamos de mentira em mentira até à bancarrota. Ainda há pouco mais de um mês, o ministro das Finanças (que desilusão!) garantia
que as contas seguiam em linha com o previsto, ao mesmo tempo que o primeiro-ministro (que confirmação!) vociferava contra aqueles a quem chamava catastrofistas ou
alarmistas, consoante a arrogância do momento. Era o tempo em que Portugal chegou a ser chamado por Sócrates campeão europeu do crescimento...
Foi por este caminho de falsidades que os portugueses foram conduzidos ao maior suplício dos tempos modernos. Aprovem lá o Orçamento, abram as portas ao FMI - mas
não deixem sem castigo (político e não só) os responsáveis por estes crimes.
É que já basta!
António Freitas Cruz - Cronista©JN, in Povo Livre